terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O Discurso do Rei, ou um assomo de luz

 



 


Fiquei rendido ao "Discurso do Rei" de Tom Hooper, e ao contrário do que dizem as más-línguas (porque será?), posso garantir que a obra é muito, mas muito mais, do que a replicação no cinema dum telefilme da BBC. A grandiloquência narrativa, a fotografia simplesmente arrebatadora, e principalmente a extraordinária prestação dos actores, são aspectos que fazem desta película uma autêntica obra-prima. As primorosas representações de Colin Firth no papel de príncipe Alberto, de Geoffrey Rush, o excêntrico terapeuta da fala, Lionel Logue, e de Helena Bonham Cárter como Rainha-mãe, envolvem-nos num comovente drama humano: o tormentoso recontro do gago mas ciente príncipe com o seu inevitável destino, de perante a manifesta leviandade do irmão, vir a reinar o Império Britânico; e, no apogeu da telefonia, através da sua voz, encarnar a esperança e a dor dum povo em face à trágica guerra contra a Alemanha Nazi. Se outra mensagem não possui, esta persuasiva e tocante lição de humanidade, recentra a decisiva importância do trabalho e carácter dos actores no melhor cinema. Aquele que faz História.

4 comentários:

  1. Outros tempos e outros Homens e dirigentes. Que País afortunado, a Inglaterra. Que diferença ...

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  2. Eu acrescentaria, ainda, o contraponto entre a leviandade de Eduardo VIII e o profundo sentido do dever de quem passou a encarnar a Dinastia de Windsor, Jorge VI, que tudo fez, mesmo com sofrimento individual, para superar as suas dificuldades físicas. O serviço ao seu povo falou mais alto.

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