sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tu que sabes e eu que sei, cala-te que eu me calarei

 


Muitas razões contribuirão para o crescente desinteresse dos jovens pela política, e nenhum de nós que ajudámos a construir esta democracia se livra da sua quota-parte de responsabilidade nisso, caro Pedro Correia. Mas parece-me algo duvidoso pretender que a previsível indiferença pelas eleições presidenciais, que suspeito rondará o escândalo, longe de ter causas etárias, tem-nas bem mais complexas. Oiço e leio todos os dias os opinadores encartados nas televisões constatarem que a campanha e os discursos não geram entusiasmo, divididos entre a demagogia dos candidatos que reclamam matérias fora do seus poderes, e os que se desculpam por não possuírem prerrogativas para intervir. O problema é que os analistas chegados a este ponto bloqueiam, não desenvolvem a partir daqui, quando seria lógico questionarem o regime. Porque tem um cargo simbólico como este de ser de sufrágio universal e directo? Porque não adoptar um modelo como o da Alemanha ou da Itália em que os elegem nos seus parlamentos?


Mas recentrando-nos na questão que aqui me traz: o que receiam os operadores da política (em que incluo os jornalistas) ao não debatem o modelo da Chefia de Estado e sua eleição? Será que receiam cuspir na mão que lhes dá de comer? É o medo da mudança?


O facto é que a monarquia constitucional e as duas primeiras repúblicas caíram de podres, não se adaptaram ou desenvolveram, com as trágicas consequências que conhecemos. Estamos fartos de saber o que não funciona... Até quando vamos continuar neste circo a fingir que tudo está bem?

1 comentário:

  1. Pedindo desculpa pela intromissão, com isto até concordo.

    Arranjaram por cá uma treta de uma coisa que nem é carne nem peixe. O presidente ou manda, como em França, e faz sentido ser eleito por sufrágio universal, ou tem meras funções de representação e basta uma eleição indirecta.

    O que aqui temos é que só atrapalha, se presta a equívocos, e nada adianta.

    A campanha a que há muito assistimos, embora oficialmente só tenha começado há dias, não interessa, é inútil e só desprestigia a instituição.

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