Como reacção a 48 anos da ditadura, cuja propaganda (como resposta a dezasseis anos de caos e violência) se fundou nos valores da família, a religião e trabalho, tivemos trinta e cinco anos de democracia em que a estética imperante os proscreveu liminarmente. Exemplo disso é o que sucedeu à agricultura nacional, que de tão glorificada em tempos, foi votada ao abandono a seguir ao 25 de Abril, amaldiçoada pelos poderes como actividade quase indigna. Como resultado estabeleceu-se, uma cultura de indolência, especulação e irresponsabilidade: o “trabalho” é palavra de ordem banida, o desvelo é indício fraqueza, e a máxima aspiração indígena é ascender à fidalguia cortesã do regime, ancestral vício congénito, que os partidos se constituíram pródigos promotores.
A realidade actual seria irónica se não fosse a nossa desgraça: muito e árduo trabalho é a herança que temos e o testamento que deixamos, a nossa única redenção possível. Como acontecerá esta inevitável revolução em democracia, é a minha maior perplexidade.
E as melhores terras cobertas de betão. Quando precisarmos de produzir para nossa alimentação nem o saberemos já fazer, nem teremos onde.
ResponderEliminarhttp://jose-catarino.blogspot.com/2010/10/do-cavaquistao.html
O Portugal da segunda República, caro amigo, não era nem foi qualquer exemplo, foi a Salazar e às suas políticas que ficamos a o atraso estrutural actual, a agricultura e a industria desse tempo foram reduzidas a um paupérrimo desenvolvimento, quando não se traduziam apenas aos elementos tecnológicos vindos do século XIX.
ResponderEliminarPouca foi a industria criada nessa época, e dessa pouca sobreviveu depois, o desenvolvimento tecnológico e o modernismo (a única vantagem dos regimes de cariz fascista desse período) não chegaram a Portugal de Salazar, reduziu-nos ao paternalismo autocrático e à pobreza da "casa portuguesa"!
Você leu mal o que eu escrevi. Leia outra vez, caro respública.
ResponderEliminarCumprimentos,
Disponho de tomates, grelos, nabos, pepinos, etc, tudo da minha propriedade.
ResponderEliminarLeu por uma cartilha qualquer que estranhamente ignorava a siderurgia, a petroquímica, a metalomecãnica e a construção naval. Os elementos do séc. XIX não eram tecnológicos, eram os subversivos da outra cartilha. A de Marx.
ResponderEliminarCumpts.
Os meios de produção nacionais tinham duas coisas a desfavor: vinham do Estado Novo e com o 25 de Abril ficaram dominados pela aristocracia sindical. O irónico é que a subversão que deu como troféu os meios de produção aos comunistas com a soltura abrileira foi adoptada pelo neoliberalismo. Bastaram uns patacos à aristocracia sindical - A C.E.E. subvencionou muito - e o operariado evaporou-se no esfumar dos meios de produção que lhes serviam de muleta.
ResponderEliminarO engº Duarte Pacheco dizia que no fim, capitalismo ou comunismo, um deles havia de triunfar. Parece que se enganou: aniquilaram-se mutuamente. O estado em ficou Portugal é bem a prova. Como herança resta-nos o trabalho, diz muito bem. Haja saúde!
Cumpts.
Senhor João Távora isso é meter (muito bem) o dedo numa das feridas graves que o país tem, as outras são a pecuária e a pesca, todas estas actividades estão reduzidas a um fantasma do que foram, então o desmantelamento da pesca foi uma barbara agressão à nossa economia. Qualquer país tem que ter como estratégia básica de sobrevivência , uma capacidade de total ou quase total autarcia, quando assim não é, fica dependente do exterior daquilo que numa nação é um dos pontos fracos, o estômago , todas as actividades do sector primário, foram ou brutalmente desmanteladas ou como muito bem diz apontadas como indignas e desprezadas pelo regime crescentemente tecnocrata pós abrilista , em troca de um punhado de financiamentos que pelos vistos foram delapidados, o que nos deixa obrigados a saída de divisas para pagar a importação de coisas que anteriormente produzíamos , se não na totalidade das nossas necessidades internas pelo menos numa grande parte dessas necessidades. Que futuro para o sector primário em Portugal?
ResponderEliminarCalma, caro João, o comentário é para ir para além do texto, é para referir-me à prática realizada, independentemente da propaganda política de Almada Negreiros e outros.
ResponderEliminarO irónico nisto tudo, será verificarmos que o desejo de regressar ao trabalho da terra, torna-se praticamente impossível. Uma simples pergunta: quantos agricultores temos em carteira para esse "regresso"?
ResponderEliminarInquérito DN- O que lhe parece o plano do Governo de pôr desempregados a trabalhar nas obras?_Uma boa medida: 798 votos/62%_Uma má medida: 246 votos/19%
ResponderEliminarUma medida insuficiente: 233 votos/18%
O que o português comum carrega com maior vergonha são as suas origens rurais. Tais os níveis de indignidade que a aristocracia portuguesa reservava para os seus camponeses.
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