quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sempre "a caminho do socialismo"

A notícia, assinada por Nuno Simas, saiu ontem no Público e dava conta do início da discussão na comissão parlamentar para a revisão constitucional que começou pelo famoso preâmbulo que prevê o nosso “caminho para uma sociedade socialista”. O mais elementar bom senso faria prever que a expressão datada dos tempos exaltados de 1976 deveria ser retirada. Pois bem, parece que só o CDS o defendeu, bem como, a título pessoal, o deputado laranja Bacelar Gouveia. Os restantes deputados do PSD citados, como Mota Amaral, Guilherme Silva e Marques Guedes, acham que não faz mal nenhum e têm-lhe até um certa ternura, um “legado” como dizem, como se fossem loucuras da juventude da época, como as calças à boca de sino ou a bigodaça com patilhas.
O PS, para variar, é “socialista” mas não muito e Vitalino Canas acha que a expressão “tem apenas um significado histórico", enquanto Ricardo Rodrigues, com a elegância que o caracteriza, faz saber ao centrista Telmo Correia que só quando o CDS tiver dois terços dos deputados deixaremos de “caminhar para o socialismo”... Já o Bloco de Esquerda e o PCP mantêm-se obviamente defensores do preâmbulo achando bem impor constitucionalmente à sociedade portuguesa (embora, como diz Guilherme Silva, ele não tenha “alcance normativo”) um “caminho” que os portugueses têm rejeitado absolutamente nas dezenas de eleições dos últimos 35 anos.
E assim, à oitava vez que revemos a Constituição, que deveria ser o texto político mais importante do país, vamos manter um preâmbulo ridículo, pelo qual, pasme-se, há uma espécie de carinho por parte de políticos adultos, que sabem perfeitamente que o tal “caminho” nunca se concretizará nem eles gostariam que se concretizasse. Se isto não é surrealista, não sei o que será.

9 comentários:

  1. Ridículo e esquizofrénico. Um espelho do país, de facto.

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  2. Totalmente de acordo, Duarte: Ridiculo, patético e surrealista!

    (Em jeito de provocaçao, gostava de ver o RCT a comentar este post, só para confirmar que nao se trata de um "político agrilhoado na agenda do seu partido")

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  3. O Mota Amaral é que sabe da poda: veio da União Nacional (era deputado no 25 de Abril, ao contrário de todos os outros "colegas" da ala liberal), alapou-se no PSD (que lhe deu o Governo dos Açores e 400 anos de Parlamento) e agora faz todos os fretes possíveis ao PS (até o de ser conselheiro matrimonial do falso engenheiro, imagine-se!).
    Um verdadeiro fenómeno!

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  4.  Olhe que só houve a possibilidade "do “caminho”  ser pelos portugueses rejeitado absolutamente nas dezenas de eleições dos últimos 35 anos", porque alguns  com "bigodaça com patilhas"  meteram mãos à obra e o proporcionaram.

    Por favor, mais respeito histórico pelas pilosidades da época.

    Quanto ao fundo da questão, subscrevo naturalmente.

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  5. Por falar em ironia e outras coisas aqui fica, nacionalistas russos em força:


    http://varlamov.me/img/fanati_manej/23.jpg (http://varlamov.me/img/fanati_manej/23.jpg)


    na praça vermelha, braço ao alto, irónico não é?!

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  6. Apenas faltará colocare um medalhão com o perfil do Vasco Lourenço nos Passos Perdidos. Assim, fica a coisa completa.

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  7. No Preâmbulo só la devia estar a singela e magnanima frase " Portugal é uma Nação de Matriz Cristã"

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  8. No fundo, O BE pretende um novo socialismo, aqueles que defendem os "dos bens comunitários" (vulgo baldios) - art. 52º projecto BE, e toda uma série de direitos novos de todos os géneros e etnias!
    o PCP "A Constituição de 1976 incorporou no seu texto os anseios e as conquistas do povo português com a Revolução de Abril. É por isso a Constituição de Abril."
    o PS também quer o género e a etnia, mas com o "reforço das garantias constitucionais do Estado Social e dos instrumentos favoráveis à estabilidade política e financeira", que entretanto vai atacando com as leis ordinárias;
    O PSD-Madeira quer o regionalismo e os partidos regionais, bem como o fim do papão do Tribunal Constitucional (em de querer algo útil como o fim do PSD-Madeira!);
    o CDS quer algumas reformas importantes, mesmo que sem o pretender de forma adequada, como a consagração plena do direito de propriedade como um direito de liberdade, não há um direito de liberdade à iniciativa económica, este é um direito liberdade e garantia pleno, sem necessitar de grupo próprio para o ser!
    o PSD tem gralhas no projecto, face à comissão não ter sido tão abrangente como as anteriores, esquece a integração da propriedade nas liberdades e garantias tradicionais, bem como a alteração do preâmbulo!


    O Preâmbulo não tem que ser eliminado, mas alterado no sentido a traduzir o Estado de Direito Democrático pleno, em que o socialismo é afastado e a Liberdade Individual assegurada, no género das 1ªs constituições liberais.




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