quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O milho, as galinhas e as presidenciais

Em defesa da democracia vem o meu amigo João Gomes de Almeida, a propósito desta diligente análise do Pedro Correia elogiar e defender mais atenção sobre o debate das eleições presidenciais, que ele desejaria mais aceso. Lamento discordar: do que necessita imperiosamente a democracia por estes dias é de acção, pois que debate público temo-lo profusamente mais ou menos interessante nas rádios e televisões, nos jornais e na Internet. Quase todos os dias assistimos políticos, politólogos e jornalistas a debater propostas e ideias para Portugal nos media. Não há notícia de relevância à qual não sejam chamados à colação especialistas do pró e do contra. É uma barrigada constante de debate, muitas das vezes protagonizada por políticos agrilhoados nas agendas dos seus paridos, coisa que resulta numa restrição argumentativa e de ideias simplesmente confrangedora. É nesse modelo discursivo que se inserem os candidatos à presidência, ostensivamente demagógicos, debitando provocações estéreis, promessas ilegítimas sobre matéria que constitucionalmente são impotentes, e o auto-elogio, meu Deus, que atinge uma patética desfaçatez. O que é que influirá para a realidade nacional que o próximo presidente da república deteste o regime e os partidos existentes ou tenha visto crianças a correr atrás de galinhas para lhes roubar o milho na sua terra natal? As prerrogativas do cargo relevam-no para a total irrelevância.


Nós portugueses hoje temos aquilo que merecemos: somos um povo descrente, uma Nação em acelerada dissolução sem ideal ou utopia, e o espectáculo proporcionado pelos candidatos a Belém é profundamente estéril e depressivo. Prodígio que será confirmado nas urnas em Janeiro.

14 comentários:

  1. Perde-se mais tempo a ouvir os treinadores de bancada do costume a comentar...do que ouvir os candidatos!!!
    Não faz qualquer sentido ter um Presidente da República, nem sequer uma República, cuja a utilidade é próxima ao nulo absoluto!!!
    Sou portanto a favor de um massivo boicote às eleições presidenciais de 2011!!!

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  2. Uns políticos muito mal paridos, lá isso é verdade.

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  3. É divertido ver estas críticas depois daquela patética entrevista do sarduarte em que se julgava o representante de deus na Terra. E depois preferem ser monárquicos...

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  4. Caro João:

    Não sou monárquico e tenho muitas dificuldades em visualizar o que uma monarquia traria de benéfico ao nosso País... Idem para a República... Ibidem para o rotativismo Rosa/Laranja...A própria Democracia há muito que já não o é, visto estarmos a resvalar para extremismos (de esquerda ou direita, tanto faz)!!!
    Vai sendo tempo de criar novas ideologias... Que não dependam de dinheiro, agências de rating, mercados, bancos e banqueiros!

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  5. Caro Tiago: Não sou um revolucionário, sou um conservador que não acredita em mudanças radicais contra a natureza do homem e da civilização. Mas sim, concordo que são necessárias profundas mudanças para resgatarmos um futuro para todos. 
    Cumprimentos, 

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  6. Caro João:

    Tenho a "leve" sensação de que me rotulou de revolucionário... Não sou! Apesar de consciente que é nessa direcção que marchamos... O universo é feito de mudança e evolução, quer queiramos ou não...
    Se fossemos todos conservadores temo que ainda vivéssemos em cavernas e não discutiríamos conceitos como civilização ou a natureza do homem... Lamento "ir contra" o seu conservadorismo João, mas neste momento não é o que o Mundo precisa... O velho sistema de coisas irá acabar, colapsando sobre si próprio!
    Infelizmente ainda ninguém sabe como ou quando, mas o pior ainda está para vir...

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  7. jandré, o que é que o que disse o Senhor D. Duarte tem a ver com a corja que implantou uma república pelo terrorismo, a corja que nos amansou pela ditadura e a corja que está a escorar, artificialmente, este regime?

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  8. João André:
    Distraiu-se. Foi no dia da sua ida à IURD.
    O Senhor D. Duarte é simplesmente o representante dos portugueses no  mundo civilizado. Por acréscimo, de Portugal no mundo incivilizado pelos governantes da República - caso mais notório, o de Timor.

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  9. Caro Tiago Mouta:
    Com toda a consideração que tenho por si desde tempo que não adivinha, faço-lhe notar que evolução é o antagonismo de revolução.

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  10. Caro Tiago Mouta,

    Antes de mais é bom revê-lo por aqui.
    É de uma geração diferente e vê-se que ainda à procura de alguns rumos e sobretudo aberto à informação e ao diálogo. Isso é que é importante. É assim que se caminha enquanto pessoa.
    Ainda bem que aperece para poder adiccioná-lo ao meu novo espaço nna blogosfera. é um cantinho humilde e ainda a dar os primeiros passos.


    Cumprimentos,


    Marquesa de Carabás

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  11. Caro João:

    Não tenho por hábito discutir semântica, não discordando de si, que tem a razão do seu lado...
    Eu ficarei por um conceito misto de Reevolução. ;)
    Bem Haja

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  12. Cara Marquesa

    Apesar de aparentemente ausente tenho seguido o desenrolar dos acontecimentos...;)
    Terei todo o gosto em passar no seu "humilde cantinho".
    Relativamente a rumos, penso que andamos todos à procura de um que nos leve a bom porto!!!

    Cumprimentos

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  13. Não irei votar, nem "que a vaca tussa". Eles que se arranjem.

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  14. Caro Tiago: Faz muito bem. A «evoluçao» tem que ser repensada. A revolução também.
    Como diziam os anargas na minha juventude - «Cristo morreu, Marx também... e eu já não me sinto nada bem».
    Nem Cristo nem Marx morreram. Cada um à sua maneira deve ver lado aproveitável que neles existe (religiões à parte).
    Cumprts.

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