(...) No referendo ao aborto percebeu-se claramente que a maioria das redacções estava a favor do ''sim'' e que no referendo à regionalização a maioria estava a favor do ''não''. Por muito que se tentasse equilibrar isso com os artigos de opinião, quando chegava à altura das reportagens e à forma de apresentá-las, qualquer exagero da campanha de um lado ou de outro eram vistas de forma diferente. Radicalismos de um lado eram desculpados e de outro eram atacados e colocados em parangonas, ou glosados em cartoons. O erro está em achar-se que os jornalistas são completamente objectivos. Se se reconhecer que o jornalista não é completamente objectivo, conseguem encontrar-se formas de compensar essa subjectividade da profissão. É importante encontrar esses equilíbrio dentro das próprias redacções.
José Manuel Fernandes em entrevista ao jornal i
Deve ser por isso que o PSD pretende retirar da constituição o referendo à regionalização ...
ResponderEliminarEu nunca vi um jornalista objectivo. Bem...há uma que acha que é o máximo da objectividade, da verdade e dos sermonários irónicos. Canta a socretinice como ninguém e tem um conceito de democracia, diria, capaz de concorrer com o de Péricles. Se eu fosse vampira, eu nunca lhe iria à jugular, o sangue da dita é muito rosa....
ResponderEliminarA isenção da imprensa é um puro mito, exactamente por isso é que em alguns países ainda hoje subsiste alguma da tradição anglo saxónica de os meios de comunicação terem uma posição definida à partida e publicamente conhecida, ninguém tem a menor duvida de qual é a opinião editorial sobre o mesmo assunto por exemplo do Guardian e do The Times. Infelliizmente essa clareza não fez escola em muitos sitios e também começou a ser abandonada naqueles onde fez. É pura ficção imaginar um jornalista de esquerda ou de direita, que consiga ser isento num tema em que tenha opinião formada, a sua tendencia será naturalmente beneficiar uma posição em detrimento de outra e por vezes até de forma quase pavloviana.
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