Hoje ouvi de Ramalho Eanes, numa serena e cativante entrevista à Antena 1, um cliché, que por o ser, não deixa de ser tragicamente verdadeiro: o povo português é endemicamente pobre, condição que nos condenou ao longo da existência a menosprezar a História e a descuidar o Futuro, num desesperado apego à sobrevivência no imediato. Por causa disso os regimes e instituições nacionais foram incapazes de se regenerar por dentro, de perspectivar e construir o devir. Percorremos a História em círculos e aos repelões, em golpes e contra-golpes sempre recomeçados do zero. Hoje, só não vê quem não quer, caminhamos alegremente para o abismo, dependentes e incapazes de nos governar.
Acredito que uma séria revisão constitucional poderia ser o princípio de muita coisa. Talvez significasse que a experiencia tinha-nos ensinado qualquer coisa, mais importante que alguns atavismos e fetiches ideológicos que nos cingem há demasiado tanto tempo.
Considero o Senhor General Eanes uma das poucas referências a que temos direito.
ResponderEliminarDe verticalidade, seriedade e modéstia que hoje cairam em desuso.
A que distância dele está o nível dos fala-barato dos nossos dias...
Um dos tais "atavismos " é achar que estamos à beira do abismo, da falência. É eterno, sempre fomos assim. Se falarem mal de nós no estrangeiro, então, é terremoto mental. Qualquer técnico de contas estrangeiro nos deprime. Se for um prémio nobel, (como o Stieglitz), começamos a ver imediatamente o apocalipse. Já é velho.
ResponderEliminarInfelizmente, os incompetentes que estão no poleiro mandam logo umas bocas deprecistivas sobre qualquer ideia que não saia das suas mentes arrogantes...
ResponderEliminarRevisão constitucional talvez seja pouco, porque não uma completamente nova.
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