terça-feira, 2 de março de 2010

Regras & boa educação

 



 


O aparente milagre observado nos milhares de automóveis que se cruzam, seguem e ultrapassam animadamente numa cidade sem se enfaixarem mais vezes uns nos outros, explica-se através do inexorável cumprimento dumas poucas regras absolutas, que estabelecem uma confiança e ordem entre os condutores. Por exemplo, é esse fenómeno que nos autoriza a atravessar sem hesitações um cruzamento a cinquenta km hora simplesmente porque o semáforo nos indica a cor verde. 


O drama do português é manter militantemente num mínimo dos mínimos esse número de regras impreteríveis, de forma poder reinterpreta-las e negocia-las a cada momento consoante os seus interesses: legitima-se assim o estacionamento em cima do passeio ou em segunda fila, não parar totalmente o carro no sinal de stop (uma extravagância normativa do legislador), concede-se uma generosa margem ao limite de velocidade estabelecido, e a prioridade de passagem dum peão numa passadeira torna-se numa voluntária cortesia, dependente do estado de espírito do condutor. Neste último caso, a relativização das regras, tanto por condutores como por peões que gostam de desafiar o perigo, tem como trágico resultado um número assinalável de atropelamentos mortais


Quando há alguns anos vivi numa ruela no centro da vila de Cascais, não foi sem alguma surpresa que me apercebi da forma inflexível  como é assumida a prioridade dos peões nas passagens assinaladas. Este “estranho” hábito autocne acontece inexoravelmente por toda a cidade, e não tem unicamente a ver com a sua morfologia urbana, suspeito que se deva a um fenómeno sociológico contagioso, relacionado com boa educação. Se assim é, para se generalizar este prodígio no resto do território suspeito que demore algumas gerações.  


 

8 comentários:

  1. O habito 'autocne' é se calhar devido à presença do estrangeirame...

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  2. Caro D. João da Távora, de facto das poucas vezes que fui a cascais também reparei nesse fenómeno, quem vem da Lusa Atenas e está abituado a quase ser atropelado ans passadeiras, passa por Lisboa e vê o transito caótico, sem respeito pelos peões, como em tantas urbes da Nação Portuguesa, não pode deixar de considerar que Cascais é uma verdadeira excepção de civilidade.

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  3. Caro João Távora devo dizer-lhe que constatei igual fenómeno durante os quatro anos que vivi em Vila Real, é verdadeiramente admirável a forma exemplar por parte dos condutores no respeito aos peões. O mesmo não acontece aqui no Porto, muito pelo contrário.

    Cumprimentos

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  4. Estive um mês sem carro e alucinei. nunca pensei que fosse tão difícil atravessar a rua numa passadeira . circulam , inclusive em ruas que é muito provável encontrar crianças , em velocidade excessiva. umas bestas alguns condutores.

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  5. Já alguma vez, como peões, olharam para o lado a ver se vinha alguma viatura nas proximidades? Já alguma vez apanharam um peão que chega ao outro lado e volta para trás? Claro que na cidade, na capital do pais, na capital do norte, tudo é diferente. Estou a falar duma cidade onde não há semáforos. Cuidado redobrado e mesmo assim........

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  6. Ja' muitas vezes comentei em posts onde se culpa apenas o condutor como o único responsável pelo atropelamento. Vivi grande parte da minha vida sem carta, curiosamente sempre respeitei muito os carros e os condutores, coisa que a maioria dos peões não faz, apenas acha-se no direito de ter a razão do seu lado sempre que põe o pe' no alcatrão.

    Nos dias que correm, com a massificação dos mp3s e da mais que instituída culpa aos automobilistas, vejo os peões na minha zona (saldanha, lisboa) a fazerem o que bem lhes apetece, por vezes alheados dos perigos, da aproximação de um carro ou de um autocarro, ou o ridículo parar de todo o transito numa passadeira imaginária (junto ao monumental para a fontes pereira de melo), onde cordialmente até os táxis cedem passagem, mesmo sendo um sinal breve e que ao mínimo atraso pode condicionar mais vias.

    Alias em toda a praça do saldanha os condutores respeitam religiosamente as inúmeras passadeiras, normalmente atravessadas pro vagas de pessoas que por vezes nem um pequeno esforço passam para assumir o seu papel e atravessar celeremente a passadeira, ao invés disso, arrastam-se numa passerele altamente irritante.

    A titulo de curiosidade falava com um amigo nem ah 5 mins, sobre uma campanha que a PSP promoveu, multando alguns dos muitos transeuntes que atravessavam fora das passadeiras.

    Penso que nestas coisas devem-se responsabilizar tanto os condutores como os peões e não apontar apenas canhões para quem ao menos teve de saber algumas regras, os outros pelo contrario parecem não as conhecer de todo...

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  7. Quando, há uns vinte anos, eu frequentava Almada, havia uma maneira quase infalível de saber de onde era um condutor: os de Almada paravam nas passadeiras, os de Lisboa não.

    Mas não era apenas na condução que se via a diferença. Quando comecei a vir com frequência a Lisboa, descobri que havia um povo que ignorava conceitos tão simples como "respeitar a fila para o autocarro".

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