sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Status quo




Bando de abutres suicidas,


asnos canibais,


hienas, 


ratazanas, 


fuinhas, 


traças deslumbradas, 


baratas, 


sanguessugas inchadas, 


varejeiras, 


não haver um pé que vos esmague, 


um ddt que vos fumegue, 


uma chibata que vos fustigue, 


um abalo que vos soterre, 


um diabo que vos carregue, 


um decreto que vos expatrie. 


Matam a música, 


rasgam o livro, 


sujam a água, 


ofendem, 


conspurcam, 


desanimam. 


Pobres das vossas mães, 


mas sobretudo dos filhos das nossas. 


Não haver um buraco que vos sugue, 


grande para vos tragar a pequenez, 


pequeno para não nos arrastardes convosco para o quinto dos infernos, 


vossa ditosa pátria. 


Ide pelo ralo, que só então poderemos emergir 


lentamente


das ruínas.


 


por Jorge Lima, via Rui Castro


 

6 comentários:

  1. Lindo! A extrema-direita no seu esplendor.

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  2. Magnífico, sim!
    Verdadeiramente sentido.


    E muito a propósito!

    Maria da Fonte

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  3. OI

    TENHO UM PASSATEMPO A DECORRER.

    PASSA POR LÁ. :)

    BEIJINHOS

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  4. Num país de...

    Negócios apadrinhados
    por interesses tenebrosos,
    tentáculos emaranhados
    entre monturos escabrosos.

    Desta tremenda devassidão
    da política lusitana
    brota a abjecta podridão
    de gentalha tão pobretana.

    O descrédito galopante
    da nossa portugalidade,
    é deveras preocupante
    a actual realidade.

    Da normal anormalidade
    para ficar surpreendido
    emerge a fatalidade
    do nosso regime perdido…

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  5. «Nossa portugalidade»...salvo seja...da portugalidade deles, bem diferente da minha que não se compadece com a ladroagem institucionalizada com a benção da Justiça e outras áreas da gestão ordinária actual deste país.

    Educadinha

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  6. Sr. artista Picaço:

    Se por acaso o poema se chamasse «Os Vampiros», declamado ou cantado por José Afonso, seria um hino à democracia, não era?

    Há rótulos que ainda não aprendi a pôr, assim automáticamente. E espero manter o meu espírito suficientemente liberto para nunca assim proceder.

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