sábado, 13 de fevereiro de 2010

Quem tem medo da palavra "romper"?

Mais que saber até quando aguenta José Sócrates, importa saber quanto mais resiste esta III república, cujas instituições se arrastam num deplorável estado de descrédito. O regime, qual múmia putrefacta e imortalizada por uma qualquer mezinha maligna, fantasmagoricamente prossegue o seu desígnio, pairando a maquinar e sustentar uma cada vez mais imensa e diversificada clientela. Aliás é interessante verificar como para lá dos seus anafados validos, hoje nos deparamos com uma curiosa plateia de opinadores que se entretém num animado jogo duplo: brada de repulsa pela corrupção e ineficácia das instituições, mas que assobia para o lado, encolhe-se ou  incrimina de extremista qualquer acção ou discurso de ruptura, que aponte para a inevitabilidade duma mudança que ameace minimamente as viciadas estruturas ou comprometa as rendas garantidas por pouco esforço. 


Perante esta proverbial desorientação e apatia, é notório que não se vislumbre um cidadão de mérito e de bem que arrisque pôr as mãos, e muito menos a cabeça, na impossível missão de desenterrar este País do atoleiro. De resto suspeito que a manutenção da insustentável administração Sócrates interessa principalmente aos seus putativos sucessores porquanto a deterioração deste ambiente lhes conferirá a médio prazo o estatuto redentor sem que se vejam forçados a reformar ou mexer em profundidade nos toscos alicerces deste regime falido e ineficaz. O pântano promove os repteis.


Finalmente, acredito que se torna urgente romper com o regime e as suas ancilosadas instituições: é prioritário reconstruir o inoperante edifício da justiça, é indispensável reformar o modo de eleição do parlamento concedendo-lhe mais crédito e dignidade, é vital cortar rente o peso do Estado na economia, é premente acabar com o ensino que não ensina e despreza o mérito em nome da igualdade, é preciso rever o modelo de chefia de Estado, que emerge, se sustenta e definha da mais mesquinha intriga política em detrimento do seu livre arbítrio e simbologia unificadora. Tudo isto em louvor da liberdade, em prol da independência nacional e da sustentabilidade da democracia. É por isso que, a mim que me desgostam as revoluções, hoje me soa bem a palavra “romper”. 


 


Publicado originalmente aqui

8 comentários:

  1. Com o devido respeito "Mudar" soa melhor... A mudança de regime, a mudança de política económica, etc...

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  2. Asneira é, Branco a pôs13 de fevereiro de 2010 às 20:09

    Já o sr. Branco acha que importante é unir. Como Paulo Rangel falou de ruptura com o actual estado de coisas, vir falar de união em contraponto a ruptura é completamente incompreensível.

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  3. O sr, branco quer prepetuar o status quo ante do tacho, o ranger quer o tacho para si e afastar o sr. branco, etc...

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  4. O etc aplica-se evidentemente ao sr Coelho.

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  5. Caro Rés

    Ruptura, aplicado no texto de João Távora, para mim significa, quebrar definitivamente as amarras.

    Estamos acorrentados a interesses estrangeiros. Somos reféns das escolhas que outros há muito fizeram por nós, e nunca tivemos a audácia de rejeitar.

    Para nos libertarmos, e podermos estruturar o nosso próprio Futuro, temos que destruir o Polvo. Mas só seremos capazer de o fazer, depois de percebermos até onde se estenderam os seus braços.

    Terá que haver ruptura, sim!

    E teremos que começar por romper com a nossa própria complacência, que nos inibe de confrontar os culpados com a própria culpa!

    Teremos que romper com o silêncio, com a inércia, que carregamos há séculos.
    Porque o confronto é arriscado.
    Porque começar de novo, é trabalho para toda a vida.
    Porque reconstruir exige esforço.
    Exige dedicação.
    Exige sacrifícios.

    Exige coragem!

    Portugal Rés, não se muda.

    Ou deixamos que continue morto, sob a falsa Democracia.

    Ou se ressuscita.

    Não existe meio termo!

    Maria da Fonte

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  6. Isto digo eu, apartidário14 de fevereiro de 2010 às 11:53

    Tendo ontem a D. Manuela Ferreira Leite declarado que tinha atingido todos os objectivos a que se propusera, não vejo nenhuma necessidade de o PSD se pôr à procura de um novo líder.

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  7. Senhor João Távora, romper significa quebrar completamente as amarras com o sistema politico vigente em Portugal, na Europa, no mundo ocidental e ocidentalizado. Considera que realmente existem condições para tal acção.
    Esclareça-me por favor sobre um comentário, que fiz a um post seu sobre um artigo de Fernanda Cancio e que nunca vi colocado. Foi erro meu na submissão do mesmo ou não autorização sua.

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  8. Caro leitor: na verdade eu não li o comentário a que se refere, não passou pelo meu crivo. Acredito que, se o mesmo não continha quaisquer insultos ou insinuações menos próprias, se tenha perdido por alguma falha técnica. Do que costumo ler nos seus comentários, não tenho dúvidas que a causa tenha sido esta última.

    Cordeais saudações,

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