Mais que saber até quando aguenta José Sócrates, importa saber quanto mais resiste esta III república, cujas instituições se arrastam num deplorável estado de descrédito. O regime, qual múmia putrefacta e imortalizada por uma qualquer mezinha maligna, fantasmagoricamente prossegue o seu desígnio, pairando a maquinar e sustentar uma cada vez mais imensa e diversificada clientela. Aliás é interessante verificar como para lá dos seus anafados validos, hoje nos deparamos com uma curiosa plateia de opinadores que se entretém num animado jogo duplo: brada de repulsa pela corrupção e ineficácia das instituições, mas que assobia para o lado, encolhe-se ou incrimina de extremista qualquer acção ou discurso de ruptura, que aponte para a inevitabilidade duma mudança que ameace minimamente as viciadas estruturas ou comprometa as rendas garantidas por pouco esforço.
Perante esta proverbial desorientação e apatia, é notório que não se vislumbre um cidadão de mérito e de bem que arrisque pôr as mãos, e muito menos a cabeça, na impossível missão de desenterrar este País do atoleiro. De resto suspeito que a manutenção da insustentável administração Sócrates interessa principalmente aos seus putativos sucessores porquanto a deterioração deste ambiente lhes conferirá a médio prazo o estatuto redentor sem que se vejam forçados a reformar ou mexer em profundidade nos toscos alicerces deste regime falido e ineficaz. O pântano promove os repteis.
Finalmente, acredito que se torna urgente romper com o regime e as suas ancilosadas instituições: é prioritário reconstruir o inoperante edifício da justiça, é indispensável reformar o modo de eleição do parlamento concedendo-lhe mais crédito e dignidade, é vital cortar rente o peso do Estado na economia, é premente acabar com o ensino que não ensina e despreza o mérito em nome da igualdade, é preciso rever o modelo de chefia de Estado, que emerge, se sustenta e definha da mais mesquinha intriga política em detrimento do seu livre arbítrio e simbologia unificadora. Tudo isto em louvor da liberdade, em prol da independência nacional e da sustentabilidade da democracia. É por isso que, a mim que me desgostam as revoluções, hoje me soa bem a palavra “romper”.
Publicado originalmente aqui
Com o devido respeito "Mudar" soa melhor... A mudança de regime, a mudança de política económica, etc...
ResponderEliminarJá o sr. Branco acha que importante é unir. Como Paulo Rangel falou de ruptura com o actual estado de coisas, vir falar de união em contraponto a ruptura é completamente incompreensível.
ResponderEliminarO sr, branco quer prepetuar o status quo ante do tacho, o ranger quer o tacho para si e afastar o sr. branco, etc...
ResponderEliminarO etc aplica-se evidentemente ao sr Coelho.
ResponderEliminarCaro Rés
ResponderEliminarRuptura, aplicado no texto de João Távora, para mim significa, quebrar definitivamente as amarras.
Estamos acorrentados a interesses estrangeiros. Somos reféns das escolhas que outros há muito fizeram por nós, e nunca tivemos a audácia de rejeitar.
Para nos libertarmos, e podermos estruturar o nosso próprio Futuro, temos que destruir o Polvo. Mas só seremos capazer de o fazer, depois de percebermos até onde se estenderam os seus braços.
Terá que haver ruptura, sim!
E teremos que começar por romper com a nossa própria complacência, que nos inibe de confrontar os culpados com a própria culpa!
Teremos que romper com o silêncio, com a inércia, que carregamos há séculos.
Porque o confronto é arriscado.
Porque começar de novo, é trabalho para toda a vida.
Porque reconstruir exige esforço.
Exige dedicação.
Exige sacrifícios.
Exige coragem!
Portugal Rés, não se muda.
Ou deixamos que continue morto, sob a falsa Democracia.
Ou se ressuscita.
Não existe meio termo!
Maria da Fonte
Tendo ontem a D. Manuela Ferreira Leite declarado que tinha atingido todos os objectivos a que se propusera, não vejo nenhuma necessidade de o PSD se pôr à procura de um novo líder.
ResponderEliminarSenhor João Távora, romper significa quebrar completamente as amarras com o sistema politico vigente em Portugal, na Europa, no mundo ocidental e ocidentalizado. Considera que realmente existem condições para tal acção.
ResponderEliminarEsclareça-me por favor sobre um comentário, que fiz a um post seu sobre um artigo de Fernanda Cancio e que nunca vi colocado. Foi erro meu na submissão do mesmo ou não autorização sua.
Caro leitor: na verdade eu não li o comentário a que se refere, não passou pelo meu crivo. Acredito que, se o mesmo não continha quaisquer insultos ou insinuações menos próprias, se tenha perdido por alguma falha técnica. Do que costumo ler nos seus comentários, não tenho dúvidas que a causa tenha sido esta última.
ResponderEliminarCordeais saudações,