domingo, 21 de fevereiro de 2010

É assim a vida no pântano

 


Se por causa da tragédia da Madeira é admissível o pouco destaque dado à manifestação Pela Família e pelo Casamento*, que levou ontem milhares de portugueses a descer a Avenida da Liberdade, pela generalidade da comunicação social e em particular pelos jornais diários de hoje, parece-me simplesmente infame a concepção da peça publicada no Público onde, às páginas tantas, o (pouco) relevo dado ao evento se resumiu quase à troca de provocações entre um insignificante grupelho de extrema direita que seguia no final do cortejo e duas dezenas de patuscos junto ao cinema S. Jorge. Afinal, relatar os factos em função dum preconceito e para o justificar, trata-se duma tremenda desonestidade, uma transgressão seriamente comprometedora do livre arbítrio do leitor que é usual e impunemente levada à pratica pela generalidade dos jornalistas nas questões fracturantes "da moda". Nada de estranhar afinal quando se verifica como a mentira vem sendo um artificio tão vulgarizado, a começar pelos mais altos dignitários dos órgãos de soberania. Afinal, neste pântano todos os répteis tem o seu papel. 


 


O link escolhido exibe a notícia do Diário de Notícias, ironicamente a mais isenta que encontrei. 


 


 

6 comentários:

  1. Patuscos? na minha terra chamamos-lhes outra coisa...
    O Rohm é que deve andar às voltas no inferno ao ver lá também os sucessores das usas S.A.

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  2. Já El-Rei D. Carlos dizia que a opinião pública não é a opinião que se publica.
    Mas não há dúvida de que os opinion-makers existem, são, ou tentam ser, perigosos e, por vezes, além de lançar a confusão, conseguem os seus intentos.
    Tornam-se capazes de conformar a tal opinião pública.

    Muitos eram - e continuam a ser - os que se preocupam com - às vezes apenas - pequenas alfinetadas.
    Eça de Queiroz, por exemplo, não gostava que determinados lapsos ficassem por esclarecer. Com a vantagem acrescida de lançar a sua ironia sobre o autor da confusão e proporcionar uns momentos de boa disposição aos leitores.
    Como nesta sua carta ao Director do Jornal «A Provincia» (in Últimas Páginas Dispersas):

    (...) encontro (...) uma anedota literária, em que eu apareço, por ocasião da primeira representação do Drama do Povo, de Pinheiro Chagas, sentado na plateia do D. Maria, entre o meu amigo Ramalho Ortigão e o meu amigo Guerra Junqueiro, chacoteando furiosamente a peça e indo, nos intervalos, apertar com efusão as mãos ambas do autor!
    Sem me referir à divertida falta de coerência moral que me atribui o seu correspondente (...) - devo declarar a você para que esses factos vão bem apurados, se tiverem de passar à história, que eu não assisti à primeira representação, nem assisti, jamais, infelizmente, a nenhuma representação do Drama do Povo.
    Lembro pois a você a justiça de fazer rectificar essas risadas que eu não dei, num sítio em que eu não estava, com um drama que eu nunca vi».

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  3. Para um tema tão importante na delimitação das necessárias fronteiras comportamentais e estruturantes da sociedade, com o meu aplauso para os presentes, considero que a participação nesta manifestação esteve muito, muito longe, daquilo que eu pensava poder ser possível. Com mais este exemplo de relativa indiferença, quanto à necessidade de mobilização da sociedade civil, perante um gravíssimo problema que afecta a estrutura familiar base, sustentáculo tradicional da sociedade ocidental, todos os que estiveram em "espírito" com a manifestação, apenas deram alento aos que pretendem destruir a harmonia familiar milenar, em continuarem alegremente com a sua tenebrosa missão.

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  4. João não posso estar mais de acordo

    Já agora, se tiver interesse leia o que escrevi:

    http://mariateixeiraalves.blogspot.com/2010/02/manifestacao-da-familia-em-defesa-do.html

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  5. O Público desde que saiu o JMF não existe. Agora só agendas fracturantes.

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  6. Infelizmente sou forçado a concordar consigo: também esperava mais mobilização. Mas está frio e as pessoas não se estão para chatear...

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