segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Ateísmo: uma (des) crença respeitável

Parece-me extraordinário que haja quem desperdice tanto latim e energia em construções teóricas com o intuito de destruir, desmontar a crença alheia, numa suspeita ânsia de libertar "os alienados", afinal uma verdadeira atitude totalitária e maniqueísta como se o mundo se definisse em função de certo e errado.


Recuso-me a enveredar por exercícios de retórica e de psicologia barata sobre tal disputa, apenas afirmar que me é difícil entender de onde provém a pretensa superioridade moral dum ateu: afinal o ateísmo constitui uma crença tão intima e subjectiva como qualquer outra. Sem menosprezar o raciocínio e argumentos que o conduzem às suas convicções, há muitos anos que percebi que, no campo das questões de fé, em nome duma salutar convivência e do respeito pelo outro, o mais sensato é não aprofundar a controvérsia pois isso não leva a lado nenhum. Só assim é que é possível um convívio pacífico e até conquistar uma despreconceituosa amizade. Claro que ao fim do dia, nas minhas intimas cogitações, questiono-me  e alimento o secreto desejo que muitas dessas pessoas, principalmente as que me são mais chegadas, venham um dia obter a Graça duma revelação fecunda e redentora como a que me foi dada.


De resto é-me absolutamente indiferente se o meu patrão, médico ou primeiro-ministro é católico agnóstico ou ateu, se para o seu cargo for devidamente competente... e não o utilizar para ostracisar ou afrontar a minha comunidade. E por favor, não se armem agora em vítimas.

2 comentários:

  1. Podiam ter avisado que ia dar ao "parvalhar"...
    Robespierre considerava o ateísmo o maior inimigo do Estado, porque os ateus não tinham valores morais, hoje ataca-se a Igreja com referências a autores duvidosos (Nietzsche).

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  2. Caro João Távora

    Suponho que as Jugulares sejam capazes de fazer melhor.

    Ou não?!

    É que o texto é de uma ignorância, confrangedora, e como se isso não fosse suficiente, ainda revela um conceito completamente ultrapassado, que é a associação do Judaísmo ao Cristianismo.

    Mas que coisa!

    Será que já não se estuda Filosofia, nem se debatem as Grandes Dúvidas da Existência, que nos conduzem ás Religiões?

    É que sinceramente, vir evocar a hipotética castração do pensamento, pela Religião, é patético, já que é precisamente o inverso!

    Maria da Fonte

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