quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Do preconceito à realidade

Não conheço o género, não sei a quem se dirige ou a quem se refere o António Leite Matos neste seu azedo trecho "à João Gonçalves" (enganou-me bem!). Confesso que não costumo encontrar ninguém de “perna cruzada” nas igrejas que frequento, a não ser algum dos meus filhos uns segundos antes de levar um safanão para se por em ordem e com atenção. 


De resto pergunto-me se, para embirrarmos uns com os outros, já não bastam as escolhas e convicções políticas mais ou menos profundas com que acicatamos uns aos outros. Nesse contexto qual será a importância real dos tiques e vernizes com que costumamos revestir a nossa precária condição?


Tempos perigosos houve neste país de revolucionários, em que era prudente disfarçar um nome sonante e era precavida uma pose “vulgar”. Hoje não é tanto assim, mas em vez disso vigora uma incómoda tendência de uniformização estética, simplista e segmentada por idades ou "públicos alvos". Esse igualitarismo que serve as oligarquias,  de pouco serve as pessoas: a desconcertante diversidade, a história, a complexidade esconde-se no interior do individuo e jamais deveria constituir uma ameaça para ninguém. Isto, caríssimo António é o que descobrimos para lá dos livros e dos gabinetes, para além das nossas convenientes muralhas e complexos sociais. De resto já o disse aqui uma vez: parece-me que os preconceitos só nos impedem de ver mais longe, de sermos mais livres. A verdadeira erudição nunca é preconceituosa. 


 


Nota: também não percebo o que faz uma fotografia de Sofia Loren de vestido de festa a ilustrar o post (o que confirma que o problema só pode ser meu).


 

5 comentários:

  1. o texto não é do João Gonçalves

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  2. Eu diria que os complexos sociais criam os preconceitos. Na base de tudo a inveja, principalmente quando as pessoas se apercebem que há coisas que o dinheiro não consegue mesmo comprar.
    O resultado é, mesmo agindo com toda a naturalidade, estar-se sujeito a, digamos assim, alguma incompreensão ou conclusões precipitadas...

    É a velha história do monárquico=nobre...

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  3. João: o ALM "enganou-te bem" espero que no bom sentido, i. e., porque escreve bem. Eh eh. Abraço.

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  4. Fiz confusão... e nem sabe sabe o João da missa a metade! :-)
    Abraço!

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  5. Depois, há sempre o ridiculo:
    A senhora, muito bem posta nos seus saltos altos, cumprimentando toda a «gente conhecida»
    Traz o menino Salvador consigo
    _ oh Salvador, o menino já cumprimentou a tia...?»

    E a missa decorre. Longa. Salvador está inquieto.

    A páginas tantas, Salvador- irrequieto . entra na asneira. E a madame, sua mãe:
    - Salvador, não sejas badalhoco!

    Antes, um momentâneo disturbio abdominal do menino, levara-a a dizer:
    - Salvador, ao menos peça «com l'cença»,

    Moral da históri: os circunstantes estavam desejosos que a missa acabasse...

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