sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quadraturas

Sou daqueles que escutam e lêem com atenção o Pacheco Pereira, porque lhe reconheço um pensamento invulgarmente inteligente. Além disso, longe de concordar com tudo o que ele diz, reconheço-lhe o mérito de protagonizar há muitos anos, actualmente em conjunto com António Lobo Xavier e António Costa, o grande clássico dos debates políticos da Comunicação Social, a Quadratura do Circulo. Parece-me que a chave do sucesso deste programa de Carlos Andrade, nascido na TSF dos anos 90, sempre foi a heterodoxia e a liberdade, constatadas numa linguagem liberta do marketing partidário, simplista e oficial.


De resto, contrariamente ao que proclama o nosso Pedro Correia, considero que o público tem uma grande vantagem quando escuta a prédica de Pacheco Pereira: ao contrário de muitos dos habituais comentaristas da rádio e televisões, quase sempre jornalistas no activo ou em licença,  todos lhe conhecemos os interesses e agenda.


Por mim, ainda sonho com o dia em que os órgãos de Comunicação Social, em prol duma oxigenação e desinfestação ambiental, declarem o seu engajamento politico-partidário.  Como se faz nas democracias mais avançadas.

8 comentários:

  1. Totalmente de acordo, com o último parágrafo.

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  2. Tem toda a razão, João. A independência político-partidária em gente que acompanha a política de perto não existe. Se não há enfeudações, há, pelo menos, simpatias. E a maior hipocrisia é tentar ganhar, sobre os outros, ascendente moral e «opinativo» por via dessa pretensa independência (e objectividade).

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  3. João: Pacheco candidato e comentador em simultâneo da campanha em que se candidata é um claro sinal de 'oxigenação'. Rendi-me aos teus argumentos. Abaixo a asfixia democrática.

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  4. Um voto no PSD = 25€. Assistir a Pacheco Pereira afirmar na Sic-Noticias que o Presidente Cavaco não deveria viabilizar um Governo PS/BE =Priceless! No "mercado eleitoral" do PSD os votos à esquerda parecem não valer sequer uns míseros cêntimos...

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  5. Pedro, JPP tem a vantagem da clareza: todos sabemos de que lado ele está, de quem gosta e porquê, de quem não gosta e porquê, e essa clareza é uma vantagem inegável. A independência do seu pensamento não o obriga a renegar a sua filiação. O ar assim é mais "oxigenado", pois sabemos sem equívocos nem duplicidades "ao que vêm" os comentadores. Creio que nunca deixamos de ouvir uma boa argumentação só porque vem de alguém com filiações/simpatias partidárias diferentes.
    Joana

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  6. Só discordará de si, Joana, quem deliberadamente ignora que a transparência é condição essencial da liberdade.

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  7. O meu problema com o Pacheco Pereira é nunca perceber quando fala como candidato e quando fala como comentador, Joana. A "clareza" dele, para mim, é demasiado nebulosa.

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  8. Daqueles que escuto e leio, eu também sou um.

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