
Em baixo transcrevo o texto da página do jornal O Século de 30 de Setembro de 1974 aqui reproduzida.
Numerosos fascistas presos
Na noite de sexta-feira forças do Movimento das Forças Armadas procederam à prisão de numerosos fascistas envolvidos na tenebrosa conspiração que pretendia roubar a liberdade ao povo português.
Alguns dos indivíduos presos são figuras conhecidas do regime fascista. Outros são meros homens de mão do bas-fond lisboeta.
A lista divulgada pelo Governo Provisório é a seguinte:
General Kaulza de Arriaga, brigadeiro Remígio, coronel António Pereira Santana, major Bordalo, alferes miliciano João Pedro da Fonseca, furriel miliciano Bettencourt Correia e Ávila, soldado recruta Pedro José Mendes de Aragão Teixeira, coronel Abílio de Oliveira Ferro, capitão António Ernesto Ferreira, coronel José Luís de Almeida Azeredo, coronel Rui Vasques de Mendonça, capitão FAP Henrique Augusto Tomé, capitão Armando Martins de Araújo, coronel de Art. Res. Napoleão Pita Vieira de Amorim, capitão Res. António Manuel Campos.
Entre os civis:
Dr. Silva Cunha, Artur Agostinho, José Carlos Botelho Moniz, dr. Brás Monteiro, Zoio (conde de Pavulo), dr. César Moreira Baptista, Manuel Maria Múrias, Bernardo Mendes (conde de Caria), dr. Franco Nogueira, Diogo Francisco de Melo e Faro Maldonado Passanha, Manuel Joaquim Gil Botto, Elmano Alves, José Tuñon Correia, Álvaro Castelo Branco Pimenta da Gama, Fernando João Andressen Guimarães, Fernando de Pina Ferreira Isasca, Raul dos Santos Fernandes, Alcides Silva Albino Pereira, Álvaro de Leite Antas, Artur Mário Galego Álvarez, Walter Cândido Ventura, Fernando Maria José Araújo Bobone, Luís Manuel Caldeira Castelo Branco Cordovil, José Manuel do Casal Ribeiro Tavares, Hélio Grevy Pereira, Carlos Isidoro Miranda Pessoa, Orlando Canavarro de Almeida, José Luís Assis Posser de Andrade, Margarida Maria Mendes de Aragão Teixeira, João Pedro Mendes de Aragão Teixeira, Jorge Jeremias da Silva, Bernardino da Silva Santos, Nuno José Serra Alves Caetano, António Júlio Pereira de Séves Oliveira Alves Martins, Deocleciano Ferreira da Silva Pinto, José Miguel Granadeiro Carvalho Cerqueira, Florentino Goulart Nogueira, José Manuel Marques dos Santos Costa, Luís Filipe Moura de Oliveira, Carlos Alberto de Moura Figueiredo, Reginard Benvindo de Paiva Frazão, Rogério Figueirôa Rego, José Horácio de Sousa, Maria Júlia Loureiro Rebelo Jardim, José Joaquim Henrique Manuel Nogueira Nunes, Carlos Alberto dos Santos Neves, José Luís Pechirra, Vasco Perdigão Pimentel Alpoim, António Alberto Castelo Branco Nogueira, Abel Simões Vergílio, dr. Daniel Martins P. de M. Veloso Ferreira, Domingos Moreira, João Augusto de Almeida, dr. João de Carmo Correia Botelho, Telmo Rui Vaz da Fonseca, Fernando Elias Pimenta de Sousa, Francisco António Gonçalves, José António Saldanha Sousa Meneses, José Pedro de Brito Fortes, António Geraldes.
Cerca do meio-dia, setenta detidos foram transportados em camiões e viaturas militares do quartel do Regimento de Artilharia Ligeira 1 para Caxias. Fala-se de elevado número de prisões no Porto.
Esta noite, a CDE de Lisboa informou-nos que se haviam verificado dezenas de prisões. Entre os detidos, contam-se o coronel Ferro, administrador da CIDLA.
Em Portalegre, ainda de acordo com a informação da CDE, verificaram-se pelo menos três prisões: o professor Barrocas (ex-pide), um indivíduo de nome Morgadinho e o capitão Liberato (ambos ex-legionários). Também em Cascais, depois de um numeroso grupo de fascistas ter agredido e insultado activistas da CDE que procediam à colagem de cartazes contra a reacção, foram detidas duas pessoas: João Ortigão Ramos e António Carvalho Maia. Este último tem uma avioneta. Lembremo-nos que a «silenciosa» divulgou os seus intentos públicos através do lançamento de panfletos de avionetas.
BUSCAS NO SHERATON E NO TIVOLI
Operações de busca foram ontem levadas a efeito pelas tropas do COPCON, nos hotéis Sheraton e Tivoli, na sequência da movimentação tendente a fazer abortar a tentativa fascista. Por volta das 15 horas, militares acorreram ao Sheraton, respondendo à solicitação da gerência do hotel. Esta tinha estranhado o comportamento de três indivíduos que ali dormiram na noite de sábado para domingo.
Estes indivíduos abandonaram o hotel por volta das três da madrugada, sem pagarem a conta, deixando uma mala vazia. Os quartos haviam sido alugados pelo arquitecto Almeida Araújo, editor dos cartazes «Comunismo igual a fascismo», pelo coronel António de Figueiredo e por uma senhora.
A gerência do Sheraton chamou as Forças Armadas por recear que tivesse sido colocada uma bomba no hotel.
No Tivoli, as forças do COPCON procuraram estrangeiros. Nomeadamente, um chileno, suposto agente da C. I. A., Garcia Benedite Hernandez, e um angolano, Lino Alves de Oliveira Pinto.
Entre as 18 e as 19 horas, as Forças Armadas procederam a buscas no Hotel Tivoli. Segundo o recepcionista daquele hotel, terão sido presos três indivíduos.
Um oficial do Exército à saída do hotel, declarou: «Vínhamos buscar uma grande ave, mas escapou-se. No entanto, não faz mal, porque apanhámos três "chilenos".»
«Da C. I. A.?» — perguntou o repórter.
«Evidentemente», respondeu o oficial.
em Santarém na EPC:
ResponderEliminaro major Tomé era conhecido por ''Nazi'' e dizia-se que namorava a filha do coronel ex-dirigente da Pide.
o alferes S. Maia era o mais básico dos oficiais. nem sei como chegou a Lisboa.
só tropa fandanga.
Vivemos durante 50 anos sob uma ditadura, de partido único, com uma polícia política, censura, prisão e tortura dos opositores, quando não assassinados, tempos de miséria material e moral, onde a corrupção era a única coisa democratizada, e com uma escola que tinha por valor pedagógico a dilação e a exclusão (afora a virtuosa Mocidade Portuguesa). Guerra não havia, Portugal limitava-se a manter a ordem pública em África. Evangelizava os africanos, construía estradas, abrilhantava as cidades, não extraía lucros, não existia exploração colonial, racismo nem pensar, tão pouco criados no limiar da escravatura.
ResponderEliminarA revolução foi branda, poupou os criminosos responsáveis pelo iníquo regime montado por Salazar sob inspiração fascista. Esse é o saldo. Se é que há inferno, os “anjinhos” do 28 de setembro estarão lá todos reunidos.
P.S. Um dos nomes referidos, Artur Agostinho, na entrevista a um herói africano ao serviço de Portugal (Marcelino da Mata?) perguntava-lhe se, no hotel onde ficara em Lisboa, era o elevador que seguia para cima ou o edifício que andava para baixo. Exemplar.
Estranhamente esqueceu-se dos mais de 1 milhões de mortos em Àfrica por causa também da ideologia de muitas pessoas que fizeram o 25 de Abril. Mais de Timor. Sim foi a Indonesia, não fosse e teria sido os Marxistas Timorenses a fazerem a sua Revolução Cultural e primeiro alvo seria logo contra a Igreja Católica.
ResponderEliminarO que mais impressiona no seu tipo de pensamento é como o que aconteceu aos portugueses africanos pós 25 de Abril e por causa de boa parte das pessoas que o fizeram não conta para nada.
Mas ainda mais curioso é o aparente pensamento nacionalista subjacente.
>>> sou contra livros obrigatórios nas escolas. Para se optar por um menosprezam se muitos e muitos outros o que não é nada razoável.hmm !?
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