Carlos Sousa é um militante que faz comentários pensando que o facto de repetir o que diz tem algum efeito, mesmo que não tenha qualquer aderência à realidade, sendo por isso uma boa ilustração da cegueira militante da esquerda (embora este tipo de cegueira esteja longe de se circunscrever à esquerda, o que a torna tóxica para a esquerda é ela ser dominante e a trave mestra da sua intervenção pública).
O seu comentário sobre um dos últimos posts que escrevi é, por isso, muito interessante para uma aula prática de alienação política.
"Realmente..."não vi, não ouvi, mas tenho uma opinião vincada sobre o que me contaram". Adoro."
A sistemática desqualificação do outro como princípio, neste caso, usando a velha técnica da deturpação da discussão que está em curso. Escrevi que não vi, nem ouvi, o debate entre Pacheco Pereira e André Ventura, mas que tenho lido coisas sobre esse debate. Numa dessas coisas tropecei numa frase que serviu de mote a um post meu. Nesse post, não escrevi uma linha sobre o dito debate, apenas sobre a frase concreta, mas isso não impede a intervenção militantemente terrorista de torcer as coisas para desfazer quem pensa de maneira diferente. Camaradas, este tipo de comportamento não tem nenhuma eficácia, tenho a informar-vos que a generalidade das pessoas tem o mesmo nível de inteligência e capacidade de todos nós, e portanto formula as suas opiniões com base nos seus critérios, e andar a repetir coisas sem nexo não tem nenhum efeito na formação da opinião de terceiros, é tempo perdido, meus caros.
"E o conceito de "ditadura relativamente branda", então é de um humanismo comovente."
Apesar da clareza do que escrevi sobre a ilegitimidade de todas as ditaduras, de referir a censura, a perseguição, a tortura e o assassinato de adversários como inerentes a todas as ditaduras, a que ainda acrescentei o "relativamente" para deixar claro que é apenas no sentido da comparação com outras ditaduras mais ferozes que se pode qualificar diferentes ditaduras como "relativamente brandas", o essencial é torcer o argumento para evitar a sua discussão. Carlos Sousa poderia comparar as práticas de outras ditaduras e o Estado Novo para demonstrar que o meu argumento sobre a sua relativa brandura (de que em parte resulta a sua longevidade e a quase ausência de violência popular contra o poder durante décadas, veja-se como a teocracia iraniana dura mais tempo, mas com violência de massas episódica, ou como a ditadura chinesa dura ainda mais, mas com purgas extensas regulares), mas como essa comparação reforçaria o argumento que o incomoda, a solução é torcer, torcer, torcer, até poder fazer uma afirmação idiota sobre um suposto "humanismo comovente" que nunca esteve em causa.
"Com que então o "período de maior crescimento dos últimos 200 anos". Estávamos a crescer tanto que metade da população decidiu emigrar em massa dentro de malas de cartão só para dar oportunidade aos outros de terem mais espaço."
O argumento clássico, sobre o qual eu já escrevi dezenas de vezes, o que é o menos, mas sobre o qual existe abundante investigação científica que a esquerda mais fossilizada se recusa a aceitar no espaço público (embora hoje seja consensual no espaço relativamente restrito e elitista da academia). O deturpação é possível omitindo o ponto de partida, e não contrapondo a uma evolução (o período de maior crescimento dos últimos 200 anos) uma evolução alternativa (as pessoas ficaram mais pobres) mas contrapondo uma evolução a um facto escolhido a dedo (metade da população decidiu emigrar) e, de maneira geral, já que se está no campo da manipulação, manifestamente exagerado. Terão emigrado um milhão a um milhão e meio de portugueses para fora do país (nunca passando de um quinto da população, longe, portanto, da metade retórica usada), a que se somam muito outros que migraram do campo para as cidades (num movimento tardio que tinha acontecido em todo o Ocidente mais desenvolvido desde a revolução industrial, acentuando-se com a generalização dos adubos de síntese, nas primeiras décadas do século XX) e alguns para as colónias, deixando o campo com muito menos gente (aí sim, podemos falar de diminuições de 50% da população do campo, mas que é preciso entender, por exemplo, sabendo que todos os concelhos alentejanos duplicaram, alguns triplicaram, a sua população nas primeiras décadas do século XX). O resultado final é uma diminuição da população na ordem das 300 mil pessoas (entre 2011 e 2021, houve uma diminuição de 200 mil pessoas na população portuguesa, só enquadrar e contextualizar os números), o que significa que o tal milhão a milhão e meio que migrou foi em grande parte compensado com um saldo interno que reflecte uma evidente melhoria social, começando por uma forte diminuição da mortalidade infantil e acabando numa grande criação de emprego).
"Éramos mesmo o país mais rico do mundo, desde que não contassem com o saneamento básico, a mortalidade infantil ou o facto de ler um livro ser considerado um desporto de alto risco."
Cá estamos no corolário dos disparates sem nexo que a esquerda usa para tentar manter uma história alternativa que a ilibe dos seus erros de governação do país. O saneamento básico progrediu (não tanto quanto a progressão depois do 25 de Abril, nos censos de 1970, apenas 53% das habitações tinham água e 40% tinham esgotos, mas vindo de uma situação verdadeiramente desastrosa na primeira metade do século XX), a mortalidade infantil estava em queda acentuada há muitos anos (passou dos cerca de 20% de mortalidade antes dos cinco anos, em 1900, para os 3,9% em 1974, ver aqui) e afirmação de que ler um livro era um desporto de alto risco é simplesmente estúpida, não tem outra qualificação.
"É claro que a esquerda manipula. Toda a gente sabe que a liberdade, a democracia e o fim da guerra colonial foram apenas um golpe de marketing para os gajos do PCP poderem vender bonés."
Q.E.D.
"E é verdade que o 25 de Abril trouxe "erros e má gestão". Parece que antes do 25 de Abril não havia erros, se calhar porque não havia ninguém autorizado a apontá-los sem acabar com os dentes no chão de uma sala de interrogatórios. É muito fácil não ter má gestão quando o relatório de contas é escrito pelo gajo que manda prender o auditor."
Bastaria a Carlos Sousa ir ler os censos oficiais sobre a habitação (o primeiro é de 1970), para ter uma ideia da dimensão do disparate que está a escrever, mas para isso seria necessário que Carlos Sousa quisesse realmente aprender, o que me parece estar completamente fora de causa, Carlos Sousa é um exemplo perfeito da cegueira voluntária que impede a esquerda de actuar sobre a realidade, porque se recusa a olhar para ela.
"Sim, estamos a "cair, caindo". Mas olha, ao menos agora podemos escolher quem nos empurra, em vez de termos um "avôzinho" de Santa Comba Dão a escolher por nós."
Q.E.D.
"De toda a maneira parabéns pelo texto. Acho que está ao nível de um folheto turístico da Coreia do Norte escrito por um estagiário da Fox News."
Bingo! Um mané que se recusa a discutir factos, acaba quase sempre desta forma, acusando os outros, que apresentam factos e discutem a partir deles, de não verem um boi.
E, também por isto, a esquerda continua a cair, cair, cair, como disse anteriormente.
A Esquerda continuará a sua triunfal marcha para o fundo, enquanto não se convencer que uns tiques, a dar um tom de Direita, uns arremedos a puxar á Esquerda, não vão enganar seja quem for.
ResponderEliminarAinda vão a tempo, mas se insistirem em parecer que tudo está na maior, arriscam que o tempo vá ficando cada vez mais curto
E um dia já não irão a tempo
ResponderEliminara generalidade das pessoas tem o mesmo nível de inteligência e capacidade de todos nós
Quer dizer que todos nós somos igualmente inteligentes?
Que eu saiba, há substanciais diferenças entre os níveis intelectuais de diferentes seres humanos!
ResponderEliminara teocracia iraniana dura mais tempo, mas com violência de massas episódica
Sim, mas essa violência não se deve a o regime ser ditatorial ou teocrático, deve-se sim à sua má gestão económica, ou a dificuldades económicas que o país atravessa devido a manobras externas.
(No caso mais recente, é hoje sabido, por uma investigação salvo erro do New York Times, que a divisa iraniana foi vítima de uma operação concertada de short-selling que conduziu à sua desvalorização abrupta, o que provoou uma queba súbita do poder de compra dos iranianos.)
O henrique é mesmo militante do Chega e não tem problema em apoiar, as medidas que o supremo líder ventura, lhe impinge: 220000 euros, anuais, de salário base, para oficiais de justiça; 150000 euros, de salário base (mais, valor até 9 milhões de euros! por horas extra), para forças policiais; redução de 99,99999999999% dos impostos, e taxas; Fim do SNS, com seguros privados a, poderem, lucrar 700000 milhões de euros, anuais, pagando 500 euros, de impostos, e taxas; banca poder ter 10000000 milhões, de lucros, pagando 400 euros, de impostos, e taxas.
ResponderEliminarE não faz a pergunta básica: Onde vai arranjar 940000 milhões, anualmente, para pagar essas promessas. É com o PIB a subir 100000000000000000000000000%, para seremos mais lucrativos que Alemanha, e China, juntas? É acreditar que, os privados, vão doar 900000 milhões, dos lucros que obtiveram, para as contas públicas, de livre vontade? Já pensou nisso? É que 100% de quem vota Chega e IL (e 40%, dos que votam AD), nunca pensaram.
Já agora, também apoia os aumentos de 500%, nas penas, para vários crimes, ao mesmo tempo que reduz 90%, nas penas, para burlas e fraudes? É que o seu supremo líder, já prometeu salvar os 800 (serão, mais de, 1700), acusados de burlas informáticas, fraudes e fraudes fiscais, que tem sido apanhados. Ainda ontem, um casal, muito conhecido, na Maia, pelos patrocínios, ao Chega (e grande apoiante da candidatura AD, à câmara do Porto), foram detidos, por fuga fiscal, de 3,8 milhões de euros, com vendas, ilegais, de material furtado. A somar, à empresa de segurança privada, que presta serviços ao Chega, PSD, CDS e ganhou 6320 contratos públicos, para vários hospitais, centros de saúde e membros do governo, que se "esquecia" de pagar IRS, e Segurança social, de 8 milhões de horas extra, num valor de 800000 euros, que pode chegar a 7 milhões, podendo mesmo passar os 50 milhões, já que o volume de negócios foi de 320 milhões, em 2025.
Os eleitores, da direita, acreditam em terem PIB 10000000000000000000000000000% acima, do actual, ao mesmo tempo que podem pagar 99,9999999999% menos, nos impostos, e taxas, sem pensarem como é que é possível, esse milagre económico... ou porque não sabem, o básico, de matemática.
É um texto absolutamente comovente. A primeira coisa que me apetece fazer é ir a correr abraçar um agente da PIDE e pedir-lhe desculpa por lhe ter esfolado os nós dos dedos com os meus dentes na sede da António Maria Cardoso.
ResponderEliminar"ditadura relativamente branda". Adoro o "relativamente". O Tarrafal, aliás, não era um campo de concentração, era um retiro espiritual um bocado mais agreste. "Ah, morria-se de malária e tortura, sim, mas ao pé dos gulags soviéticos aquilo era quase um resort com tudo incluído".
"Calma, só fugiram um milhão e meio de portugueses a salto pela fronteira!". Uma minoria! Uma ninharia! Realmente, a malta a meter-se em carrinhas de caixa fechada para ir viver para os bidonvilles de Paris nos anos 60 não era malta a fugir da miséria extrema e da guerra, era só o Erasmus da altura. Iam trabalhar para as obras em França para dinamizar a Europa. A mortalidade infantil desceu. Glória! As pessoas começaram a morrer menos à nascença para poderem ir apanhar batatas aos 10 anos de idade com uma enxada nas mãos. Uma autêntica vitória do capital humano.
E o saneamento básico? Em 1970, 40% das casas tinham esgotos. Um luxo despudorado! Os outros 60% cagavam num balde ou no quintal, é certo, mas cagavam com uma dignidade imensa. É essa a poesia contabilística que a "esquerda fossilizada" teima em não entender.
Por acaso a censura não proibia livros, a censura era uma agência de curadoria literária. O coronel do lápis azul apenas cortava as páginas para poupar a vista à malta. Era ergonomia pura.
Mas pode continuar. A "abundante investigação científica" precisa de si para provar que levar com um cassetete da GNR nas costas era excelente para endireitar a postura.
E tudo isto, repare-se, a partir de um debate que o senhor não viu nem ouviu. Eu nem imagino a tese que escreveria se tivesse prestado atenção.
saudosismo da URSS e dos seus magníficos resultados sociais
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ResponderEliminarSubscrevo. Faz lembrar o constante chamar de nomes, ou és estatista, liberocas, marxista. Desqualifica o debate, mas acima de tudo que usa esta estratégia
ResponderEliminarquem escreveu isto só pode estar a compensar a inveja da superioridade intelectual e factual do interpelado
“O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída: de facto, cada um pensa estar tão bem provido dele, que até mesmo aqueles que são os mais difíceis de contentar em todas as outras coisas não têm de forma nenhuma o costume de desejarem mais do que o que têm. E nisto, não é verosímil que todos se enganem; mas antes, isso testemunha que o poder de bem julgar, e de distinguir o verdadeiro do falso que é aquilo a que se chama o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; da mesma forma que a diversidade das nossas opiniões não provém do facto de uns serem mais razoáveis do que outros, mas unicamente do facto de nós conduzirmos os nossos pensamentos por vias diversas, e de não considerarmos as mesmas coisas”
ResponderEliminarNão sou eu que digo, é o Descartes
Caro Carlos Sousa, muito obrigado pela demonstração de que os argumentos não lhe interessam, limita-se a repetir o que escreveu antes, sem perder um segundo a tentar, sequer, com os argumentos usados e com a informação neles contida
ResponderEliminarUi! Que algaraviada ó Manuel da Rocha, que algaraviada. Só posso recomendar mais tabaco na mistura ... está muito forte!
ResponderEliminarCarlitos pá. Estás de parabéns. Levaram a tua indigência intelectual e moral a sério. Se o Partido te mantém aqui de serviço a este blogue, deve ser porque não ter melhor. Que belo aterro sanitário aquilo se transformou.
ResponderEliminarMas olha, não esmoreças, ler as tuas maluquices é sempre uma risada ...
Isto é a gozar?
ResponderEliminarOs Zoroastras não têm os seus templos destruídos? os Baha'i nâo sâo perseguidos? os ateus e agnósticos iranianos Idem?
Ó Mariquinhas Sousa, fico genuinamente comovido com tanta atenção. É bom saber que a minha "indigência intelectual" tem um público tão fiel. É que para vires ao "aterro" chafurdar com tanta regularidade, deves ser de certeza o encarregado da lixeira.
ResponderEliminarMas pronto, se as minhas "maluquices" te fazem rir, o meu trabalho está feito: a caridade para com os trolls é, afinal, o meu maior desígnio moral.
Um abraço (com luvas, que isto de andar no aterro deixa a pele sensível).
Isso faz lembrar o único gajo do pelotão, que tinha o passo certo
ResponderEliminarui! Tanta espuma...
ResponderEliminarSempre a aqui para o considerar e reconhecer ... como um idiota chapado!
Contudo, o direito à parvoíce é sagrado. E como o Corta-fitas preza, e muito bem, esse direito, continue com os seus escritos para que os demais não esqueçam o nivel de indigência e desonestidade intelectual do PS em particular, e da esquerda geral.
Caro Carlos Souza 17:04 - 12:51
ResponderEliminarCreio que por alturas de 1965/70 a população residente em áreas "urbanas" andava pelos 35/40 por cento.
Pus urbanas entre ásperas porque muitas dessas áreas, nos arredores das cidades, estavam a encher-se de gente vinda das zonas rurais, e o saneamento e estruturas simplesmente não correspondiam
O que então existia, não tinha sido projectado para a ocupação que ocorreu, e que só viria as ser mitigado na fase seguinte
Quanto a Censura não me parece que Depois do 25ABR tenham sido publicadas Obras Fundamentais que a Censura antes tenha Proibido.
ResponderEliminarÁs vezes até mete pena ver a esquerdalhada com o cérebro completamente entupido. outras vezes até dá para rir. Neste caso, só dá mesmo pena de quem tenha de conviver com semelhante pessoa...Nem sabe o que diz, nem tem sequer consciência das tristes figuras que faz. Lá está: cérebros entupidos...não dá para mais
ResponderEliminarPor acaso percebo esse teu conceito do "direito à parvoíce". Nota-se que o exerces com uma dedicação quase religiosa, um verdadeiro sacerdócio da vacuidade. É que o problema de dar voz aos imbecis não é o que eles dizem, é a convicção com que acham que estão a dizer algo de novo."
ResponderEliminarMas continua a ler-me, por favor. O ódio é uma forma de atenção muito lisonjeira e eu adoro saber que as minhas palavras te provocam essa comichão no fígado. Se precisares de mais "escritos" para alimentar a tua sanha justiceira de teclado, passa por cá amanhã, se o autor do blog deixar, claro.
Muito bem, a exercer o direito à resposta.
ResponderEliminarFim de assunto, o vencedor do debate está encontrado.
Flawless victory.
Não gostei deste postal. Henrique Pereira dos Santos a responder a Carlos Sousa faz-me lembrar o Papa Leão XIV a responder a Trump.
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