Sendo verdade que o título remete para Rafaela Burd Relvas, isso é apenas porque passo a vida a tropeçar nos artigos que escreve sobre habitação.
A ideia de preço que me parece resultar do que leio nos seus artigos está muito generalizada, incluindo em grande parte do que a Comissão Europeia escreve em documentos sobre políticas de habitação.
Tanto quanto me parece, mas posso estar a interpretar mal, há um conjunto muito alargado de pessoas que acham que o preço é uma entidade abstracta definida por quem tem poder para o fazer.
Consequentemente, quando um produto ou serviço que acham essencial tem um preço que consideram excessivo para os objectivos sociais que definem (por exemplo, uma casa digna para todos os que precisam), entendem que bastará controlar o preço para que, por milagre, o produto ou serviço passe a estar acessível a toda a gente.
Esta receita já foi historicamente testada milhares de vezes e o resultado é sempre o mesmo: sempre que se estabelecem preços que não correspondem ao livre encontro da vontade dos compradores e vendedores, o produto ou serviço deixa de ser produzido, porque não há vendedores disponíveis para o produzir por esse preço, quando é mais baixo que o que pretendem os vendedores, ou se criam rendas injustificadas quando o preço é estabelecido acima do valor que os vendedores aceitariam para fornecer o bem ou serviço - nestes casos, para manter esses preços excessivamente altos, é necessário garantir que se impede a entrada de novos vendedores, ou que se esteja a falar de monopólios naturais.
Em mercados perfeitos, que só existem nos manuais de economia, o preço é apenas o resultado do encontro entre a vontade de comprar e a vontade de vender e o principal valor social do preço é ser um mecanismo muito eficientíssimo de transmissão de informação.
Quando se limita administrativamente um preço, o que se está a fazer é apenas usar um termómetro que não passa dos 37 graus, para evitar as maçadas que resultam do termómetro nos informar que temos febre.
Só a ideia de que o preço é uma entidade abstracta definida por quem tem poder é que pode levar alguém a discutir, vezes sem conta, se cada medida do mercado de habitação beneficia os inquilinos ou os proprietários, no pressuposto de que inquilinos e proprietários são entidades distintas, com interesses inconciliáveis e não parceiros de negócios, com interesses divergentes, sim, mas que se conciliam através do preço.
Uma baixa de impostos no sector da habitação pode ser apropriada por inquilinos ou por proprietários, mas num caso ou no outro, em princípio, uma baixa de impostos torna possível um encontro entre procura e oferta num patamar mais baixo que aquele que, para além dos intervenientes, ainda tem de acomodar o financiamento do Estado.
A baixa de impostos ser apropriável por inquilinos ou senhorios depende da relação de forças entre eles no momento da troca comercial: se há muitos inquilinos e poucas casas, o poder pende para os donos de casas, se há poucos inquilinos e muitas casas, o poder pende para os inquilinos, mas isso é razoavelmente independente no nível de impostos que se aplicam a essa transação.
E, já agora, se o poder estiver concentrado nos donos das casas, pressionando os preços para cima, então haverá mais pessoas a querer ter casas porque a sua disponibilização no mercado tem mais retorno.
O que não vale a pena é tentar gerir a complexidade do mercado com base num sistema de preços irrealista e rígido, porque o preço deixa de cumprir a sua função essencial: informar compradores e vendedores das condições de mercado em cada momento, permitindo que todos tomem as opções de alocação de recursos que melhor lhes servem.
ResponderEliminarTambém acho que os preços praticados são a mais límpida e clara expressão do chamado preço justo.
ResponderEliminarÉ abusivo falar de especulação, abuso de posição dominante e heresias deste género.
No imobiliário, toda a gente sabe, só existem anjinhos de asinhas brancas e passarinhos cor de rosa.
E música celestial, já me ia esquecendo
Desconfio que Rafaela B. Relvas escreve no jornal Público. Mas, tal, não justifica a invocação da lei da oferta e da procura como solução para resolver o problema da habitação
ResponderEliminarO Henrique, em vez de comentar os escritos abstratos de Burd Relvas, poderia comentar as medidas concretas que o Governo tomou, ou pretende tomar, com vista a limitar a especulação nos preços dos materiais de construção.
ResponderEliminarTambém acho que os preços praticados são a mais límpida e clara expressão do chamado preço justo.
ResponderEliminarConcordo. Chama-se lei da oferta e da procura
É abusivo falar de especulação, abuso de posição dominante e heresias deste género.
Subscrevo. Infelizmente os estatistas desprezam o mercado livre, e querem controlar tudo e todos
ResponderEliminarNão há problema da habitação. Isso é invenção socialista, apoiada pelo jornalismo. Problema havia no tempo das barracas e dos bairros de lata. Quantos que aqui protestam vivem sem tecto?
Há uma franja que não acede ao mercado de baixo custo, os marxistas de serviço podem sempre ir construir habitação de gama baixa, têm clientela garantida.
O HPS tem 101% de razão, no diagnóstico e na solução.
No Imobiliário, toda a gente sabe, só existem anjinhos de asinhas brancas e passarinhos cor de rosa
ResponderEliminarE música Celestial
Porque será que os Governos passam a vida a anunciar Intenções em vez de comunicarem Realizações ??
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ResponderEliminaros preços praticados são a mais límpida e clara expressão do chamado preço justo
São Tomás de Aquino, um dos pais da Igreja, considerava que o preço justo, sobre o qual escreveu longamente, era basicamente o custo da produção do bem ou produto.
Foi um precursor de Karl Marx, digamos assim.
os vários socialismos adoram, com o ''sucesso'' que se conhece desde a ''implosão'' da URSS, alterar a «LEI da OFERTA e da PROCURA»
ResponderEliminarcomeçam por vender caríssimo os terenos municipais destinados à construção e os seus sindicatos aumentam os custos da mão-de-obra.
a tv a poia.
os seus dirigentes estão em Bruxelas
ResponderEliminarCaro HPS
ResponderEliminarMas é evidente que o "Preço" é instituído por quem tem o poder de o fazer.
E tem uma outra coisa; É tudo menos abstrato.
Se acha que o Preço se forma pela cantada interação dos intervenientes.
Se pensa que as coisas acontecem num mudo de pequenos produtores, a la Adam Smith.
Se acha que há uma "mão oculta" que toca violinos, onde só há fadas e as bruxas não existem.
Então desejo-lhe as maiores felicidades.
Caro De cela.e.sela
ResponderEliminarO Socialismo falhou, parcialmente, na União Soviética, por razões que tiveram mais a ver com as pessoas e com o Regime, do que com o Socialismo propriamente dito.
De igual modo tem falhado experiências capitalistas (em África p.ex., ) sem que daí se possa extrair conclusões aplicadas ao Capitalismo em geral.
Qualquer um dos dois Sistemas tem virtudes e defeitos.
A China que chegou um pouco mais tarde "beneficiou" dos "ensinamentos" e tem estado a aplicar um mix de capitalismo/comunismo com grande sucesso
Tanto que estão em vias de acender ao nível de primeira potência económica e no aspecto científico a lógica diz que é só uma questão de tempo.
Haver habitação digna a que todos têm direito segundo a constituição não é muito diferente de todos os outros produtos e serviços necessários para a vida das pessoas e familias, se houver uma politica de solos adequada uma politica fiscal justa e uma justiça célere e real que defenda a propriedade privada, certamente não existiria crise de falta de habitação.
ResponderEliminarHavendo o bom senso de que nem todos podem viver nas cidades haveria também que desenvolver redes de transportes colectivos e vias de comunicação para zonas limítrofes ainda com pouca densidade populacional
O Estado como regulador (sem o colete socialista) a justiça a Iniciativa Privada e as Camaras Municipais são a chave para resolver o problema da habitação, o resto são tretas
Perdoe-me mas tem pouco ou nada a ver com "socialismos" (o PS e o PSD tem alternado na Governação e a Política de Fundo, especulação, aproveitamento golpista, etc., não muda por aí além).
ResponderEliminarA impressão que tenho é que a coisa tem mais a ver com Ordenamento do Território e levar a sério as regras dessa Disciplina
E já seria interessante se alguém num Futuro qualquer, fizesse um apanhado dos célebres "Planos Directores" e as transmutações que sofreram com os não menos célebres "Planos de Pormenor".
Anjos só no céu.
ResponderEliminarO imobiliário rege-se pelas leis do mercado. O preço justo é o que alguém esteja disposto a pagar.
Talvez a IA o ajudasse a explicar-se melhor. E não paga nada. É um produto marxista.
ResponderEliminarA IA marxista ??
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ResponderEliminarParece-me, ninguém terá dúvidas, em rotular a habitação de Bem Essencial de Primeira Necessidade.
Sendo assim pergunto se haverá algum mal que o Estado Priorize e Fomente a construção a custos controlados e acesso ás habitações para o maior número possível de agregados familiares e cidadãos ??
Os países em que o mercado livre funciona sem amarras do Estado não têm problemas de acesso à habitação. Por que será?
ResponderEliminarEstá a tornar-se
ResponderEliminarOs mecanismos de educação dos sistemas AI enquadram-se na narrativa marxista. Pode testar questionando o algoritmo sobre questões fracturantes, como habitação e alterações climáticas, caso não saiba fazer as perguntas certas do modo correcto, as respostas são em linha com a narrativa marxista dm vigor
Ora aqui está, finalmente neste blog, a opinião de um entendido em marxismo, corrijo, em narrativa marxista.
ResponderEliminarP. S. Posso estar enganado, mas tenho a impressão de que Marx não foi um meteorologista.