Um voto é uma decisão estritamente binária cuja efeito se materializa decisões concretas.
O voto é sempre de quem o entrega e só é útil para quem o recebe.
Sim, há aspectos simbólicos associados ao voto.
Por exemplo, nas presidenciais de 2006, Cavaco estava eleito, se não fosse à primeira volta, como foi (embora com menos de 51%), ganharia à segunda volta folgadamente, o que me permitiu votar na primeira volta estritamente por razões simbólicas, isto é, votar em Manuel Alegre por ser o voto que mais chateava Sócrates (que no ano anterior tinha tido a sua primeira maioria absoluta) e o candidato apoiado por Sócrates, Mário Soares.
Se houvesse segunda volta, voltaria à essência do voto, votando Cavaco, para produzir o efeito pretendido que era o de escolher Cavaco entre todos os candidatos que se apresentaram às eleições.
O meu voto em Manuel Alegre esgotou-se no próprio dia da eleição, ri-me que nem um perdido por Alegre ter ficado à frente de Soares apoiado por Sócrates, e fui (eu, mas também Alegre, Soares, Cavaco, Sócrates) à minha vida.
O facto do candidato apoiado pelo primeiro ministro Sócrates, acabado de ganhar uma maioria absoluta e ganhando as eleições seguintes em 2009, ter ficado em terceiro com um resultado humilhante de menos de 15% alterou alguma coisa a autoridade política de Sócrates? Claro que não, no dia seguinte essa votação terá merecido quilómetros de escrita e horas de conversa, mas os efeitos reais dessa votação estavam mortos.
Repetindo, vota-se para obter um efeito concreto, obtido esse efeito, os votos são lixo, não são capital político e essas coisas que levam pessoas inegavelmente inteligentes e talentosas, como Miguel Morgado, a dizer frases completamente ocas como a ideia que anda a vender de que com António José Seguro eleito, "o partido socialista vai ser reconstruído a partir de Belém".
Ninguém consegue explicar o que se quer dizer com este tipo de especulações, ninguém sabe o que é isso de reconstruir o partido socialista, ninguém percebe que interesse tem Seguro em contribuir para a reconstrução de um partido que o ostracizou, dominado por quem ainda há pouco tempo insistia em humilhar considerando-o um homem sem qualidades, e ninguém consegue ver como se operacionaliza a reconstrução de partidos a partir de Belém.
Houve alguns partidos construídos a partir de Belém, que deram péssimos resultados, e houve, especificamente um presidente (Mário Soares), que apoiou a reorganização da oposição ao governo a partir de Belém, mas um presidente odiado dentro do seu partido reconstruí-lo com as pessoas que o detestam e, pior, desprezam, não estou a ver como se faz.
Em qualquer caso, estamos a falar no normal processo político que parte do resultado concreto da eleição (Seguro como presidente, por exemplo), para o qual os votos do último Domingo, excepto na consequência prática de eleger o presidente, não interessam nada.
Tal como Manuel Alegre cometeu o erro de pensar que o milhão e cem mil votos que tinha obtido eram um grande capital político que lhe pertencia, desencadeando a partir dessa ficção um movimento político que deu com os burrinhos na água (já com o apoio do Partido Socialista, nas eleições presidenciais seguintes teve menos 300 mil votos), parece também haver quem queira, agora, usar o capital político que acham que o voto representa.
Desenganem-se, caros Almirante e Cotrim, os resultados que tiveram, um razoável, o do Almirante, outro muito bom, o de Cotrim, hoje, dois dias depois das eleições, não servem para rigorosamente nada, o magnífico resultado de Cotrim é magnificamente inútil, ou passava à segunda volta, ou não passava, não passou, é preciso ganhar outra vez cada um dos votos que se ganhou na eleição anterior, o que se faz daqui para a frente não é a partir de um resultado magnífico e inútil, mas a partir do zero.
O voto é uma coisa muito boa, mas é estritamente binário e, mais importante, completamente conjuntural, cada votante vota com base em razões que, na melhor das hipóteses, só ele sabe e, frequentemente, nem ele sabe definir muito bem.
O voto é binário? Pode explicar?
ResponderEliminar''Tó Zero'', ao contrário de Ventura, está habituado a perder.
ResponderEliminarnão tenciono votar. detesto que me indiquem ou imponham o que devo fazer. ''venha o Diabo e escolha''. estes inúteis falam do 'socialismo de distribuição', ainda não ouvi uma palavra sobre desenvolvimento económico, que considero trágico cómico.
confundem os 3 Poderes como se houvesse acumulação. Millor diria que ainda estamos na era do ''exercicutivo''.
não lixem mais este governo (não votei nele) que se esforça por nos tirar da M.... onde os Tó Zeros e restantes socialistas nos colocaram alegremente.
eleições em período carnavalesco.
Nada como termos como presidente o gajo que aprendeu com José Sócrates, em como falir um país e chamar a troika.
ResponderEliminarDepois de termos tido como presidente Marcelo Rebelo de Sousa um falhado no seu partido, e que os portugueses nunca quiseram, lá tínhamos que ter outros dois falhados que os Portugueses também nunca quiseram Marques Mendes e António Seguro.
Pena não ter sido Cotrim e Ventura, pois lá vamos ter que gramar com outro passa mole como o Marcelo, mas pelo menos esse não tem cara de dar 4 milhões a gêmeas brasileiras como seria com o Marques Mendes.
A condição, que classifica de M... "onde estamos" tem mais culpados para além dos Socialistas.
ResponderEliminarDesde logo os Portugueses, em conjunto, gastaram o que tinham e o que não tinham.
A Banca permitiu mais calote do que podia, as empresas endividaram-se que faz favor e no geral, o País viveu acima do que podia.
Sem querer branquear, parece justo reconhecer que a paternidade da coisa, vai muito para além dos Socialistas.
Se quer que lhe diga, e em minha opinião o fenómeno tem origem no Cavaquismo.
Eu sei que os adeptos sempre se apresentaram com asinhas brancas, e vestes a condizer, mas cheirava enxofre e descalabro desde o princípio.
ResponderEliminarEstava a pensar em decisões binárias quando dei de caras com uma esdrúxula;
ResponderEliminarParece que o Governo vai financiar um Programa de ajuda a Restaurantes em dificuldades.
Presumo que seja o liberalismo a funcionar.
Nada de interferências governamentais, excepto a massaroca quando as coisas estiverem más e fôr necessário apanhar os cacos.
Aliás já tinha acontecido na Banca.
Quem não perceber, pergunte ao Cotrim que ele é muito bom a explicar liberalismos.
ResponderEliminarNas eleições Legislativas o eleitorado em Portugal, vai para 50 anos, vota em partidos (um dos grupos de cidadãos que será responsável por destribuir o dinheiro que irá cobrar em impostos, taxas etc., tipo "pataca a mim, pataca a ti", sabemos).
Em eleições Presidências o eleitorado vota ou de forma prosaica por fé clubista ou de forma pragmatica por interesses vários. E pronto, lá vai fazendo a devida cruzinha a preceito, a preceito partidário.
O eleitorado em Portugal não está habituado a escolher um candidato nominalmente. Habituou-se a votar em partidos (o que óbviamente agrada imenso aos tais grupos de cidadãos).
Assim sendo nestas próximas 3 semanas provavelmente vai haver um aumento de incómodos estomacais pois sapos não são alimento de fácil digestão sobre tudo quando engolidos.
Desde o início da campanha e a consequente avalanche de sondagens e comentários a dizerem que quem fosse à segunda volta com Ventura seria o próximo Presidente da República, me questiono então porque raio de carga de água as pessoas votaram Ventura, sabendo que o seu voto não vale de nada?
ResponderEliminarNo meio de tantos analistas, ninguém analisa isto?
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ResponderEliminar"Stick it to the man", também chamado voto de protesto.
ResponderEliminarOs nossos bem aventurados dirigentes estão a fazer o que podem para o aumentar.
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