Menos de setecentos mil votos para o candidato apoiado por Montenegro é, evidentemente, uma derrota, e uma derrota pesada, mas é uma derrota de Pirro.
O poder em Portugal não está no Presidente, está nos governos e nas autarquias e é a partir desse facto que se pode dizer que Montenegro teve uma derrota de Pirro.
Há quem ache que a liderança da direita esteve em jogo nestas eleições, eu não entendo porquê.
Ventura teve um bom resultado, mais ou menos igual aos resultados que vem tendo em 2024, 2025 e 2026, e o facto de começar a campanha da segunda volta dizendo que Sócrates (que apoiou Gouveia e Melo) está de volta se Seguro for eleito, quando é meridianamente claro para a generalidade das pessoas que Seguro teve o resultado que teve contra o PS, e não com o apoio do PS, é bem ilustrativa da armadilha política em que está metido o Chega, perdido entre o medo de perder o importante eleitorado que hoje representa e a necessidade de ter o apoio de muito outro eleitorado que detesta o que o Chega hoje representa.
De resto, o campo político de Montenegro teve uns 38/ 39%, a soma dos três candidatos dessa área, contra 31% de Seguro e 25% de Ventura, ou seja, nada mau.
Do outro lado de Montenegro, a situação é ainda mais tranquila, Seguro é de esquerda mas está longe de ser o candidato da Esquerda, a ganhar as eleições será bem mais fiável como presidente que Marcelo, sobretudo o Marcelo dos santos últimos dias que tem passado o tempo a tentar minar o governo de Montenegro.
Ficamos a saber que os náufragos da política (Rio, Isaltino, Sócrates, Correia de Campos, etc.), mesmo apresentando-se atrás de um cartaz apresentável, conseguem fazer danos a terceiros, mas não conseguem verdadeiramente afectar de forma relevante o processo político.
Já agora, uma nota para a campanha rasca de Gouveia e Melo, cuja rasquice só teve algum paralelo com a rasquice da campanha de Cotrim.
Sobre Cotrim, a sua posição é magistralmente ilustrada pela sua declaração final: a responsabilidade é toda minha, mas a culpa é do Montenegro. Cotrim bem tenta retomar uma posição hegemónica no mundo do liberalismo, dando um novo fôlego a um conjunto de nulidades intelectuais que preferiu a quem tinha pensamento próprio nesse campo, mas suspeito que a coisa não lhe correu bem: à revelia do partido, frisando que era uma posição pessoal, Mário Amorim Lopes veio anunciar o apoio a Seguro, no que me parece o tiro de partida pelo controlo da Iniciativa Liberal no futuro.
Mário Amorim Lopes tem razão, entre um candidato anti-liberal (não institucionalista, estatista, com sérias dificuldades em relação ao Estado de direito, etc.) e um candidato socialista que é eleito contra o PS, institucionalista, respeitador das regras, etc., não há hesitação possível para um liberal, mas Cotrim, e os que o rodeiam, não consegue decidir-se quando não é ele o centro das atenções.
No dia 8 de Fevereiro tenho poucas dúvidas de que até André Ventura vai votar em Seguro (Ventura não tem interesse nenhum num cargo institucional vazio de poder, Ventura quer o poder, não quer a representação) e o resultado final destas eleições, do ponto do vista do poder, é bastante mais favorável a Montenegro que a situação anterior: um presidente confiável, com ideias claras sobre o que o separa das políticas do Governo e ideias ainda mais claras sobre os limites institucionais da sua actuação, um Chega perdido num labirinto estratégico que o leva a 25% dos votos, mas que tem dificuldade em transformar isso em poder real (seja no Governo, seja nas autarquias), um PS muitíssimo fragilizado, incluindo pela eleição de uma pessoa que a generalidade da elite do PS combateu activamente, e uma esquerda rendida ao pragmatismo de votar em quem detesta, no seu combate anacrónico ao moinho de vento da Direita.
Montenegro teve uma derrota pesada?
Sim, teve, e daí?
Então propositadamente não cumprir as leis sobre imigração votadas pelo parlamento é ser institucionalista... lembra a acusação de populista a só alguns num regime que caminha para o socialismo e tem divida populista.
ResponderEliminarNão percebi a que se refere. Quem e quando não cumpriu propositadamente a lei?
ResponderEliminarMontenegro só perderia caso vencessem, ou vençam, Ventura ou o Almirante. Seguro será um Presidente cooperante.
ResponderEliminarseguem-se 3 semanas de chicana política à portuguesa. «Porra! dizia a velha Marquesa ...».
ResponderEliminara CRP permite uma democracia de fachada, onde o mais votado da 1ª volta recebeu 12% do total dos votos. Representatividade fora de série. Mais de 4 candidatos é desordem e gente sem um mínimo de classe cívica.
o PR tem poderes muito limitados para além de se sentar em Belém perto dos pastéis. Mais 3 semanas de beijocas.
''segurem-me ou cometo uma desgraça''. o país fica para as Calendas gregas.
«
Grande funeral.
ResponderEliminarMetade do PS e a sua tenebrosa gente fina, deve estar a roer-se com a vitória de António José Seguro.
ResponderEliminarEspero que Seguro resista e não retalie, não lhes ligue e pense só nos Portugueses e em Portugal.
O Caminho é importante, aquela gentinha nula, não !!
ontem não houve eleições legislativas por muito que os políticos o pretendessem
ResponderEliminar«o cu não tem nada a ver com as calças».
ResponderEliminarmais umas viagens por conta dos contribuintes privados ... de tudo.
em Davos não começam as sessões sem a presença de Seguro.
das Caldas só eram conhecidos os símbolos fálicos.
Para o PSD é preferível ter Ventura em Belém nos próximos 5 anos do que em São Bento daqui a 3.
ResponderEliminarNo Público de hoje, dois vencedores foram Pedro Nuno Santos e Catarina Martins.
Nem comento, só pergunto porque raio de carga de água a família Azevedo sustenta esta coisa.
Costuma dizer-se que o Poder está no Executivo e isso quase induz pensar a Presidência como uma espécie de Centro de Dia.
ResponderEliminarA palavra expressa a Ideia o Verbo e a Essência das coisas.
Tem potencial para Transformar e Mover o mundo.
Assim a saibam usar
1. No geral vejo os resultados como muito maus. Já me habituara à ideia de Seguro presidente (até votava nele contra Mendes ou Gouveia e Melo) mas esperava que Ventura tivesse mais votos do que Seguro, porque entendo que isso influenciaria a governação de Montenegro.
ResponderEliminar2. Confirmei a já antiga opinião que Montenegro atingiu o seu limite de Peter como líder da bancada. Nem capacidade para reformar nem sentido estratégico.
3. Ao contrário de HPS, entendo que estes resultados têm consequências políticas. A política alimenta-se muito mais do que parece do que do que é. E o que parece é um partido/governo com escasso apoio popular entalado entre duas fortes maiorias à esquerda e à direita. Quer isto dizer que Montenegro já não vai conseguir aprovar Orçamentos? Infelizmente não. Apenas que vai ser obrigado a pagar um preço mais elevado para obter apoios.
Fiquei sem preceber por que é que a campanha do almirante foi "rasca".
ResponderEliminarEssa questão já foi respondida (no geral Internacional e não apenas no ambito nacional) mas muitos não estão atentos,ou então não gostam da conclusão(ou não a entendem/não a aceitam). Pesquisa/search num motor de busca com as palavras "por que razão capitalistas e globalistas financiam os média esquerdistas".
ResponderEliminarEu se estivesse no lugar de André Ventura desistia j.
ResponderEliminarPoupava muito esforço e maçada, dava Liberdade de Voto aos Militantes do Chega, mas sugerindo o voto no Almirante Gouveia e Melo.
Depois na primeira aberta da meteorologia, tirava uma semana de férias e ia para areia apanhar ☀️ sol
Então, não me diga que na lei diz lá para entrarem todos os imigrantes de qualquer maneira no país?
ResponderEliminarA propósito da hipótese que levanta de o próprio Ventura votar em Seguro, ocorreu-me o seguinte: Será que o Chega aguentaria 5 anos com uma figura de segunda linha na liderança se Ventura fosse eleito?
ResponderEliminarÉ uma expressão como costuma dizer-se no Fio da Navalha.
ResponderEliminarPresumo que o faça para honrar a memória do Patriarca Belmiro de Azevedo que financiou a iniciativa desde o seu início.
ResponderEliminarTanto quanto se percebe, a Família Azevedo não interfere com a direção editorial do Jornal
Há uma Redação a ser, essa sim, responsabilizada pela linha editorial, qualidade ou falta dela dos conteúdos do Jornal.
Nunca a Família Azevedo
Se Ventura algum dia for eleito para algo mais que Presidente de Câmara talvez não se vá o Ventura mas o Chega vai á vida de certeza.
ResponderEliminarA situação do Chega é muito semelhante á do Bloco de Esquerda com o Louçã; quando este foi o Bloco nem com Flotilhas
Exacto
ResponderEliminarhttps://www.google.com/search?q=por+que+raz%C3%A3o+capitalistas+e+globalistas+financiam+os+m%C3%A9dia+de+direita&client=ms-android-samsung-ss&hs=PqWU&sca_esv=b82d7f5630f7ead9&sxsrf=ANbL-n5IVYeLuzCoKCwYeZkgrpfaTasxlQ%3A1768857681084&ei=UaBuab30BMaMi-gPtbDtgAY&oq=por+que+raz%C3%A3o+capitalistas+e+globalistas+financiam+os+m%C3%A9dia+de+direita&gs_lp=EhNtb2JpbGUtZ3dzLXdpei1zZXJwIkhwb3IgcXVlIHJhesOjbyBjYXBpdGFsaXN0YXMgZSBnbG9iYWxpc3RhcyBmaW5hbmNpYW0gb3MgbcOpZGlhIGRlIGRpcmVpdGFI1VFQ-hZY60xwBHgAkAEAmAH-AqABiRCqAQc1LjguMS4xuAEDyAEA-AEBmAIEoAK0BMICBRAhGKABwgIEEB4YCpgDAIgGAZIHBTEuMi4xoAfxDLIHBTAuMi4xuAevBMIHBzItMy4wLjHIByKACAA&sclient=mobile-gws-wiz-serp
Caridade
ResponderEliminarTal como o Sapo fazia com blogs. Deixaram de ser úteis, adeus.
Mudemos para grupos de media independentes e que não precisam de mecenato, como The Daily Signal e Daily Wire.
Fiquei divertidíssimo a ler este chorrilho de disparates, lavar mais branco uma copiosa derrota do Dr Montenegro e, last but not least, o Ventura Derangement syndrome (doença que ataca fortemente em Portugal com ataca nos USA, substituindo Ventura por Trump) que leva a pérolas como "
ResponderEliminarComo o autor do post gosta de de ler o Público, deve ter visto uma crónica que concluía que o Ventura só ganharia uma eleição se concorresse contra si próprio.
ResponderEliminarQue comentário tão fino e inteligente
ResponderEliminarFicamos a saber que o Cavaquismo (seja lá o que isso for) morreu finalmente
Realmente é de admirar como há gente que tantos anos depois ainda tem o elefante Cavaco atravessado na garganta
Conclusão:
Cavaco felizmente continua vivo e a assombrar os sonhos de muitos
ResponderEliminarEntretanto Rodrigo Saraiva e Carlos Guimarães Pinto já fizeram o mesmo que Mário Amorim Lopes.
Das duas uma, ou Mário Amorim Lopes não disparou tiro de partida nenhum, ou então disparou e conta já com dois apoiantes de peso na sua corrida.
Inclino-me mais para a primeira hipótese.
E a assombração não perde uma para lá de Boliqueime, botar sentenças
ResponderEliminarA asneira e um direito Constitucional.
ResponderEliminarQualquer um pode asneirar livremente
O problema não é a criatura estar viva.
ResponderEliminarÉ aquela fixação em botar sentenças sempre que vê um microfone aberto.
Sebastião de Carvalho e Melo começou.
ResponderEliminarCavaco continuou.
Portugal por milagre, ainda cá continua.
Não sei é se sobreviverá a um terceiro do calibre destes dois.
Caro Manuel
ResponderEliminarDeve saber que os efeitos de políticas erradas não se esgotam nem apagam, no dia seguinte.
As espertezas de Sebastião de Carvalho e Melo, custaram cento e tal anos de analfabetismo ao País que só começou a levantar-se com Oliveira Salazar.
De igual modo a fúria de auto-estradas Cavaquistas (e a infeliz ideia do dinheiro fácil europeu) criou um país de trolhas-e-patos-bravos de que só se começou a sair (??) décadas depois.
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