quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O canto de sereia do PS

O espectáculo do PS que sempre desprezou Seguro a tentar fazer uma OPA sobre a candidatura de Seguro não deixa de ser divertido.


Passando por cima das figuras embaraçantes, para quem tivesse vergonha, que Temidos e afins têm feito, por puro oportunismo político, que é matéria que diz respeito aos próprios a quem falta respeito próprio, não deixa de ser relevante perceber se, como diz aqui Telmo Azevedo Fernandes, a eleição e consequente presidência de Seguro não serve como detergente institucional.


Não tenho a menor dúvida e, se tivesse, o afã com que o PS se tem tentado colar a Seguro e dizer que a vitória de Seguro é uma vitória do PS tirar-me-ia qualquer dúvida que se tivesse perdido na minha cabeça, de que o PS tentará usar a presidência de Seguro como saída do atoleiro em que está.


Há uma parte do PS que pretende usar Seguro para varrer do partido a ala bloquista, reforçar José Luís Carneiro e guinar ao centro, como forma de tornar o PS relevante outra vez.


Há outra parte do PS que pretende usar Seguro para demonstrar que o PS é o grande partido da esquerda e essencial para o funcionamento do sistema democrático e para a alternância de governo, usando-o como biombo que esconde os cacos deixados por Costa no partido.


Só que o que o PS quer e pode fazer é com ele, a questão de fundo está em saber em que medida Seguro serve essa estratégia.


Não estou na cabeça de Seguro, não acredito na completa racionalidade de toda a gente, muito menos no contexto da actividade política, mas não vejo que vantagem, interesse, ou mesmo amor, sugira que Seguro estará disponível para dar a mínima abertura a esta gente.


Seguro tem como interesse imediato ganhar estas eleições, e sabe que a posição que tem hoje, de quase União Nacional contra o mal comportado do escola, foi obtida contra e apesar do PS, logo, nestas duas a três semanas, espero que tenha a sensatez de, evitando fazer a figura triste que o Almirante fez quando Sócrates lhe anunciou o seu apoio (os candidatos não são responsáveis pelos apoios que recebem), manter a distância em relação a estas manobras do PS e da esquerda da esquerda, que pretende apresentar-se como vencedora à boleia de quem desprezam.


Se, sublinho o se, que não alinho em Uniões Nacionais, for eleito, Seguro tem como objectivo ser reeleito cinco anos depois. Ora se até Soares, no seu primeiro mandato, se portou minimamente para chegar à reeleição em posição favorável, para que raio quererá Seguro envolver-se numa manobra de lavagem de imagem do PS, sabendo que grande parte da sua força eleitoral está na distância que manteve, em muitas ocasiões, em relação ao pior do PS?


Por fim, que motivação terá Seguro para dar a mão a quem não só lhe espetou facas nas costas, como ele sabe, e sabe muito bem, que voltará a fazê-lo na primeira oportunidade?


Com a enorme incerteza que estas coisas sempre têm, o PS está empenhadíssimo nos seus cantos de sereia, mas suspeito que Seguro está muito bem amarrado ao mastro do navio.

8 comentários:


  1. Se for eleito, Seguro tem como objectivo ser reeleito cinco anos depois. [...] Com a enorme incerteza que estas coisas sempre têm


    Eu diria que a "enorme incerteza" inclui o não sabermos se Seguro quererá ou não recandidatar-se daqui a cinco anos. Para mim não é nada claro que vá querer.

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  2. António José Seguro tem o Discurso afinado e evidência boa capacidade de Liderança.



    Parece ter o apoio da Máquina no PS e se esta não lhe der para sabotá-lo, a vitória está á vista.


    Será um bom Presidente ?


    Estou convencido que sim, será um Presidente na linha de Jorge Sampaio, cordial qb mas á altura das circunstâncias e do que estás exigirem 

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  3. Sem discordar de HPS nem de Telmo Azevedo Fernandes o que mais me choca nem é o PS costista e pedornunista mas a pressa com que ex-dirigentes do CDS do PSD e da IL vêm anunciar o apoio a Seguro. Os seus raciocínios, embora eu não concorde. têm algum mérito e admitia que votassem em Seguro ou mesmo, como limite, perto do final da campanha, alegadamente analisando as duas campanhas, anunciassem então o apoio a Seguro.
    Mas esta quase corrida para ver quem chega primeiro, esta nova religião que exclui da virtude quem não escolher Seguro, tão extemporânea que até mereceu alguma crítica de Maria João Avilllez, é indecorosa, para não dizer que mete nojo. E, suspeito, provocará algumas reacções.

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  4. @Henrique Pereira Dos Santos agradeço a referência no seu post. Permito-me no entanto recordar que, ao contrário do que pergunta o Henrique («para que raio quererá Seguro envolver-se numa manobra de lavagem de imagem do PS?»), a minha tese é de que AJS não quer envolver-se nisso. Mas como digo, basta a sua existência como pastelão para que a ala mais suja do PS use a sua imagem para lavagem do histórico do PS, sem necessidade de qualquer intervenção do homem.
    Desculpe a presuntão da auto-citação: «

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  5. Ia fazer um comentário pessoal, mas depois de ler a publicaçao de Telmo Azevedo encontrei uma frase mais a preceito "É um pastelão político é perfeito para ser usado como alibi e instrumento de uma operação de branqueamento..." etc
    Lembro de "uma vitória pouquinha". O que se seguiu? 
    Desculparam-lhe o amuo e a cobardia política!

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  6. Percebo a sua análise racional, caro Henrique Pereira dos Santos. E concordo.  Contudo, sendo Seguro um reconhecido "banana", sem capacidade alguma de liderança, inclino-me para o "resultado" postulado por Telmo Azevedo.

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