segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Falemos de ética do primeiro ministro, Pedro

Pedro Adão e Silva tem um percurso de membro do PS, e depois ex-membro do PS em união de facto com o PS, que o levou a Ministro de António Costa.


Escreve habitualmente em jornais traduzindo fielmente os pontos de vista dos donos do regime, isto é, a elite do PS (ocasionalmente, quando não tem mais assunto, faz uns textos mais culturais, na linha da cultura do regime).


De há tempos para cá, como compete a um dos donos do regime que sente a erosão da sua influência (os seus amigos ocupam menos o poder, condicionam menos o espaço público e têm menos recursos para distribuir), malha em Montenegro, por causa da Spinumviva, não tendo o menor pudor em misturar mentiras, meias verdades (que continuam a ser mentiras, na verdade a verdade não se pode servir pela metade) e factos, desde que isso seja útil para manter a sua tese, a tese de que Montenegro perdeu legitimidade ao deitar fora o mais precioso activo de um primeiro ministro, a sua santidade ética (curiosamente, a santidade e a ética são coisas muito pouco relacionadas, mas Pedro parece não fazer ideia disso porque não entende que seja a caridade, e não a pureza ética, a base da santidade).


Falemos então da ética do primeiro ministro, não do actual, mas daquele a quem Pedro Adão e Silva serviu como ministro.


Não vale a pena recuar mais para trás, comecemos pelo facto de António Costa ter estado anos a debitar como comentador político na televisão em que o seu irmão era um dos mais poderosos. Eu nunca o faria, essa é a minha ética, mas não vale a pena tentar impor a ética pessoal a terceiros, a ética, por definição, é um juízo pessoal (caro Pedro, uma sugestão, leia o exemplo de João César das Neves no seu livro sobre ética empresarial, que refere o dilema ético do empresário que tem 200 famílias a cargo, tem a empresa à beira da falência, mas pode salvá-la se ganhar um projecto, o que implica subornar alguém, isto é, entrar num esquema de corrupção e depois diga-me se há solução que não seja a avaliação ética e pessoal do peso relativo que cada um dos dois bens - honrar o compromisso que o liga a essas 200 famílias ou honrar o seu princípio de jamais corromper alguém).


Durante esse tempo, António Costa ganhava mais como comentador que como presidente de câmara em exclusividade de funções, apesar do seu ordenado de presidente ser aumentado por estar em exclusividade de funções. Eu nunca estaria em exclusividade de funções nestas circunstâncias, mas António Costa serviu-se de um esquema manhoso (facturava como direitos de autor o pagamento da sua prestação de serviços a um canal de televisão em que o irmão tinha forte influência) que lhe permitia estar em exclusividade de funções, ao mesmo tempo que recebia um segundo ordenado maior que o primeiro (nem discuto as implicações fiscais dessa manhosice).


Mais tarde chega a Secretário-geral do PS. Usando métodos eticamente irrepreensíveis? Não, traindo pela calada um camarada de partido, através de uma aliança com o grupo de apoio do mais duvidoso (não, não apenas pelo fumo de corrupção, mas pela responsabilidade política na irresponsabilidade financeira que levou milhares de pessoas ao desespero mais tarde) secretário-geral que o PS tinha tido até então. Eu nunca o faria, mas recuso-me a cobrar a António Costa o facto de ter uma ética diferente da minha.


Uma vez chegado a Secretário-Geral do PS, conseguiu ser primeiro ministro. Porque explicou aos eleitores ao que vinha e teve o seu apoio? Não, porque quando se apercebeu que ia perder as eleições, como efectivamente perdeu, trabalhou afincadamente uma coligação de perdedores que nunca tinha defendido (pelo contrário, no tal programa de comentário político defendeu, com todas as letras, que PS e PSD deveriam trabalhar a estabilidade fazendo um pacto de viabilização dos respectivos governos minoritários, formados por quem ficasse em primeiro nas eleições). Mais do que nunca ter defendido publicamente o que veio a fazer, fez questão de esconder essa possibilidade dos eleitores, ao ponto de usar o habitual fretismo do Expresso (não sei se já disse que o irmão era uma pessoa influente no grupo de média do jornal) para passar a uma jornalista que essa era a sua intenção, prevenindo-a de que se a jornalista o identificasse como fonte da informação, ele desmentiria, portanto poderia publicar o seu plano para formar uma coligação de perdedores, desde que omitisse a fonte da informação.


E foi assim, com esta lisura ética e transparência, que o seu primeiro ministro, o primeiro ministro de quem aceitou ser ministro, conseguiu formar um governo que usou como trampolim para uma reforma dourada.


É por isso, caro Pedro, que as suas (e de muitos outros que partilham esse lugar de fala de privilégio e propriedade do regime) crónicas sobre a ética de Montenegro são tão ridículas, a sinalização de virtude com este histórico público e reconhecido, são tão ridículas como as cartas de amor e, já agora, é também pelo silêncio da generalidade da bolha mediática sobre percursos éticos deste tipo que são ridículas as exigências de transparência da actividade empresarial de candidatos seja ao que for: com a ética dominante na política e nos jornais, é hilariante a exigência de transparência noutras actividades a que qualquer pessoa se pode dedicar, antes, depois e durante a sua actividade política.


E é esta rapsódia ética, cinicamente cultivada pelos donos do regime, que tem alimentado o crescimento dos populismos vários que vão medrando à sombra dessa flexibilidade de critérios necessária à permanente sinalização de virtude que sustenta o regime.


Boa sorte, quanto aos resultados que daí virão.

28 comentários:

  1. 'Etica' socialista: uma 'referência' em estilo latino-americano, com quase a mesma idade de Pedro Adão e Silva - caso Edmundo Pedro, passando pelo tal livro "Contos Proibidos", retirado rapidamente da circulação!! Até ao famoso engenheiro, enredado no também famoso e infindável modus operandi corporativo com o cungo burilado da mesma agremiação... 

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  2. https://youtu.be/SoWK7RGvzJU?si=pePNcw2-zT2-Wc_X

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  3. Algo é certo, Montenegro não teve, não tem qualquer pingo de ética.
    Aliás, se tudo fosse linear não se percebe a novela que teria sido evitada com a divulgação atempada e imediata das informações solicitadas.


    Justificar a falta de ética de Montenegro com a falta de ética, segundo o post, de Costa não tem qualquer sentido.


    Mas enfim é a se dedicam alguns quando pretendem defender uns e atacar outros.


    Ter espelhos em casa dá muito jeito para evitar estas figuras lametáveis.

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  4. Adão e Silva continua a mostrar toda a sua infantilidade que sempre demonstrou, quer como ministro da cultura (o pior de sempre) bem como comentador.
    Ainda a propósito da ética de António Costa, nunca até hoje, foi esclarecida a sua actividade imobiliária. 
    Desde vender mais barato do que comprou, até ao valor da renda em apartamento cedido por uma das construtoras do regime, a Teixeira Duarte. 
    Aproveito para desejar ao HPS e a todos os colaboradores e leitores do  "Corta", votos de um Santo e Feliz Natal e um muito proveitoso 2026 

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  5. «preso por ter cão e por não ter»

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  6. Game, set and match.


    Votos de Bom Natal e melhor 2026

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  7. Na outra margem do Atlântico a imagem (e as consequências) que os Executivos de lá têm dos Executivos de esta UE é interessante. 


    https://www.zerohedge.com/geopolitical/rubios-stark-warning-europe-risks-wiping-out-shared-culture-western-civilization

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  8. Ética é quando só se rouba metade do que se pode.

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  9. Formas inferiores de vida a fazerem, pleonàsticamente, pela vidinha...
    Há que agradar aos donos.
    Este bípede   é mais "avendem"...
    Juromenha

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  10. É como as discussões da bola quando o nosso clube é beneficiado... o teu também foi na semana passada. No fundo não há espírito crítico ou vontade de melhorar, apenas apontar o dedo ao adversário e ignorar defeitos próprios. 

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  11. Excelente texto, a colocar os pontos nos is quanto à excelência ética do actual PM como a denunciar a inexistência por parte do ex pm e sua trupe socialista 

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  12. Muito certeiro. O cão pelo menos foi fiel ao seu dono. 

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  13. A propósito de ex-primeiros Ministros, lembrei-me de J Sócrates.


    Nunca gostei do homem por  palavroso e gabarola mas foi execrável a forma como a C Social e o seu próprio Partido, o trataram quando caiu.


    É no entanto de elementar justiça, reconhcer-lhe o mérito de ter tentado a simplificação do relacionamento labiríntico, entre o Cidadão e o Estado, criando o Simplex.



    A outra iniciativa, sem dúvida ainda mais importante, foi a introdução ao ensino do Inglês no  Primeiro Ciclo.


    Duas iniciativas decididamente estruturantes e decisivas á  modernização do País.


    É óbvio que a virtude não desculpa o crime, mas expiada a culpa , (ele foi condenado e cumpriu pena) fica o contador a zeros.


    E se não há desculpa para a forma mesquinha como a Comunicação Social o tratou (e continua) muito menos haverá para o seu próprio Partido. 


    A mesquinhez e a falta de Grandeza tem custos, às vezes grandes.






    P LP de

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  14. É uma ratazana miserável, mas o mal que fez ao país é um milhão de vezes mais grave do que o grão que comeu.

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  15. Espero que Montenegro de facto não tenha nem venha a ter a chamada "ética republicana" seria uma tragédia para o país.
    O post tem todo o sentido na medida que mostra a hipocrisia de figurões ou figurinhas que nos desgovernaram e que por aí continuam a querer dar lições neste caso de "ética" e certamente é isso que dói a este anónimo.
    Pelo enunciado percebe-se que o comentário vem de pessoa também com um "enorme" sentido da dita "ética".
    Já agora deve viver numa casa sem espelhos...

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  16. Debate Almirante Gouveia e Melo - Marques Mendes ;

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  17. Aposto que depois do debate com o Almirante Gouveia e Melo, Marques Mendes foi á Urgência levar uns pensos.


    Que abanões levou o Mendes

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  18. Tras la caída de la Unión Soviética en 1992, muchos sectores del mundo libre descansaron en ese triunfalismo que brindaba la sensación de que la utopía colectivista había perdido para siempre. Pero pocos años después, abrazando nuevas banderas y reinventando su discurso, el hoy llamado neocomunismo (o progresismo cultural) no sólo pasó a dominar la agenda política sino en gran medida la mentalidad occidental. Los viejos principios socialistas de lucha de clases, materialismo dialéctico, revolución proletaria o violencia guerrillera, ahora fueron reemplazados por una rara ingesta intelectual promotora del “indigenismo ecológico”, el “derecho-humanismo” selectivo, el “garantismo jurídico” y por sobre todas las cosas, por aquello que se denomina como “ideología de género”, suerte de pornomarxismo de tinte pansexual, impulsor del feminismo radical, del homosexualismo ideológico, la pedofilia como “alternativa”, el aborto como “libre disposición del cuerpo” y todo tipo de hábitos autodestructivos como forma de rebelión ante “la tradición hetero-capitalista” de Occidente.

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  19.  hegemonizó las aulas, las cátedras, las letras, las artes, la comunicación, el periodismo y, en suma, secuestró la cultura y con ello modificó en mucho la mentalidad de la opinión pública: la revolución dejó de expropiar cuentas bancarias para expropiar la manera de pensar. Tras tomar nota de la inadvertencia social que hay en torno a este peligro y peor aún, de la vergonzosa concesión que el acobardado centrismo ideológico y el correctivismo político le viene haciendo a esta disolvente embestida del progresismo cultural
    idem

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  20. «En La sociedad abierta y sus enemigos, Popper desarrolló una crítica del historicismo y una defensa de la sociedad abierta: la democracia liberal.

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  21. No caso do Montenegro, mas sobretudo do Marques Mendes, há a ideia de que eles beneficiaram dos contactos que foram fazendo ao longo dos anos na política.


    Isto é absolutamente normal, e não tem nada de imoral. Eu também vou acumulando contactos na minha área profissional, e uso-os.


    O que para mim é mais difícil de julgar, é saber se teriam tido o mesmo sucesso financeiro se o estado português não fosse a confusão burocrática que é ou tivesse o peso na economia que tem. 


    Suspeito que o português comum tem as mesmas dúvidas, que são aproveitadas pelas elites como desculpa para criar ainda mais burocracia e aumentar o peso do Estado.


    É um ponto difícil onde estamos, e não vejo muita gente na política com vontade daqui sair.

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  22. A  função primeira da Burocracia Oficial é complicar, permitindo a função do funcionário/intermediário/descompli ador, mediante o pagamento respectivo está bem de ver.


    O problema nem é a burocracia em si,  por indispensável ao Estado Moderno,  e sim os meandros paranoico/psicadélicos da mesma.




    PS - Um exemplo de como as coisas são malucas;


    Um cidadão é o mesmo desde que nasce até ao triste piu.


    Tem de ter um Bilhete de Identidade que atesta ser quem é desde que renovado nos prazos certos.


    Se não renovar não pode provar e embora continue sendo, não é 

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  23. Você nemao espelho se deve conhecer, quanto mais pela ética.

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  24. O que foi comparado foi o Pedro Adão e Silva e o HPS, apesar do ultimo criticar o primeiro, não se deve ver ao espelho.
    Depois fui eu que não percebi o post.
    Arre burro!

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