Lourenço Bray escreveu um texto muito interessante sobre como o Estado o queria obrigar a deixar de ser recibo verde, contra a sua vontade e da empresa para quem trabalhava a recibos verdes.
No início do texto, lembra que Portugal é o segundo país da Europa da OCDE com o mercado de trabalho mais rígido (o primeiro é a Turquia) e um dos que têm maior precariedade laboral.
As duas coisas estão relacionadas: quanto menos flexível é o mercado de trabalho, mais esquemas se inventam para resolver o problema da rigidez do mercado laboral que favorece quem está, desprotegendo quem quer estar (que os sindicatos representam muito mal, já agora).
A questão é relativamente fácil de explicar: os patrões precisam de flexibilidade na contratação e despedimento, para poder adaptar as empresas permanentemente ao contexto em que trabalham, os trabalhadores querem estabilidade de rendimentos, e o equilíbrio das soluções é difícil porque a relação de trabalho é intrinsecamente assimétrica, com os patrões a terem muito mais poder que os trabalhadores (excepto quando há escassez de mão de obra e diversidade de empregadores, o que permite ao trabalhador mudar de patrão facilmente).
Se, como acontece em Portugal, a precariedade laboral é grande, isso é em grande medida o resultado da dificuldade em despedir trabalhadores com vínculos mais sólidos.
A solução parece ser caminhar no sentido da liberalização dos despedimentos, reforçando simultaneamente os mecanismos sociais que garantam a protecção do rendimento dos trabalhadores, no caso de haver despedimentos, mas sem que essa solidez de protecção acabe a ser tão favorável que seja mais vantajoso para o trabalhador estar desempregado que empregado.
É uma equação difícil de resolver que tem riscos políticos muito elevados.
Qual é o interesse de um político (influenciando a legislação e a actuação do Estado)?
O interesse do político não é correr riscos e resolver a situação, o verdadeiro interesse do político é não correr riscos, ao mesmo tempo que cria a sensação de que está a resolver o problema, da forma mais favorável para si.
Foi o que fez António Costa com os recibos verdes, inventou uma regra cega que partiu do princípio de que todos os recibos verdes que recebiam acima de uma determinada percentagem de apenas um pagador eram falsos recibos verdes que deveriam passar a ter vínculos contratuais sólidos.
António Costa estava fartinho de saber que havia "infinitas maneiras de prevalecer", passando o trabalhador a receber através de um empresa unipessoal, passando o patrão a ter mais uma ou duas empresas com as quais se ia variando o pagador, evitando a tal percentagem a um só, etc., etc., etc..
Isto é, António Costa sabia perfeitamente que não estava a resolver a questão da precariedade (para o fazer tinha de liberalizar os despedimentos, o que tinha custos eleitorais para si), estava simplesmente a encontrar um mecanismo indutor de ineficiência, é certo, mas que lhe permitia aparecer politicamente como um campeão do combate à precariedade.
Serve este post como introdução a outro que tenciono fazer sobre a discussão do sistema de saúde, permitindo-me ilustrar a questão que mais me interessa: tornar uma coisa objecto de decisão pelo Estado, retirando-a da condição de objecto de uma decisão orientada para o lucro, não diminui o princípio geral de que a generalidade das decisões tomadas pela generalidade das pessoas (com a eventual excepção dos santos), são tomadas em função de interesses de quem toma a decisão, o facto desse interesse ser político e não económico não altera grandemente o facto dos interesses privados se sobreporem aos interesses da comunidade.
'à ação segue sempre a reação'.
ResponderEliminara 'republiqueta' continua no prec desde 1974. a política de esquerda acabou com os ricos (e suas empresas) e com os pobres. nos últimos 30 anos, governado pelas esquerdas, teve o 'retângulo' um desenvolvimento miserável e uma bancarrota. dos candidatos a PR só LMM, AV, Cotrim, não são de esquerda. por essa razão são desprezados por
Na socialista Holanda fizeram o mesmo. Na Alemanha menos rígida um freelancer tem de ter mais que um cliente.
ResponderEliminarAcho que não percebeu a questão: na Alemanha e na Holanda é fácil despedir
ResponderEliminarPlutarco «a paciência pode mais que a força»
ResponderEliminarpor isso são sociedades desenvolvidas
ResponderEliminarDefina " fácil despedir".
ResponderEliminarEsse comentário advém de experiência pessoal, investigação ou apenas achismo? Gostaria de saber em que condições é fácil despedir na Holanda.
ResponderEliminarOnde realmente é difícil despedir em Portugal é no funcionalismo público, mas aí a malta que pede "liberalização " costuma manter o bico fechado.
Usando um recorrente e assertivo argumento do hps, vão para o Sudão que lá o mercado de trabalho é pouco restritivo.
ResponderEliminarImpossível discordar com este texto
ResponderEliminarNecessário e imperativo liberalizar despedimentos, como acontece na Dinamarca ou EUA. E alargar ao sector público, em que o imobilismo e rigidez laborais imperam. Portugal só será uma economia de primeiro mundo no dia em que um Director puder entrar num Instituto ou serviço Público qualquer e despedir uma catrefada de inúteis de uma assentada.
Excepto se o gajo que tem a força não tiver paciência
ResponderEliminardos interesses privados se sobreporem aos interesses da comunidade.
ResponderEliminarE depois as pessoas questionam-se o porquê do Portugal Católico estar a desaparecer. Com esta visão individualista ds sociedade, não há lugar para a Igreja.
ResponderEliminarQuais seriam, na sua visão do mundo, as funções que o Estado deveria desempenhar exclusivamente. Quais aquelas em que a iniciativa privada e o Estado seriam concorrentes?
ResponderEliminarCala-te boca 😄
ResponderEliminarO Estado - Forças Armadas, Policias e Tribunais, Governos Centrais e Regionais, Sanidade e Higiene Pública, Saude e Segurança Social.
ResponderEliminarAssim de repente Forças Armadas, Segurança Pública, Polícias inclui as Judiciais e Aduaneiras, Proteção Civil, Tribunais, Registos Civis e Notariado, Governos, Administração Publica e Ordenamento Territorial.
ResponderEliminarSupervisão da Instrução Pública em todos os níveis.
Fiscalização e controlo de qualidade de actividades Privadas ou Publicas nos casos que se justifique.
E quais exclusivamente privadas
ResponderEliminarTudo resto penso eu.
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ResponderEliminarO postador, como bom woke, não se coíbe de colar umas boas etiquetas. Não concordas comigo, és estatista. Porquê, porque assim o digo e eu tenho razão. Gosto muito de discutir e aprender, mas só quando concordam comigo.
Para esse peditório já deixei de dar, a partir do momento em que se escreve o mesmo em locais diferentes, e num é-se marxista, noutro neoliberal.
Por exemplo, não concordo com banco estatal, ou TAP. Já águas e electricidade, deveriam ser geridas (nem que fosse por concurso) pelo Estado.
E do escrito é para concluir o quê ???
ResponderEliminarLi agora o seu post.
ResponderEliminarVocê afirma (1) classifica, discorre pondo-se no lugar do outro, elabora sobre um suposto discurso alheio (1) e depois conclui, como se tudo não fosse criação sua .
Conhece o significado da expressão demagogia ??
(1) -Sem um único exemplo a ilustrar.