Estão em preparação algumas alterações à legislação que regula o licenciamento de construção.
A mim, sem ter visto pormenor e sem ser uma legislação que use com frequência, o que me impede de ter uma percepção clara das implicações de cada alteração, parecem-me propostas no bom sentido.
Infelizmente, grande parte da energia da discussão vai-se perder em coisas sem interesse nenhum que passo a tentar explicar.
Como sempre que os preços sobem, o que existe é um desequilíbrio entre oferta e procura a favor da procura.
Em si mesmo isto não é um problema (se estivéssemos a falar do mercado de diamantes, isto não entraria na discussão política de forma tão transversal), mas cria um problema associado quando diz respeito a um bem ou serviço considerado essencial, como é a habitação: há um conjunto de pessoas crescente que deixam de ter acesso à habitação à medida que os preços sobem mais depressa que os rendimentos.
Para tentar resolver isto há quem defenda a limitação administrativa da procura e há quem defenda a expansão da oferta.
A discussão sobre as implicações económicas de cada uma destas vias pode ser racional e convém que seja feita.
Há, no entanto, dois aspectos dessa discussão, muito apelativos, mas que interessam muito pouco.
Um é a sistemática referência aos interesses.
Por exemplo, quando se reduz a fiscalidade, há sempre alguém que aparece a dizer que isso não vai alterar preços porque a diferença vai ser capturada pelos interesses mais fortes. Sim, é uma possibilidade bem real, mas se esses interesses forem os dos promotores, isso significa que se ganha mais dinheiro no mercado da habitação o que, em teoria, atrai mais gente e investimento, expandindo a oferta, o que é bom.
Outra é o papão dos valores ambientais e culturais que se perdem com nova construção.
Sim, pode acontecer, mas defender em abstracto que aumentar a construção implica, forçosamente, perda de valores ambientais e culturais vale o mesmo que dizer exactamente o inverso, tudo depende de como e onde as coisas são feitas.
A minha sugestão é ir ouvindo Sampa, de Caetano Veloso, lembrar-nos da "força da grana que ergue e destroi coisas belas" e esquecermos estes dois espantalhos nesta discussão porque são só isso, espantalhos.
Deixem lá o governo tomar as medidas que entender, avalie-se seriamente os efeitos para o que se pretende (garantir o acesso à habitação), e mude-se o governo se as coisas correrem mal.
Agora andar sempre a gritar "vem lobo, vem lobo" de cada vez que se mexe uma vírgula na regulamentação, francamente, não tem interesse nenhum e não passa de uma atitude reaccionária.
ResponderEliminarenquanto não liquidarem os socialismos em vigor não haverá desenvolvimento e continuaremos no 3º mundo.
mais uma perda de 700 mil milhões com a greve geral.
ando a trabalhar para os inúteis que vivem á custa dos contribuintes.
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Os valores ambientais não são um papão, são uma realidade bem concreta, não só em Portugal:
ResponderEliminarhttps://youtube.com/shorts/41zJHlzHUe4
Já começou... já leio opiniões de tudólogos a defender que isto de baixar impostos ao arrendamento e construção é para beneficiar o grande capital. Nada de novo.
ResponderEliminarTreta
ResponderEliminarExcelente e acertada análise, como é apanágio. Construir mais, baixar custos administrativos, deixar o mercado operar.
ResponderEliminarconcordo e subscrevo.
ResponderEliminarsó tenho pena que não acabem também com as borlas fiscais para alguns sectores previligiados
https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/muito-mais-interessante-que-a-burqa-198126
Que paraíso era quando a censura existia.Tudo caladinho. Shiu!
ResponderEliminarQuanto a mudar o governo ... treta.
Desconheço o conceito de borla fiscal: por definição, o dinheiro dos impostos é de quem o paga, não de quem o recebe, logo, não existem borlas fiscais, existe maior ou menor retirado do dinheiro de cada um pelo Estado.
ResponderEliminarEscrevi o que me apeteceu, como qualquer pessoa escreve o que lhe apetece, a que propósito vem essa conversa da censura?
ResponderEliminarli muito sobre esta falsificação apoiada por políticos baseada em relatórios científicos falsificados. este não é o único assunto em que se falsifica a ciência.
ResponderEliminarmais uma ''hérnia das 7 cabeças''
ResponderEliminarNo que a resolução ... ilusão.
ResponderEliminarNão entendeu?
ResponderEliminarNão vou explicar.
Pense no que escreve, talvez entenda.
Quanto a apetites, bom proveito.
Ora !!
ResponderEliminarJá não se pode ouvir vozes ?? Ou até avistar gambozinos ?!
Pois construir mais, resultando em maior e é de supor, mais diversificada oferta, resultaria num tendência decrescente dos preços.
ResponderEliminarMas como as "leis da economia" por regra, funcionam ao contrário em Portugal, os preços sobem.
Mas atenção, que em construindo menos também sobem.
Em Portugal os preços sobem sempre.
Eu compreendo que seja difícil explicar coisas sem explicação
ResponderEliminar"Borla Fiscal"
ResponderEliminarParece-me que a ideia seja;
Encargo Fiscal que era suposto existir.
Não existência de imposto onde por evidente, deveria existir.
Penso que dever isto ou parecido.