"A euforia que Luís Montenegro não conseguiu esconder depois da decisão do Ministério Público diz tudo. Prova a gravidade do caso Spinumviva, porque de outra maneira não haveria razão para tanto alívio".
É assim que começa uma crónica de Rui Ramos.
Quando é Rui Ramos a achar normal esta frase, não há grandes razões para ter esperança.
É verdade que Rui Ramos resolveu cavalgar forte e feio o caso Spinumviva, penso que como instrumento para forçar uma alteração no PSD que permitisse materializar um governo de maioria com o Chega, condição que Rui Ramos considera indispensável para reformar Portugal.
Compreendo portanto que tenha dificuldade de, em algum momento da sua vida, admitir que se enganou na análise do caso (que, diga-se, sempre foi fraquíssima e sem qualquer base factual minimamente racional) e portanto acabe a adoptar o comportamento de Ana Gomes e muitas outras pesssoas ligadas ao PS e ao resto da esquerda, incluindo muito jornalistas, que consiste em manter razões obscuras para tentar manter no ar um balão furado.
Daí a argumentar que a satisfação de alguém se ver ilibado de acusações graves só pode demonstrar que as acusações são verdadeiras, porque um inocente não fica satisfeito com o facto de se ver livre de acusações injustas, vai, apesar de tudo, um fosso da dimensão da fossa das marianas.
Que Pedro Adão e Silva persista em contar mentiras sobre o caso (algumas infantilmente evidentes, como a de dizer que na primeira intervenção de Luís Montenegro sobre o assunto, que foi na Assembleia da República e está integral e facilmente discponível, Montenegro disse que a empresa era para gerir umas leiras herdadas, quando nessa intervenção a descrição de toda a actividade da empresa é clara e inclui as prestações de serviços), é da natureza das coisas, trata-se de um antigo ministro de António Costa que acha isso não lhe retira credibilidade para discutir a dimensão ética de Montenegro.
Agora quando é Rui Ramos a desenvolver a tese de que a demonstração, pela justiça, de que não se passou nada de ilícito é irrelevante face à alegria que Montenegro demonstra por ter sido ilibado que, essa sim, a alegria de Montenegro, demonstra a sua culpa, caramba, a mim parece-me uma espécie de actualização do ordálio, coisa que não esperava ver em Rui Ramos.
Que diria Rui Ramos se os estados d ' alma fossem admitidos como prova, emTribunal ?!
ResponderEliminarEm que os animais falavam?
ResponderEliminar>
ResponderEliminarHoje no Público o "infantil" Adão volta ao assunto.
ResponderEliminarNão paga a pena perder tempo com quem tem tempo para pensar, inventar e publicar não assuntos
Para além da utilização da palavra alternativa para ordálio, em que é que este comentário tem alguma relação com o que escrevi?
ResponderEliminarinformação:
ResponderEliminarQue Montenegro exibiu euforia, é um facto. Que isso prova a gravidade do caso, é uma interpretação de Rui Ramos que tem de ser lida no contexto de tordo o artigo.
ResponderEliminarPessoalmente acho que Rui Ramos tem mais probabilidades de estar certo do que de estar errado. O prosseguimento das investigações, poderia levar à descoberta de um caso de prestação de serviços que configure tráfico de influências; ou a prova de que houve recebimentos já depois de indigitado ou mesmo nomeado, e antecedendo a sua saída da empresa; ou ainda à exploração por ilícito da transferência de quotas para a mulher, com quem estava casado no regime geral de comunhão de adquiridos, situação tão peculiar que qualquer pessoa familiarizada com a lei, nem precisa de ser advogado, sabe que não é lícito o negócio entre cônjuges excepto no regime de separação absoluta de bens. .
Mesmo que a PGR tenha entendido não haver matéria criminal para investigar, o prosseguimento poderia levar ao conhecimento de ilícitos puníveis cível ou administrativa ou disciplinarmente (OA) e que agora só viriam a público mediante queixa de parte lesada, praticamente impossível de acontecer.
O artigo de Rui Ramos "Os Políticos, o Estado e os negócios" não tem Montenegro como sujeito mas como exemplo e defende funções públicas ou políticas, permitem uma agenda de contactos que dá vantagens depois na vida de negócios. E que, no mínimo, políticos que optem pela vida de negócios, não deveriam depois voltar à política. Acrescenta que o excesso de Estado e de regulamentação, é o que dá ao ex-político vantagens competitivas e termina:
"E é, acima de tudo, termos menos Estado e, por isso, políticos que, para os grupos de interesse, valham menos, e estejam assim sujeitos a menos tentações."
Idealmente quando há espaço a preencher, deveria haver substância e qualidade mínima a corresponder
ResponderEliminarInfelizmente nem sempre é assim, ou quase nunca é assim.
A crise também atinge ás Pitonisas e aos Oráculos.
é melhor escolher incapazes ou sem abrigo para a política. não falta nos extremos sanguessugas que vivem do dinheiro dos contribuintes.
ResponderEliminarO seu comentário é extraordinário.
ResponderEliminarEm primeiro lugar, porque me parece muito mais justificada a euforia do inocente que vê reconhecida a sua inocência que a alegria do criminoso que vê, temporariamente, escondido o seu crime.
Segundo, porque tudo aquilo que refere, foi exactamente o que foi investigado, todas as contas bancárias, todos os contactos, todos os trabalhos feitos e a sua relação com a facturação, e analisando tudo isso, concluiu-se que não se encontrou nada que justificasse a abertura de um inquérito.
E a questão disciplinar da ordem dos advogados também foi arquivada.
E a queixa de Ana Gomes na procuradoria europeia também foi arquivada.
O que é preciso para presumir a boa fé de uma pessoa?
O artigo de Rui Ramos não comentei (tenho pouco interesse na análise política de Rui Ramos), comentei apenas uma frase concreta que é simplesmente má-fé e nada mais que má-fé.
A ideia de que se anda a instalar de que participar em negócios é intrinsecamente incapacitante para se ser político é não só perigosa como sem qualquer utilidade social.
ResponderEliminarEsse é o cerne da questão. Um político não é uma pessoa qualquer, por isso lhe chamam uma figura pública. E a esses, recorrendo a mais um cliché, não lhes basta ser sérios mas também têm de o parecer.
No meu "extraordinário" comentário vinquei que seria uma interpretação de Rui Ramos e que, pessoalmente, achava mais provável ele estar certo do que estar errado. É uma apreciação pessoal que faço sobre uma figura pública e que se baseia essencialmente na péssima prestação pública de Montenegro na fase inicial da polémica. De facto, eu tive de escolher entre a possibilidade de Montenegro, ter uma total falta de capacidade de comunicação ou de querer evitar um escrutínio total (e não apenas criminal). Dado o sucesso anterior de Montenegro como líder da bancada parlamentar, descartei na sua incapacidade de comunicação.
ResponderEliminar'Segundo o Dicionário da Porto Editora, ordálio é: «prova jurídica, chamada também juízo de Deus, usada na Idade Média, que consistia em o acusado se submeter a torturas físicas que provariam a sua inocência, caso não lhe causassem dano».'
in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/ordalio/8642 [consultado em 22-12-2025]
E?
ResponderEliminarResumindo, acusações sem qualquer base factual sobre a possibilidade de qualquer pessoa fazer qualquer coisa, mantendo-se as acusações mesmo depois de escrutinados todos os movimentos financeiros que poderiam indiciar qualquer infracção.
ResponderEliminarÉ isso que é extraordinário.
Ainda assim, mais extraordinária é a afirmação de Rui Ramos de que a alegria, euforia, o que quer que lhe chame de alguém, demonstra que é culpado de qualquer coisa.
ResponderEliminarO Rui Ramos faz quatro pontos:
1. as explicações do Montenegro foram atabalhoadas (não me parece, neste ponto concordo consigo)
2. que não é o mesmo eu ou o Montenegro começar um negócio usando a nossa rede de contactos (neste ponto concordo com o Rui Ramos)
3. que este tipo de situações se evita reduzindo o peso do Estado (tb concordo com o Rui Ramos)
4. e finalmente que quem quer entrar na política tem que ser mais puro que o cidadão comum (aqui discordo do Rui Ramos)
Tudo para dizer que não concordo inteiramente consigo na análise que faz do texto do Rui Ramos. O RR está genuinamente preocupado com a ascensão de movimentos populistas (o Chega dá voz às preocupações de muita gente, mas não oferece soluções), e por isso considera que os políticos têm que ser como a mulher de César.
Visto por este prisma, parece-me que o Rui Ramos está a ser honesto: está a propor uma solução para um problema que considera importante. Eu discordo da solução, porque santos só na igreja. O cidadão comum não é um ser imoral (e se for, não vale a pena continuar com a democracia) e parece-me suficiente reduzir as tentações a que poderá estar sujeito (entenda-se: reduzir o peso do Estado na vida das pessoas).
O que nos trás ao Marques Mendes. É tão certo como um e um serem dois, que o homem vai ser cozido em lume brando por causa do que fez e não fez como advogado. E se for eleito, o circo instala-se em Belém. Nos julgamentos públicos, o ónûs da prova está invertido e é óbvio que não é possível ao Marques Mendes provar que não teve comportamentos errados.
Acontece que não fiz qualquer análise ao texto de Rui Ramos, mas sim à sua frase de abertura que é simplesmente pornográfica
ResponderEliminarCerto, de acordo. Mas penso que o 1o parágrafo não reflecte tudo o que o Rui Ramos escreveu, daí o meu comentário. Na verdade, eu só fui ler o texto por causa do que você escreveu. Quando há eleições, tendo a evitar ler o Rui Ramos.
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