Fernando Alexandre fez uma boa intervenção, sobre o que parecem ser boas decisões e fez uma coisa politicamente corajosa que é rara: assumiu que preferia uma solução diferente, reconheceu as dificuldades dessa solução, razão pela qual entendia que só faria sentido tomá-la se houvesse um grande apoio em quem tinha de a executar, mas os que teriam de a executar preferiam outra solução.
Começo por dizer que nem que Fernando Alexandre tivesse o melhor comunicador do mundo teria podido desenhar uma estratégia de comunicação que, racional e voluntariamente, tivesse o êxito que este episódio teve do ponto de vista comunicacional, conseguindo passar para todo o país um conjunto de ideias que, o mais provável, era terem ficado na sala em que foram expostas e depois condicionar decisões futuras.
O estrondoso êxito comunicacional que Fernando Alexandre conseguiu tem duas componentes essenciais.
A primeira, que dependeu dele e de quem trabalha com ele, é que o que pretendia comunicar tinha substância, era sólido (eu até discordo da lógica excessivamente estatista proposta, no plano das ideias, mas tenho dúvidas suficientes para achar que até poderá ser que ele tenha razão, e não eu) e foi comunicado num discurso bastante claro (se tinha a qualidade discursiva de, por exemplo, Salazar? Não, não tinha).
A segunda componente não dependeu dele, mas de opções de comunicação de uma imprensa indigente que foram cavalgadas por adversários políticos que escolheram uma estratégia de comunicação suicidária: deturpar a realidade, torturando o discurso até que ele dissesse o que queriam que ele dissesse (cito Miguel Araújo para caracterizar a coisa, "O argumento do espantalho (ou falácia do espantalho) consiste em deturpar, exagerar ou distorcer o argumento real do interlocutor para o tornar mais fácil de atacar. Em vez de responder à questão efectivamente colocada, refuta-se uma versão enfraquecida e fabricada do argumento".
Essencialmente, deu-se destaque a isto:
"aquilo que nós fazemos no Ensino Superior é não misturar, é pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso também já agora é que depois elas se degradam, é por isso que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas e é por isso que eu devo-vos dizer, eu pedi ao CNIPES essa reflexão e essas ações, mas confesso que eu não estou nada otimista, nada, porque quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas, nós sabemos que é assim. E por isso que aquilo que nós vemos nas residências e que eu - espero enganar-me -, mas que provavelmente vai continuar a acontecer, é que nós vamos ter residências todas renovadas que daqui a cinco anos vão começar a degradar."
O que é relevante neste destaque, na verdade, não é o que está transcrito, o que é verdadeiramente relevante é que este é o miolo de um parágrafo ao qual se retirou o início e o fim, exactamente porque esse princípio e fim impedem a leitura do miolo que se pretendeu fazer.
"E para a mobilidade social, que eu gosto muito de falar, se há coisa mais importante e é por isso que eu sou um grande defensor da Escola Pública, se há coisa que é importante para a mobilidade social e para a democracia é a mistura de extratos sociais e aquilo que nós fazemos no Ensino Superior é não misturar, é pôr nas residências universitárias os estudantes dos meios socioeconómicos mais desfavorecidos e por isso também já agora é que depois elas se degradam, é por isso que elas depois se degradam, é por isso que elas depois não são cuidadas e é por isso que eu devo-vos dizer, eu pedi ao CNIPES essa reflexão e essas ações, mas confesso que eu não estou nada otimista, nada, porque quando nós metemos pessoas que são basicamente todas de rendimentos mais baixos a beneficiar do serviço público nós sabemos que esse serviço público se deteriora, é assim nos hospitais, é assim nas escolas públicas, nós sabemos que é assim. E por isso que aquilo que nós vemos nas residências e que eu - espero enganar-me -, mas que provavelmente vai continuar a acontecer, é que nós vamos ter residências todas renovadas que daqui a cinco anos vão começar a degradar. Eu espero que não, mas isso vai ser preciso um esforço muito grande, a reinvenção por parte dos gestores dos serviços sociais, das universidades e dos politécnicos, porque aquele elemento que verdadeiramente faz a diferença, que é nós termos os diferentes estratos socioeconómicos a beneficiar do serviço público, aqui não vai existir, não vai continuar a existir."
A opção comunicacional da oposição de esquerda é tão absurda que acabou com dezenas de pessoas da esquerda democrática a criticar uma ideia claramente social-democrata (os serviços públicos tem de ser de acesso universal gratuito porque orientá-los apenas para os pobres tem um efeito de estigmatização dos utilizadores e resultam em maus serviços públicos), com o argumento de que era uma ideia de direita que ofende os mais pobres.
Eu, por acaso, acho que os social-democratas estão errados nesta ideia, ou melhor, estando de acordo com o diagnóstico de que desenvolver serviços públicos para os mais pobres (ou sob condição de recurso) resulta em maus serviços públicos, discordo da solução de os generalizar a todos, preferindo a solução de deixar a prestação dos serviços aos privados, financiando o Estado o acesso dos que não têm dinheiro para os pagar.
Só que a questão aqui não é eu concordar ou não com o Ministro, que já disse acima que nem por isso, o que é verdadeiramente relevante é que a opção de comunicação da oposição que consiste em aproveitar a indigência do jornalismo para usar a falácia do espantalho, rende, no médio e longo prazo, muito menos que a opção do ministro apresentar argumentos sólidos para as opções que tem vindo a fazer.
Já agora, marginalmente, talvez fosse útil que, neste tipo de situações, os profissionais de comunicação não se entretivessem a medir a distância entre a comunicação real e a comunicação perfeita e insistissem que a boa fé é uma condição imprescindível de comunicação, pelo que, quando o receptor não está de boa fé, não há técnica de comunicação que valha para evitar o conflito.
Tem toda a razão; A pior cegueira é a que recusa a visão.
ResponderEliminarAs declarações do Ministro, a menos que haja má fé do ouvinte (e houve), foram claras, convincentes e irrefutáveis e tem fundamento na realidade observável.
Quando Alberto João Jardim iniciou na Madeira a sua Política de Bairros Sociais juntou nesses Bairros diferentes extratos sociais.
Foi uma excelente ideia e a muito curto prazo, foram evidentes resultados altamente positivos.
Mas outra coisa também ficou evidente; A rápida degradação dos espaços onde residiam extractos mais desfavorecidos.
E era triste ver as diferenças de uma rua para outra e de uma parte do Bairro para outras.
O engraçado e isto prova que AJJ estava certo, o desleixo e até vandalismo dessas áreas tenderam a diminuir e finalmente, a desaparecer
O Ministro tem toda a razão e é de esperar que o escarcéu levantado não o demova e ao Governo, da ideia.
Os bons resultados surgirão rá
pidamente e por certo, serão positivos.
o jornalismo português, na qualidade de fabricantes e vendedores de notícias, coloca no mercado inverdades suportadas por má fé. raramente se menciona algo construtivo porque «quem paga manda dançar».
ResponderEliminareste ou outro governo do PSD estará sempre debaixo deste fogo comunicacional.
imigrantes em excesso suportado pelos serviços do estado (170 mil alunos a aprender português - SNS com constrangimentos vários ...).
os portugueses emigram e os sem abrigo aumentam.
as oposições são uma verdadeira desgraceira porque se baseia na maledicência.
«siga o enterro!»
NEURONAS Relación de volumen entre la sustancia gris y la sustancia blanca en los hemisferios cerebrales: (Fuente: Miller, A.K., Alston, R.L. and Corsellis, J.A., Variation with age in the volumes of grey and white matter in the cerebral hemispheres of man: measurements with an image analyser, Neuropathol Appl Neurobiol, 6:119-132, 1980)
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