segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Sousa e Castro, o 25 de Novembro e a esquerda

50 anos depois dos acontecimentos, Sousa e Castro resolveu dizer o que achava do 25 de Novembro, limitando-o a um ajuste de contas entre militares.


Daqui não vem mal ao mundo, o direito à asneira é sagrado e universal.


O interessante é a forma como uma boa parte da esquerda resolveu cavalgar o que disse Sousa e Castro, cuja obra historiográfica desconheço (nunca li o seu livro, "Capitão de Abril, Capitão de Novembro").


O certo é que 50 anos depois dos acontecimentos, o que implica 50 anos de investigação histórica sobre o 25 de Novembro, a esquerda se tenha lembrado agora que o 25 de Novembro não se pode comemorar, primeiro porque era uma data de dividia, em vez de unir, mais tarde porque não tem muita importância para além daquela que a direita lhe quer dar para diminuir o 25 de Abril.


E para dar força a estes delírios, esquece tudo o que contraria a tese extraordinária de que o 25 de Novembro foi um mero ajuste de contas entre militares, e agarra-se com unhas e dentes às declarações de uma pessoa concreta, que estava lá, que terá informação interessante (até escreveu um livro que balizou exactamente pelo 25 de Abril e pelo 25 de Novembro), mas que não é, nem pode ser, considerado como o intérprete fiel do que se passou em 25 de Novembro (entre outras razões, exactamente porque estava lá, não tem a distância necessária que só um trabalho de estudo que inclua todos os pontos de vista possíveis, e não apenas o que dá jeito em cada momento, pode trazer).


O que se tem passado nestes dias com o que boa parte do povo de esquerda tem vindo a dizer com base no que Sousa e Castro achou certo e útil dizer agora, é a enésima manipulação da história em que a esquerda é fértil, desde que optou por se especializar na propaganda em vez de tentar compreender o mundo.

40 comentários:

  1. Bom dia
    Vivi os tempos do 25 de NOV. de 1975, que depois da Primavera de Abri de 1974, do Verão de 1975, apodei de Tempo de Novembro/Outono.
    Contra a opinião, posta a correr de que o 25 de NOV. veio meter nos carris o 25 de ABR., penso que este foi um obstáculo ao avanço do mesmo e um um início de regresso ao 24 de ABR. de1974.
    O 25 de NOV. foi a quarta tentativa, bem sucedida de obstruir o 25 de ABR, depois das tentativas Palma Carlos/Sá Carneiro em Junho de 1974, de Spínola em 28 de Set./74 e o 11 de Mar./de 75.
    Este movimento de regresso "iniciou-se" no 26 de Abr. de 75, quando o PS, de umas eleições constituintes quis tirar conclusões legislativas e governativas. A contestação foi-se agravando até à Fonte Luminosa e finalmente explodiu no 25 de Nov.
    Este foi cavalgado pela direita legalista e pela extrema direita revanchista - Salazarista, colonialista e Pidesca - cuja primeira medida que quiseram tomar foi a ilegalização do PCP e de todos os movimentos que mexessem à sua esquerda.
    Só por este facto se comprova que o 25 de Nov., não veio para corrigir o 25 de Abr., mas para o fazer regressar a 24 de Abr./74, com neo-marcelistas/salazaristas, travar a descolonização, e ilegalizar os Comunistas de todas as tendências.
    Os tempos, porém, ainda não estavam maduros, mas foram amadurecendo.
    Quando a direita espuma de ódio ao Comunismo, deturpando e inventando posições que não são as dele; quando acusa de esquerda toda a comunicação de jornalistas a analistas políticos, de esquerda - o que devem sofrer os Rogeiros e Milhazes da nossa praça; quando apodam de comunista todos os governos do PS, a sós ou coligados, a que assistimos senão ao envenenamento pela alteração dos facto impostos da esquerda Comunista?
    A direita - e lá está o PS - e a extrema direita, que já tem orgulho de se mostrar à luz do dia, querem que o 25 de Nov. seja, pelo menos com parado ao 25 de Abr., senão mais importante, para verem coroado o seu movimento contrarrevolucionário de dignidade institucional.
    Não duvido que o consigam, até porque têm com eles o Partido do "NIM" (Militantes socialistas nas marchas populares contra a invasão do Iraque proposta pelo sr. Bush, Tony Blair, … clamavam virados para o PS: Nem sim, nem NIM, não!).

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  2. nada se escreveu de interesse sobre o que se passou naquela noite e até afastaram Jaime Neves.


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  3. "...especializar na propaganda em vez de tentar compreender o mundo."


    Está frase retrata e explica também, de forma notável a Esquerda Portuguesa a sua irrelevância e o seu drama.

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  4. li algures «tolices no país das maravilhas»

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  5. aconselho a leitura da entrevista de Barreirinhas a Oriana Fallaci retirada da edição portuguesa.
    esqueceu a intervenção do Chico Rolha.
    e a entrevista: «comeu polada nos cabeça» 

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  6. Pode parecer heresia, mas sempre me pareceu que o 25 ABR foi em grande medida desnecessário.


    A Primavera Marcelista acabaria a curto prazo e inevitávelmente, numa abertura do regime, seguida de democratização ao estilo Europeu.


    De resto com a industrialização acelerada do País e a inevitável e crescente aproximação á Europa, além do crescimento da classe média já bem visível na altura, dificilmente poderia ser de outra forma.

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  7. Boa tarde
    Se mesmo com o cerco ao Parlamento se regrediu como se regrediu, o que teria acontecido se não houvesse cerco?
    Primeiro, "Ditadura comunista", apenas ouço essa denominação em especialistas da direita não esclarecida. A direita esclarecida fala em "ditadura do proletariado". Segundo, cite um documento do PCP, pós 25 de Abril de 1974 que fale em ditadura do proletariado.
     Zé Onofre

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  8. Boa tarde, de passante
    Os Comunista, e não eram só do PCP, até poderiam ter tido apenas 5% dos votos, que não deixava de ser um abuso por parte do PS   tirar ilações governativas, das constituintes, para formar os governos provisórios. Os acordos são para ser respeitados, e muito mais por quem se assume como "o pai e a mãe da democracia", e o acordo era que das constituintes não alterariam a formação dos governos provisórios. Aí começou o "golpe de direita" que culminou no 25 de Novembro.
    Zé Onofre 

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  9. Boa tarde,
    Isso já eu disse muitas vezes e repito-o consigo.
    Para chegar a este ponto o melhore era deixar correr as coisa que aqui estaríamos.
    Zé Onofre

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  10. Sugestão de leitura para os dias que correm: https://leiturasimprovaveis.blogs.sapo.pt/o-fim-da-vergonha-de-vicente-valentim-130831


    Com todo o respeito pelo passado, acho que tem mais interesse hoje olhar para o futuro e construir um país livre e democrático - tarefa manifestamente incompleta.


    Boas Leituras

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  11. Sousa e Castro, pessoa estimável sem qualquer dúvida, mas a árvore impede-o de ver a floresta.
    O Grande Jogo , melhor, a sua conclusão, não se decidia no rectângulo.
    O essencial, o Ultramar, já estava resolvido   -   e aqui ao lado ,Carrero Blanco já fora  "eficazmente removido" . "Sin novedad" na Ibéria...
    O resto "a Deus pertence"...
    Juromenha

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  12. Sempre me pareceu uma fábula o País ter estado á beira de uma Guerra Civil.


    Estava na Madeira por essa altura e mesmo lá as coisas estão muito longe de terem sido como as pintam.


    Uma Guerra Civil sem o PCP ? 


    Sabe-se hoje, de fonte segura que A.  Cunhal não estava disposto a arriscar um banho de sangue.


    E francamente é difícil imaginar uma guerra civil sem o PCP.


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  13. Isto vem fora de contexto mas não resisto;


    Acabo de ouvir casualmente, uma alusão ao perigo Russo.

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  14. Ao autor deste post venho lembrar que o 25 de abril pôs fim a um regime ditatorial, construído por Salazar, com laivos, por folclóricos que fossem, fascistas e nazis. Um tempo que o atrai ou trai, quando pratica a censura. Revivalismos. 

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  15. O Portugal de António Oliveira Salazar nada teve a ver com "Fascismos" muito menos com "Nazismos".


    O Fascismo vigorou na Itália de Benito Mussolini e o Nazismo na Alemanha de Hitler.


    O Portugal de António Oliveira Salazar era Nacionalista, Corporativo e Autoritário mas nunca Fascista, muito menos Nazi.


    Estás foram designações pejorativas que mais tarde lhe foram coladas por uma pseudo-esquerda estéril e inculta.

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  16. Rodrigo Sousa e Castro seria a direita do MFA e do Grupo dos 9, mas não foi pessoa decisiva. A sua afirmação que não havia perigo de uma guerra civil ou mostra que a sua memória já tem estragos da idade, ou simplesmente está a mentir. De resto essa iminência de guerra civil foi confirmada por Ramalho Eanes numa entrevista não há muito tempo
    Falhou a previsão de que Lisboa cairia para a esquerda militar por motivos hoje identificáveis mas ainda está por explicar porque recuaram os fuzileiros depois de já terem dois destacamentos a curta distância do RALIS. Aos que não o sabem, um destacamento de fuzileiros equivale com alguma vantagem a uma companhia de comandos. Destas havia 4, duas que não mereciam total confiança - em 31 de Julho, comandos afectos ao PCP tomaram o quartel, prenderam o segundo comandante major Lobato de Faria e outros oficiais e impediram Jaime Neves de entrar no quartel o que mostra que até comandos foram influenciados pelo que se passou no Verão de 1975 - e duas outras formadas por comandos na disponibilidade que tinham sido propositadamente recrutados e que foram os que actuaram em 25 e 26 de Novembro. Os fuzileiros tinham 11 destacamentos e mais 2 em Vila Franca. 
    Se Lisboa caísse para a esquerda militar a guerra civil teria sido imediata pois tudo estava preparado para isso. Sei-o bem porque, embora a nivel modesto, estava comprometido e com missões atribuídas.

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  17. Bom dia de passante
    Poderíamos passar horas e dias nesta marcha,  que não passa de um marcar passo, por isso penso que o melhor é ficar por aqui porque nada acrescentaremos um ao outro.
    Entretanto chegou para confirmar a minha tese : o 25 de Novembro foi um golpe da direita e extrema direita com a bênção do PS, e hoje lá estarão todos de braço dado na parada do 25 de Novembro.
    Zé Onofre

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  18. Seria bom ler o escrito hoje por ZITA SEABRA no Observador, certamente ficaria mais conhecedor da realidade desses tempos, contada por quem esteve dentro da ação politica nessa epoca.

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  19. Mas a questão é que uma guerra civil tem de ter uma dimensão bastante maior.  


    E francamente, não me parece que uns arrufos na capital tivessem potencial para desestabilizar o País todo.


    Também não acredito que os homens que naquela altura serviam no País todo e Ultramar, tivessem perdido o juízo. 


    Sei que há um desejo muito grande  por parte de certa esquerda aluada, mas isso não chega para que tenha sido.

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  20. É sempre importante repor a verdade numa época em que muitos tentam fazer desavergonhamente a adulteração da história 
    Os meus cumprimentos por isso

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  21. Claro que não devemos temer Putin nem a Rússia eles são uns santinhos vitimas de uma bárbara agressão Ucraniana.  

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  22. Tem sido exibida tanta ignorância sobre o 25 de Novembro de 1975 que decidi alinhavar algumas coisas pouco conhecidas.
    Desde o início do Verão que se sabia inevitável uma clarificação entre forças militares, podendo envolver confrontos, no limite uma guerra civil. E desde o início desse Verão que oficiais não comunistas nem esquerdistas estavam a preparar-se para esse confronto. A grande lição do 11 de Março, foi que quem iniciasse o confronto, seria prejudicado. Assim houve um jogo de gato e rato que durou meses.
    Talvez a primeira data chave tenha sido 12 de Setembro, quando os membros moderados do Conselho da Revolução conseguiram em votação, substituir o brigadeiro Corvacho, próximo do PCP, pelo brigadeiro Pires Veloso. A partir daí tudo se começou a movimentar. Pires Veloso, com mexidas nas unidades garantiu o controlo efectivo de toda a região. A partir daí, o general Quartel-Mestre-General, começou lentamente a reduzir a dotação de combustível nas unidades do Sul e a reforçar as do Norte. Ao mesmo tempo o general Vasquez, da FA, em doses pequenas para não dar nas vistas, começou a enviar aviões para Cortegaça, deixando em Monte Real, Ota, Alverca, Figo Maduro e Montijo, para serem vistos, apenas os que não podiam voar. Já em Outubro, Ramalho Eanes, na prática um instrumento de Melo Antunes (não assinou o Documento dos 9 para não dar nas vistas), iniciou discretamente uma série de contactos informais em unidades para avaliar a correlação de entre oficiais esquerdistas, anti-esquerdistas e não alinhados (a maioria). "A promising young lieutenant-colonel in some quick inspections" como escreveria "The Economist", como de costume melhor informado do que os jornais portugueses. 
    Após a independência de Angola em 11 de Novembro ou seja, já sendo possível que o Cominform perdesse o interesse em tentar uma Cuba em Portugal, só faltavam duas coisas: primeiro a adesão de Costa Gomes, essencial para que a maioria de oficias não comprometidos ganhasse coragem para impedir as suas unidades de alinharem com o COPCON; segundo, provocar a iniciativa dos esquerdistas. Isso foi conseguido pelo gen. graduado Morais e Silva, CEMFA que mandou passar à disponibilidade cerca de 1000 paraquedistas de Tancos o que levou directamente à sua revolta.
    Na manhã 25, aviões vindos de Cortegaça sobrevoaram a baixa altitude Lisboa e Setúbal, mostrando de que lado estava a força decisiva se se chegasse a tanto. Costa Gomes já tinha anuído em 24 e em 25 substituiu Otelo por Vasco Lourenço no Comando da RML Terá sido este conjunto de factos - a legalidade representada por Costa Gomes e a demonstração de força da FA - que impediu unidades tidas por esquerdistas e até o próprio RALIS de saírem em apoio dos paraquedistas em Monsanto. Zita Seabra, diz que foi a demonstração de força da FA que levou Cunhal a dar ordem de desmobilização às estruturas do PCP mas isso não cola, porque a ordem foi, pelo menos do dia anterior.
    (a continuar)

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  23. A propósito de agressões bárbaras talvez convenha recuar até 2014 e ao que ficou conhecido por "Acordos de Minsk".


    Rever tudo o que por essa altura foi combinado e depois o incumprido e por quem.


    O que se seguiu foi uma consequência.

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  24. A pertença à mocidade portuguesa não era obrigatória e a generalidade das actividades que vi (penso que nunca estive na mocidade portuguesa, não me lembro) eram mais próximas dos escuteiros que de exércitos.
    O seu comentário é uma boa demonstração da manipulação da história.

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  25. Ou melhor, foi obrigatória (mais ou menos, mas formalmente sim) até 1971, depois foi o próprio Estado Novo que acabou com essa obrigatoriedade.

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  26. Tem é que se recuar a 1994 ao memorando de Budapeste em que a Ucrânia a troco de ter entregar o arsenal nuclear à Russia recebeu garantias de independência soberania e integridade territorial, dos Estados Unidos Reino Unido e imagine-se da Rússia ...
    Os acordos de Minsk tentaram por fim aos combates na região do Donbas depois de a Rússia ter introduzido militares travestidos de civis nessa região para provocar a secessão dessa região 

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  27. Em que ficamos? Eu disse primeiro uma coisa que não estava correcta e depois corrigi, ficamos no que estava correcto (A mocidade portuguesa foi formalmente obrigatória, mas na verdade nunca levou à prática essa obrigatoriedade e o próprio Estado Novo acabou com essa obrigatoriedade).
    Quem manipulou a história foi o camarada anónimo, ao pretender que a mocidade portuguesa era uma organização para militar (foi criada à imagem da juventude hitleriana, sim, semelhante às múltiplas juventudes do mesmo tipo que existiam nas grandes ditaduras do século XX, incluindo as ditaduras comunistas, mas muito poucos anos depois foi profundamente remodelada para a distanciar de uma organização paramilitar e a aproximar de movimentos de juventude como o escutismo e da igreja) obrigatória que fornecia preparação militar aos seus membros, esquecendo que está a aplicar a todo um Estado Novo características que apenas se verificaram durante meia dúzia de anos, se tanto.
    Sim, não me lembro se cheguei a fazer parte da mocidade portuguesa, mas lembro-me da sua existência e do tipo de actividades que faziam, qual é mesmo a sua questão a este respeito.
    Para além de querer mandar na história também quer mandar na minha memória?

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  28. Recorda o que lhe convém, esqueceu-se foi de si próprio. Depois de reconhecer que, afinal, a Mocidade Portuguesa existiu e que foi criada à imagem da juventude hitleriana, ignora —- a sua memória é preocupante — que me acusou de manipulação em relação ao meu testemunho. Utilizando as suas palavras, tentou mandar na minha memória. Eu sei que está na moda a estratégia da inversão da verdade, mas convém não ser tão tosco.
    P. S. Agradeço a sua afabilidade, decerto fruto do entusiasmo com que distorce a realidade, em tratar-me por camarada. 

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  29. Em relação ao processo de intenções com que começa o seu comentário só me ocorre perguntar-lhe por que razão perde tempo a ler e comentar coisas de um tipo que, na sua opinião, é desonesto.
    De resto, o seu comentário é de facto uma manipulação dos factos, a Mocidade Portuguesa, na primeira meia dúzia de anos (que, evidentemente, não tinha a abrangência que pretende, diga a legislação o que disser) até poderia ser o que o seu comentário diz que era, a manipulação está em esquecer-se que a caracterização que fez foi logo alterada nos anos 40, pelo próprio regime, do que resulta que a mocidade portuguesa não foi nada do que diz.
    Tinha fardas, era nacionalista, fazia a saudação romana, mas nada disso a transforma numa organização para militar, que não era.

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  30. Vamos lá com calma.


    2000 Anos antes os Romanos saudavam, braço estendido á altura do rosto.

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  31. No que toca ao tal comissário, o homem até podia ter as suas manias (isso é como a história da "Presunção e Água Benta"), não me parece é que sirva de padrão para classificar o Regime.


    E também não me parece estranho por aí além, que muitos indivíduos adoptem comportamentos, modismos, tiques, etc., alinhados com os modismos do seu tempo. 
    Basta sair a rua e olhar á volta.

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  32. O Mussolini não era nazi, nem o Hitler era fascista. 

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  33. Registo os progressos … 

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