quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Órfãos de candidato

Há um grupo muito activo nas eleições presidenciais que tem uma característica muito divertida: estão órfãos de candidato.


Grande parte da aristocracia do PS e arredores, fortemente presente na comunicação social, na academia e em todo o lado que influencia o debate público não conseguiu arranjar um candidato a presidente da república disposto a sofrer uma humilhação eleitoral desagradável.


Em consequência há um cenário de que este grupo tem bastante medo.


O risco maior não é um candidato de direita ganhar a presidência, todos sabemos que isso não afecta grandemente este grupo e até lhe pode ser útil por lhe permitir responsabilizar terceiros pelos problemas do país.


O risco maior é António José Seguro ganhar as eleições, reduzindo a influência desse grupo no campo político de que se acha dono.


Os pequenos partidos da pequena esquerda têm cada um o seu pequeno candidato, mas daí não vem mal ao mundo, limitam-se a uma actividade burocrática de fixação do eleitorado e aproveitamento das oportunidades de propaganda dos seus pontos de vista, na verdade, não contam para nada.


Na direita, temos Ventura entalado entre a falta de comparência do Chega e o risco de uma votação claramente abaixo dos 20%, mas não lhe restou outra alternativa, depois da derrota clara nas autárquicas, que não fosse tentar estancar a ideia de que o Chega não chega para as encomendas.


Temos Cotrim, como de costume, a tratar da sua vidinha, tentando demonstrar que, seja qual for a circunstância política nas próximas europeias, ele é indiscutivelmente o cabeça de lista.


Temos Marques Mendes.


Para estes órfãos de candidato de que estou a falar, sobra uma estratégia destrutiva: o fundamental é impedir que António José Seguro ganhe as eleições.


Como por razões partidárias estão "impedidos" de apoiar outras candidaturas estritamente partidárias, não dizem em quem votam, para não se comprometer, ao mesmo tempo que deixam a ideia de que António José Seguro não é um voto seguro ou apoiam Gouveia e Melo (com o resultado prático de diminuírem também a candidatura de Gouveia e Melo, que naturalmente perde votos de cada vez que um Manuel Pizarro, um Francisco George, e outros do mesmo grupo, o apoiam).


O tempo dirá qual o efeito destas manobras, mas o facto de elas existirem, em consequência dessa orgulhosa esquerda não ser capaz de gerar uma candidatura que, ao menos, perdesse com honra, diz bem do estado comatoso e da representatividade desse grupo que, há anos, tem uma representatividade na comunicação social, na academia, no espaço público, claramente desfasada da sua pequena representatividade na sociedade.

18 comentários:

  1. quando vejo estes intelectuais de esquerda recordo sempre esta frase de Pitigrilli na 'decadência do paradoxo':



    cadaúnus qui eum possidet, guardat sicut thesourum galhofarum, almarium finarum coisarum, petisqueiram celebrem in pandiga tionibus divertitis 

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  2. Sinceramente,  penso que tirando comentadores e icomentadores, ninguém quer saber destas querelas intra-partidárias.

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  3. Para os orfãos há sempre adoções.

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  4. Já agora seria interessante saber os Porquês da atenção deferente que essa parcela que designa por "aristocracia do PS", beneficia por parte da Comunicação Social.


    Não parece é que o Almirante Gouveia e Melo perca votos com o apoio de  Francisco George ou Manuel Pizarro.


    São duas pessoas estimáveis, mas não têm força gravitacional para mexer com a votação do Almirante Gouveia e Melo.


    Como se verá.

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  5. As próximas eleições europeias são só daqui a 3 ou 4 anos, que é muito tempo, e nada têm a ver com eleições presidenciais. Não é por um indivíduo ser agora candidato presidencial que tem lugar na candidatura europeia daqui a 3 ou 4 anos. Parece-me pois que este período do post não faz muito sentido.


    Eu diria antes que Cotrim está com um ataque de narcisismo agudo, que o leva a pensar muito melhor de si próprio do que na verdade é, e a acreditar que todos vêem nele a maravilha que ele próprio vê.

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  6. Parasitas "amesendados" , toda essa cáfila .
    Juromenha

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  7. Há um aspecto que causa perplexidade nestas eleições, e que obviamente inquina o processo: os três grandes canais abertos de televisão não tratam as várias candidaturas com equidade, pois nos debates apenas participam os candidatos que esses canais entenderam convidar. Isto dá origem, como é bom de ver, a uma desigualdade de tratamento.
    Esta situação não é nova: há cinco anos a mesma questão foi colocada e na altura a justificação das televisões era a de que só tinham convidado para os debates os candidatos com apoio declarado de um partido com assento parlamentar. É um critério discutível, mas é um critério.
    Só que desta vez este critério não serve, porque o almirante Melo não tem o apoio de nenhum partido. E, nesta situação, o que causa maior estranheza não é o facto de os canais convidarem apenas os candidatos que lhes dão mais audiência (embora no caso da RTP isso seja mais questionável, dada a sua missão de serviço público), e sim a passividade com que a ERC permite semelhante arranjinho.

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  8. não possuo bola de cristal

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  9. É um ponto de vista. Eu tenho outro diferente: um tipo que põe um partido frágil de pantanas apenas para poder ir para deputado europeu é perfeitamente capaz de dar tudo por tudo para ter uma melhor votação que o partido numa eleição unipessoal como forma de demonstrar que o partido só ganha em o candidatar como cabeça de lista nas próximas europeias.

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  10. Se queres que te diga, eu acho que o que é escandaloso é as televisões adoptarem um comportamento de cartel em vez de entrevistarem quem quiserem, com os critérios que quiserem.

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  11. Ui, que o post pisou o calo de um anónimo aristocrata da casta ...

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  12. É questionável e condenável.


    Alguém devia dizer um par de coisas em voz alta a bem da oxigenação e respirabilidade do ar.


    É que mesmo quando a Lei não obriga, a lisura e a decência caiem sempre bem.

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  13. Aparece aqui um anónimo a elogiar Francisco George.
    O nome e a figura causam-me repulsa só de pensar que este pasquim quando na Cruz Vermelha para agradar ao dono PS, empurrou para o desemprego,( visto na TV) pessoas do Norte e do Algarve. Recordo-me de uma no Porto chorar frente à TV que ele e a mulher foram despachados.

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  14. Um índice para corroborar este post: o programa "humorístico" da rádio pública, esta semana já gozou 3 vezes com o Seguro (aliás, muitíssimo bem imitado), acrescentando-o aos habituais Ventura, Montenegro, Nuno Melo, Gonçalo da Câmara Pereira, Cavaco Silva e Donald Trump.

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  15. Boa tarde Henrique, 
    Gosto de o ler e respeito as suas opiniões (pois se são suas, havia de fazer o quê?).
    Contudo importa referir que Cotrim abandonou a liderança do partido em 2022 num cenário de maioria absoluta do PS, alinhando os ciclos de eleição interna do partido e tentando dar tempo ao líder seguinte para se consolidar antes das legislativas seguintes. Não conseguiu, pois o governo de maioria absoluta caiu nem 2 anos volvidos. Penso que ninguém o previu ou podia prever... Falar, por isso, em calculismo parece-me claramente excessivo.
    Percebo contudo o efeito 'João Ferreira' desde aí, porém dadas as alternativas é de longe o mais competente para o lugar de PR. Se não ganhar, já é eurodeputado nada muda. Se ganhar (feito dificil mas não impossível), duvido que se candidate a eurodeputado, terá 67 anos...
    Abraço

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  16. Nada disso explica por que razão decidiu demitir-se (da forma como o fez) e não cumprir as responsabilidades que assumiu com os militantes da IL quando se candidatou.

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