Já por aqui falei de José Pimentel Teixeira, com quem me cruzei pessoal e brevemente uma ou duas vezes, mas que conheço digitalmente por causa da sua vida moçambicana e o que sobre ela foi escrevendo (já agora, tem um novo livro, ainda não comprei nem li, mas tenciono fazê-lo, porque gostei do anterior).
Por isso, quando foi inaugurada esta exposição de que aqui se fala, vi os seus comentários críticos.
Não foi por causa deles que fui ver a exposição, na verdade fomos numa visita guiada, porque a minha mulher achou boa ideia, o que acabou por retardar bastante a visita.
Não conheço a comissária da exposição (Isabel Castro Henriques), mas fui lendo coisas dela aqui e ali, incluindo algumas entrevistas, e fiquei espantado com afirmações taxativas que ninguém, rigorosamente ninguém que eu conheça (incluindo os meus irmãos mais velhos, eu tinha dois anos quando saí da terra onde nasci, e nem do que almocei ontem me lembro, quanto mais do que se passava lá quando tinha dois anos), confirmava, nomeadamente a existência de um apartheid formal ao ponto de haver um cinema para brancos e outro para pretos em Nova Lisboa, onde Isabel Castro Henriques viveu brevemente, por ter ido lá casar com o seu primeiro marido que, esse sim, conheço bastante bem.
A visita foi guiada por um dos seus netos, antropólogo (João Moreira da Silva) e estive um bocado à conversa com ele, quer porque conheço uma das tias, minha colega, quer porque conheço (e tenho bastante respeito) o pai, Jorge Moreira da Silva mas sobretudo porque me parecia uma exposição manifestamente inclinada ideologicamente, com afirmações que a minha experiência africana manifestamente não confirmava.
Devo dizer que fico contente que, lentamente, comentários despretensiosos, mas sólidos, como os de José Piementel Teixeira, acabem por, meses passados, chamar a atenção para o facto de se estar a fazer contrabando ideológico com dinheiros públicos, através de uma colonização profunda das instituições relacionadas com as ciências sociais, em especial as académicas ou as que têm relações estreitas com a academia (notável a afirmação de que não se responde a comentários das redes sociais, a ser verdadeira a transcrição referida na notícia).
Quando alguém fez referência ao post que fiz sobre a doideira de Simone Tulumello resolver fazer um artigo terraplanista sobre o mercado da habitação, respondi, candidamente, que há disto em todo o lado, embora reconheça que é mais fácil alguém contestar ideologicamente uma lei fundamental da economia que da física.
A resposta foi menos ingénua, chamando-me a atenção para a coligação perversa entre jornalismo ideológico e academia igualmente ideológica, em que a presença de investigadores no espaço mediático se constitui como uma vantagem de progressão das carreiras, ao abrigo de um nebuloso conceito de disseminação e impacto da investigação: o jornalista escolhe quem sabe o que diz o que o jornalista quer dizer, para o que a respeitabilidade académica dê credibilidade à agenda da jornalista, e o escolhido beneficia da exposição mediática para reforçar a sua respeitabilidade académica.
Dir-se-á que nada disto tem importância, que se resolve com o tempo.
Sim, em parte é verdade, mas basta ler o artigo de hoje de João Pedro Marques para perceber que não é assim tão simples, a profundidade das dimensões ideológicas que encharcam as redacções dos jornais, a academia e as instituições do Estado ligadas à educação é avassaladora, e vai demorar muito tempo até ser, não digo resolvida, mas ao menos contida nos seus efeitos negativos.
Deixe lá.
ResponderEliminarAs pessoas sabem muito bem o que a casa gasta.
É fácil confirmar; são os jornalistas que se queixam e não as pessoas.
o assunto mais importante das necessidades desta 'republiqueta' é o da grávida que morreu no hospital.
ResponderEliminarpelos pedidos de demissão este governo já devia ter tido no mínimo 100 ministras da saúde.
mete dó ver a esquerda e direita politiqueira e 'comentadeira'.
nomes de políticos:
PS: carneiro, cordeiro, cabrita, leitão, coelho
PSD: carneiro, leitão, coelho
Por isso os blogues e podcasts sao populares, não têm amarras ideológicas, apenas se gerem por factos
ResponderEliminarOnde estão as Notícias sobre o que acontece na Nigéria?(ou outro país africano com situação similar) No YouTube, não nos jornais e tvs
ResponderEliminarhttps://youtu.be/HeU1yt9Awd4?si=_ADmhllQE8XTHkGB
Ou seja:
ResponderEliminarPS - Tiro Liro Liro
PSD - Tiro Liro Ló
Se calhar, depois do jantar, ou talvez amanhã, algum jornalista se lembre de ir ver o que se passa na Nigéria, no Sudão, ou em Moçambique, ou arredores.
ResponderEliminarMas em havendo futebol, atenção, que ouvir o relato é um direito e faz parte da cidadania.
A boa notícia é que o Guterres vai já para lá fazer um discurso sobre a Fraternidade em Democracia. Se
?! os blogues, podcsts têm tmbém. Todos temos os nossos bias e bias que aé podem estar correctos.
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ResponderEliminarhttps://youtu.be/yGSFcDg5SvU?si=98qX-z3S1I0ILtuo
há umas dezenas de anos houve uma tentativa de separação.
ResponderEliminardepois de venderem negros vendem crude e gás.
«a bola é quinstrói, o fado é quinduca»
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