quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Presidenciais

Agora que as pequenas celebridades paroquiais, como Sampaio da Nóvoa, Centeno ou Augusto Santos Silva, parecem estar definitivamente fora do assunto, temos já uma ideia do conjunto de candidatos relevantes para as eleições presidenciais, salvo alguma surpresa de última hora.


Aparentemente, temos três pessoas que querem e podem ser presidentes da república, Gouveia Melo, Marques Mendes e Seguro.


Esquecendo os candidatos folclóricos, temos depois um conjunto de pessoas que, como soldados disciplinados, estão a executar manobras de interesse partidário, mas sem qualquer interesse fora dos círculos da militância partidária e respectiva extensão mediática.


Sei o risco de fazer previsões tão taxativas sobre o futuro, mas parece-me que, neste caso há boas razões para, salvo surpresas de última hora, se admitir que os três primeiros podem ir à segunda volta e ganhar, os outros não têm grande hipótese de ir à segunda volta, excepto Ventura que, indo à segunda volta, perderia sempre com qualquer dos outros.


O que é diferente nestas eleições, em relação às anteriores, é que o voto da primeira volta não é irrelevante, quer porque há quatro pessoas que podem, em princípio, ter votações que os levem à segunda volta, quer porque três deles ganham facilmente se Ventura for à segunda volta, ou seja, na verdade, no caso de Ventura ir à segunda volta, o presidente é escolhido na primeira volta ao ganhar a corrida entre os três outros que podem passar à segunda volta.


Ventura é, dentro dos candidatos, o que parece ter um eleitorado mais seguro, cerca de 20% dos votos, mas tem dois problemas: 1) Na segunda volta não consegue aumentar o suficiente essa votação; 2) A ideia de que o seu eleitorado é mais seguro que o dos outros parece-me por demonstrar, é plausível, mas não é nada segura.


Gouveia Melo começou com boas indicações mas alienou grande parte do eleitorado de protesto ao hostilizar o Chega e escolher ter ao seu lado demasiada gente de quem se pode questionar parte do seu passado. Ao mesmo tempo que não tem grande coisa a oferecer ao eleitorado do centro moderado, quando comparado com Marques Mendes e Seguro, isto é, Gouveia Melo meteu-se por atalhos, e agora está metido em trabalhos. Acresce que a manobra partidária da Iniciativa Liberal pode ir buscar um ou dois por cento do eleitorado potencial de Gouveia Melo, e isso ser fatal na corrida para a segunda volta. Por outro lado, pode beneficiar da vontade da esquerda do PS castigar a ousadia de Seguro, pondo-o no seu lugar, o que aponta para o voto em Gouveia Melo na primeira volta.


Marques Mendes tem boas hipóteses de passar à segunda volta, com mais dificuldades que as que pensaria, mas tirando o caso de ser Ventura o seu adversário, não é nada linear que consiga ganhar uma segunda volta com Gouveia Melo e, sobretudo, com Seguro.


Sobra Seguro (em que, em princípio, vou votar) cuja principal dificuldade é passar à segunda volta, já que, se lá chegar, em princípio ganha a qualquer um dos outros três potenciais adversários.


Diria, com uma enorme incerteza, que se boa parte do eleitorado se estiver nas tintas para as manobras partidárias, e ignorar a tontice de estar a ver se é o PC, o BE ou o Livre que tem mais preponderância na esquerda radical, Seguro tem boas hipóteses, se os meninos da esquerda radical andarem a brincar no recreio para saber quem é o maior, provavelmente elegerão Gouveia Melo ou Marques Mendes como presidente da república.


Felizmente para nós, se o país e as instituições aguentaram dez anos de Marcelo, aguentam qualquer coisa, até porque, como tem demonstrado, e bem, Montenegro, o presidente da república pode ser reduzido à sua insignificância, no caso de optar por falar muito e não dizer nada.

39 comentários:

  1. Estranho não fazer referência ao candidato Tinoco Faria! Não a ocnsidera «pequene celebridade paroquial». Será que o mete no mesmo saco dos «candidatos folclóricos»?! Se sim, nem parece coisa sua! 


    Cordiais cumprimentos
    Luís Fernandes

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  2. «isto não é um país: é um local mal frequentado»: excesso de imigrantes, sindicalistas e políticos de esquerda em bicos de pés.
    «pib igual ao da média europeia daqui a 20 anos».
    «faltam 150 a 200.000 casas».
    «divida duplicou desde 1995».
    Conclusão: atualmente qualquer borra botas serve para PR.


    os meus sentidos pêsames pela morte de Francisco Balsemão. Faz muita falta GENTE como ele.
       

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  3. Tenho a vaga memória de Augusto Santos Silva, ter aventado em tempos,  a hipótese de uma porta secundária na AR para o Chega entrar e sair.


    Se estiver certo teremos certamente  um cérebro e um cúmulo de  democracia na presidência.


    Vai ser um espectáculo ver a cara do André Ventura entrando pela porta dos subalternos.


    Mas é muito bem feito, para ele e todos os outros como ele, aprenderem a estar do lado de todos os portugueses.

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  4. Isto para mim é tudo menos óbvio. Acredito que numa segunda volta Seguro bata Ventura facilmente. Bater Marques Mendes ou o almirante é que já não é nada evidente que consiga.

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  5. O fascínio por militares é forte, mas passa depressa. No fundo, o povo gosta deles laicos e civis.
    Num mundo cada vez mais infantilizado, Vieira tem uma palavra a dizer.

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  6. «seguro e natural» anúncio de pensos higiénicos

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  7. esqueci o invencível MONSTRO burocrático

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  8. A eleição presidencial ganhou mais um candidato. Parabéns!

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  9. Devia haver apostas sobre estas coisas como há em Inglaterra.


    Se houvesse, apostava forte no Almirante.


    O frenesim exibido pelos outros quer dizer uma só coisa; 


    Gouveia e Melo come-os a todos ao pequeno almoço.

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  10. Nasci em 80 por isso não tenho grande memoria de Ramalho Eanes, mas a reboque do podcast "A eleição mais louca de sempre" e de outros conteúdos, fui percebendo que a aura de estadista conquistada pelo General Ramalho Eanes vem da pós presidência, porque como Presidente da República, arrisco a dizer, terá sido o pior, destes 50 anos de democracia. Gouveia e Melo será um "flop", não é um "anti-Marcelo", mas não é um grande risco, porque graças a Eanes, a figura do presidente é essencialmente representativa. 
    Se procuram a antítese de Marcelo, então claramente será António José Seguro. 

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  11. Peço desculpa mas tem pouco a ver com "fascínio por militares".


    Tem a ver com Competência, Treino, Formação, Comando e esse tipo de coisas.


    Lembrar-se-á certamente, da pandemia e do forrobodó que foi a fase inicial da vacinação com zum-zuns de amigalhaços, favoritismos, etc.


    Alguém se lembrou dos militares, foram buscar o Almirante de um dia para o outro a coisa passou a funcionar.


    Dez milhões de Portugueses foram vacinados e a coisa foi feita com tal mestria que até pareceu fácil.


    Também já ouvi esta coisa extraordinária; o Almirante não tem experiência política.


    Felizmente não tem. Tem é outro tipo de capacidades, treino e  conhecimentos.




    Dito de outra maneira tem o tipo de capacidades e conhecimentos que são necessários quando a coisa fica feia e a tal "experiência política",  simplesmente não resolve.

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  12. Gosto sempre destes posts.


    Dando o meu bitaite, acho claro que Ventura chega à 2a volta (pelas razões que refere) e será acompanhado por Seguro. Na 2a volta, acredito que Seguro vença facilmente.

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  13. "Felizmente para nós, se o país e as instituições aguentaram dez anos de Marcelo, aguentam qualquer coisa, até porque, como tem demonstrado, e bem, Montenegro, o presidente da república pode ser reduzido à sua insignificância, no caso de optar por falar muito e não dizer nada"
    Neste caso o presidente da república serve para quê?
    Talvez um Rei fosse mais útil e gastasse menos dinheiro aos contribuintes.
    Para quando um referendo sério para a mudança de regime?

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  14. Antônio José Seguro e L Marques Mendes, ganhariam muito em prestígio e consideração Nacional, se retirassem já as candidaturas, disponibilizando o seu apoio ao Almirante Gouveia e Melo.



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  15. de um dia para outro.
    Claro que foi

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  16. Hayek ensinou que o Estado não tem informação que lhe permita tomar decisões sobre tudo. Nem tem informação, nem tem capacidade de processamento dessa informação. Por isso, o Estado não consegue planear corretamente, ao contrário daquilo que o socialismo propõe.

    Analogamente, o Estado não tem informação sobre que imigrantes são necessários, para que profissões, etc.
    Hayek ensinou que só o mercado, através do sistema de preços, dispõe da informação, de uma forma descentralizada.
    Analogamente, só o mercado de mão de obra dispõe, de forma descentralizada, da informação sobre quantos imigrantes são necessários, paa que profissões e com que especializações, etc.
    Por o Estado a planear o fornecimento de mão de obra imigrante à economia é tão anti-Hayek como por o Estado a planear o fornecimento de aço ou plásticos a essa economia.
    (Imagine agora o estado do futebol português se o Estado andasse a controlar quantos e que futebolistas estrangeiros eram autorizados a vir jogar em clubes portugueses...)

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  17. Um Rei teria para já uma vantagem óbvia; ficava mais barato.


    Só tenho uma questão. 


     Não sendo o Rei coisa que se vote, uma vez posto lá, lá fica até que Deus Nosso Senhor o leve.


    Sendo por assim dizer definitivo que fazer no caso de Sua Magestade revelar um desajuste nos parafusos neuronais ?


    Se disse bacorada peço desde já desculpa, confesso a minha profunda ignorância nestas questões 

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  18. Caríssimo. 


    O que sugere equivale a esperar que um dia as galinhas aceitassem um referendo para abrir a porta do galinheiro.

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  19. Sim, o actual sistema político foi desenhado pelos "constitucionalistas de Abril". Assim se explica a forma como foram atribuidos, na sua, deles, Constituição, (nunca sufragada pelos cidadãos) os poderes políticos, Executivo, Legislativo e Judicial, nesta partidocarcia.

    As eleições, indirectas, para os escolha dos legisladores e as eleições, directas, para a escolha de um Presidente são ambas apenas longínquamente consequentes para quem não está perto de esse dois poderes políticos.

    Aquela Constituição desenhou um Presidente, eleito nominalmente, mas que não é o Executivo. Resta-lhe temporariamente comportar-se com dignidade sim, inócua muito, de um mestre de cerimónias entre o Tribunal Constitucional e o PM.
     
    O PM, o Executivo, por seu lado actua rodeado pelos seus deputados, todos escolhidos a dedo e exclusivamente dentro do seu partido. Na verdade por muito brilhantes que sejam serão sempre apenas uma, mais ou menos óbvia mas aberrante, claque do Primeiro Ministro, na Assembleia desta República. E a prática, infelizmente, isso tem demonstrado. Afinal apenas representam o seu PM, o líder do seu partido.
    O poder Judicial é uma assaz curiosa, constitucional, selecção do Executivo/Legislativo.
    Assim sendo aquela, esta Constituição autorga demasiado poder a um só personagem, o PM.
    A escolha individual dos "nossos" deputados e consequente controle eleitoral, não existe.

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  20. Com qualquer um dos três a agenda globalista ganha outra vez. 

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  21. Sendo que, em cima disso que refere (ou paralelamente) está a associação dos partidos ditos de poder (desde 1976 pelo menos) aos interesses internacionalistas,representados ,por exemplo , naquele clube que veio reunir em Lisboa (Hotel Pestana palace na Lapa)em 2023. Isto além, obviamente, dos poderes mais evidentes (eficientes a retirar a soberania de países membros) da UE e etc etc. 

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  22. O Estado não tem informação porque não a tem sobre as pessoas cujas preferências determinam o mercado. Não é assim no caso da imigração em que a última sondagem mostrou 71,7% preocupados ou desagradados com os números da imigração. E foi clara a diferença entre imigrantes dos PALOP e do Médio Oriente e indostânicos. Portanto o Estado tem suficiente informação para legislar no sentido de diminuir o fluxo migratório e seleccionar as origens desse fluxo. Já não a teria para fixar quotas pois não sabe quantificar as necessidades da economia. No entanto, poderá ser obrigado a fazê-lo por falta de método alternativo e aí, deverá monitorizar as actividades económicas que mais usam imigrantes - agricultura, hotelaria, restauração e construção - e variar as quotas de acordo, talvez mesmo com uma rubrica anexa ao OE.
    Não seria difícil essa monitorização , dando mais meios (deslocando excedentes) ao INE e, sobretudo, trabalhando em colaboração com as associações empresariais.
    A referida selecção pelo mercado, neste campo que é o da imigração sem qualificações, não funciona porque não há mercado. Este está totalmente impedido de funcionar pelo ordenado mínimo e pela teia das leis laborais.

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  23. Acabo de ver a sondagem.


    Como seria de esperar, o Almirante Gouveia a Melo já está por larga margem, na dianteira.


    E a coisa ainda nem começou.


    Grande vitória para Portugal.

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  24. Qualquer pessoa que preze valores como competência, estabilidade, decência e sentido do dever, estará sem hesitações ao lado de Gouveia e Melo.

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  25. Incluindo a IL. (Penso eu de que)

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  26. Questões orçamentais à parte, não vejo em que medida uma monarquia seja melhor que uma república. É que na república qualquer cidadão pode aspirar chegar ao mais alto cargo da nação, ao passo que na monarquia esse privilégio está reservado a um conjunto muito restrito de pessoas que ninguém escolheu. E eu prefiro ter a liberdade de escolher quem quero que seja o chefe de estado.

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  27. Gonçalo, qual seria a vantagem de periodicamente, a bandeira do país ir a votos e qualquer pessoa poder apresentar uma proposta?
    Qualquer pessoa poderia aspirar a ter a sua bandeira como símbolo da nação, é verdade, mas isso é melhor que ter um símbolo que é reconhecido pela generalidade das pessoas?

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  28. Henrique parece-me que a comparação não é a mais feliz.
    Os cargos, como as bandeiras, são estáveis, e representam a nação - cá e lá fora.
    O que muda não são as bandeiras nem os cargos, que continuam a existir, e sim os seus titulares.
    Um dos princípios da democracia representativa (que não é o meu sistema preferido, mas é o que temos) é o de que as pessoas podem escolher os seus representantes. Numa república, como a nossa, isso é possível. Numa monarquia isso não acontece e os cidadãos não são todos iguais perante a lei.
    Claro que se pode mudar a bandeira, tal como se pode mudar o regime, mas isso já não seria feito através de uma eleição periódica.

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  29. Nas monarquias constitucionais, os poderes do rei são praticamente inexistentes, o seu papel é mesmo o de ser um símbolo da nação, nada mais que isso.
    E isso tem grandes vantagens em momentos críticos, como quando a família real dos países baixos resolveu usar estrelas de david ou juan carlos deixou claro que não apoiava os golpistas.
    Sim, tem um problema de direitos humanos: é desumano obrigar alguém a ser rei, mas é a vida.
    Nota que há muitas formas de monarquia, incluindo electivas, como no papado, que é a única monarquia absoluta electiva do mundo, actualmente.

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  30. A minha questão não é com obrigar alguém a ser rei (a pessoa em questão pode sempre renunciar) mas sim com o facto de que só um conjunto de "ungidos" o poder vir a ser.
    Imagina que amanhã o país decidia passar a ser uma monarquia. Como se escolhia o rei? Passava a ser o Duarte Pio só porque descende de um antigo monarca e os portugueses não eram tidos nem achados nessa escolha?

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  31. Isso é da vida, acontece em milhares de actividades e é irrelevante.
    A forma da escolha do rei é irrelevante (pode ser por moeda ao ar), no caso do papado, por razões evidentes, não existe sucessão dinástica, mas escolha electiva do monarca.
    A razão para a escolha dinástica é que tem funcionado bem (não é perfeita, é uma das melhores maneiras de resolver o conflito inerente à escolha) ao longo de séculos, mas é irrelevante.
    Se preferires uma monarquia electiva, podes adoptá-la: o rei é escolhido pelas pessoas e quando morre, escolhe-se ouro, o problema é que o conflito à volta disse é muito maior que numa via dinástica, em que as regras estão definidas à partida e a escolha do rei não depende da pessoa em concreto.
    Repara que tem havido alguma discussão sobre a escolha dos deputados por sorteio, e não é linear que o resultado final não fosse mais útil que a escolha eleitoral.

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  32. Não concordo nada com a visão de a escolha do chefe de estado ser irrelevante. Pelo contrário defendo que os cidadãos (ou súbditos, se preferires) devem ter uma palavra a dizer. Até poderia ser uma monarquia electiva, desde que qualquer um se pudesse candidatar ao cargo. Como referi acima, não vejo motivo para se vedar ao comum cidadão a possibilidade de aspirar ascender ao mais alto cargo da nação.
    Quanto a esta parte "discussão sobre a escolha dos deputados por sorteio, e não é linear que o resultado final não fosse mais útil que a escolha eleitoral." - não estou a par da discussão mas considero uma má opção a escolha por sorteio. Tal como considero mau o sistema actual.
    Defendo um sistema semelhante ao que já existe nos outros países europeus: listas abertas de nomes, em que os eleitores podem escolher directamente os seus representantes.

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  33. A verdade é que a possibilidade teórica de qualquer poder ser chefe de estado não tem qualquer relação com a possibilidade prática de isso acontecer.
    Acresce que nos países mais desenvolvidos do mundo haver uma desproporção favorável às monarquias.
    Não porque as monarquias os tornem mais desenvolvidos, mas porque tendem a alinhar menos nas novidades teóricas ideais, preferindo a experiência das coisas que funcionam.

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