sexta-feira, 10 de outubro de 2025

O genocídio é ainda mais incompetente do que pensei

Haverá sempre quem fale do genocídio em Gaza com veemência, como aqueles três senhores (na verdade, uma senhora e dois senhores) que fizeram um relatório para a ONU aa garantir que havia um genocídio em Gaza, apresentando como demonstração de que Israel pretendia evitar nascimentos palestinianos a destruição de uma clínica de procriação medicamente assistida, no meio das voltas que a guerra dá.


Até hoje, para não entrar em discussões estéreis, usei sempre os dados do Hamas sobre a mortalidade em Gaza para dizer que a população poderia ter baixado 3% (os mortos referidos pelo Hamas andam por essa percentagem da população, os tais cerca de 65 mil mortos, o que dá quase 100 mortos por dia).


Sabia que estava a subestimar os nascimentos, ao considerar zero nascimentos, mas como era contra o meu argumento, não liguei ao assunto.


Hoje, por curiosidade, resolvi tentar perceber quantas crianças nasciam em Gaza por ano.


Achei que não haveria grande informação desde a guerra, mas tencionava ter uma ideia do número de crianças que nasciam antes da guerra, só para ter uma ideia.


Para minha surpresa, encontrei informação, com todas as limitações, sobre o número de crianças que estão a nascer em Gaza, a partir de sites da UNICEF, Save the Children e outros que tais (digamos, números do Hamas mas, ainda assim, é o que há, alguns incluíam comparações com nascimentos antes da guerra).


Para minha surpresa ainda maior, vi estimativas de nascimentos pelo menos da ordem de grandeza das estimativas de mortos, mais frequentemente, uns trinta por cento acima, ou seja, para quase cem mortos, haveria qualquer coisa como 130 nascimentos por dia.


Mesmo descontando que situação médica é muito má e, portanto, a taxa de mortalidade de crianças é mais alta do que seria de esperar em situações "normais", o facto é que, aparentemente, mesmo debaixo de uma guerra, a população de Gaza pode continuar a crescer, com mais nascimentos que mortes.


Este genocídio ficará na história, seguramente, mas por ser o mais incompetente alguma vez visto.

7 comentários:

  1. «quem vai à guerra (7.10) dá e leva».

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  2. É uma boa resposta, mas prefiro a do Almirante Pinheiro de Azevedo. 

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  3. A melhor resposta para quem escreveu hoje no seu (dele) blogue "

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  4. Não se mede o genocídio por saldo demográfico (ou alegado genocídio) ...se assim fosse teriamos de considerar a situação em alguns países europeus como bastante adiantada em termos de alguma forma de genocídio em curso não é? Quer dizer....

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