terça-feira, 23 de setembro de 2025

Tretas alternativas sobre habitação

Não sabendo eu grande coisa do mercado imobiliário, resolvi escrever umas tretas sobre o último relatório do Instituto Nacional de Estatística sobre a evolução dos preços da habitação, já que a generalidade da imprensa também se entretém a pôr pessoas que sabem tanto como eu a escrever umas tretas diferentes das minhas.


O centro das tretas mediáticas (e partidárias) sobre a evolução do mercado imobiliário é que existe uma grande crise da habitação e que isso se vê no crescimento mais ou menos contínuo dos preços da habitação.


O centro das minhas tretas é que não vejo crise de habitação nenhuma, apenas uma crise de acesso à primeira habitação por parte das famílias com menos dinheiro, achando que a subida do preço das casas, num país em que 70% dos aglomerados familiares são donos da sua própria casa, corresponde a um aumento generalizado da riqueza no país (que é diferente de um aumento da disponibilidade dessa riqueza).


Daí que a generalidade da imprensa faça títulos e notícias demonstrando horror pela subida dos das casas, e eu vá falar de outras coisas que também estão nesse relatório.


Primeiro dois bonecos, e depois vamos à conversa.


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O primeiro ponto a destacar é que são as famílias que compram quase 90% das casas, sendo mais de 95% famílias com domicílio fiscal em Portugal.


Como as transações são sobretudo de casas existentes (as casas novas estão em minoria muito expressiva e, já agora, têm um crescimento do seu preço mais lento que as casas existentes), isso significa que a esmagadora maioria do mercado é feito por famílias que têm o seu domicílio fiscal em Portugal, que compram a outras famílias, sendo bem possível que quem compra e quem venda tenha uma razoável sobreposição (penso que isso seria fácil de confirmar porque como as mais valias têm um tratamento fiscal muito favorável quando investidas de novo em casa própria, deve conseguir-se confirmar, ou não, esta hipótese).


Em qualquer caso, a subida do preço das casas traduz-se em mais riqueza (e mais liquidez) para os vendedores, que ou investem em casas melhores, ou ficam com mais dinheiro (ou as duas coisas ao mesmo tempo em diferentes proporções).


Não vejo como isto possa ser um drama, pelo contrário, parece-me uma coisa boa, tal como me parece bom haver 5% de transações que são feitas a não residentes e são uma boa entrada de riqueza no país, que aumenta sempre que os preços sobem.


É verdade que seria melhor que houvesse mais casas novas a entrar no mercado (não, não serão das do PRR, essas são casas fora do mercado, na esmagadora maioria, que irão mitigar problemas sociais, espera-se), para mitigar o tal problema do acesso à primeira habitação, mas esse contributo será provavelmente menor, e demorará mais tempo que a total liberalização do mercado de arrendamento, incluindo a rapidez e eficácia dos processos de despejo, isto é, o reforço dos direitos de propriedade dos donos de casa.


Problemas poderiam existir se o número de transações estivesse a baixar (que não está) ou se os preços tivessem uma queda brusca, agora uma subida continuada e sustentada dos preços da habitação, acompanhada do progressivo aumento do número de transações, não percebo bem em que medida isso traduz um problema grave de habitação num país de proprietários de casas.

33 comentários:

  1. A expressão "crise da habitação" é visivelmente uma rematada imbecilidade, própria aliás, do jornalismo analfabeto a dar-se ares.


    O que não se vê bem é o porque dos preços tão escandalosamente altos e em crescimento contínuo, estando a inflação baixa e controlada.


    O INE provavelmente tem mais e melhor informação que o tuga comum.


    Também acredito que são famílias a comprar 90 por cento ou mais da habitação. Mas compram a quem ?


    É que não consigo livrar-me da impressão que por perto, anda dedinho da banca.


    Mas enfim, posso ser eu que esteja a ver coisas.

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  2. Caro HPP,
    A questão das mais-valias é muito bem colocada.
    Imaginemos um jovem com 18/20 anos que decide comprar uma casa por 25 000 euros nos anos 80/90 privou-se de férias no estrangeiro, de carros , de motos e tal para pagar a casa.
    Em 2025 a casa está paga e decide vendê-la, a casa vale 100 000.
    Privou-se de muito mas o investimento inicial aumentou.
    Tem um lucro de 75  000 euros, na verdade não tem, pagou juros ao banco, pagou IMI, fez alterações, pinturas e tal na casa, metade dos quais "são" do Estado, 37 500 euros dos quais o Estado se vai apropriar para cobrar impostos.
    Isto fará algum sentido?
    Utilizando uma linguagem imprópria quando é que o Estado deixará de ser chulo e de tratar aos cidadãos/contribuintes como meretrizes?

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  3. Excelente postal a desmontar a falsa crise de habitação 

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  4. o porque dos preços tão escandalosamente altos e em crescimento contínuo


    Deve-se à contínua entrada de dinheiro estrangeiro no mercado da habitação português, em especial (mas não só) para a recuperação de prédios antigos e muito deteriorados.


    A recuperação desses prédios é muito cara. Para que ela seja rentável, os preços a que eles depois são vendidos têm que ser altos. O facto de algumas casas terem que ser caras repercute-se, indiretamente, no preço de todas as casas.


    A economia marginal ensina que o preço de um produto é o preço da última unidade desse produto que satisfaz a procura existente. Se a procura por casas em Portugal aumenta, então todas as casas em Portugal - não somente aquelas que os estrangeiros preferem - aumentam de preço.

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  5. Pois. Mas os preços sobem sempre. 


    Isto é de memória;


     Uma vez li sobre o que parecia ser uma espécie de comissão (independente está bem de ver) de avaliação de preços do imobiliário.


    A coisa era formada, se bem me lembro, por representantes da mediação, da banca e do estado.


    Se isto não é uma comissão de representantes da fome e da vontade de comer, vou ali e já volto.

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  6. Quem compra fica com habitação,  quem vende fica com mais riqueza,  todos ganham. Parem a propaganda. 

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  7. Como os compradores estrangeiros são menos de 5%, concluo que acha que são esses 5% que fazem aumentar os preços dos outros 95% do mercado.

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  8. (1) Os compradores estrangeiros não são somente 5%. Há os compradores que têm nacionalidade portuguesa mas que vivem no estrangeiro. Esses compradores aparecem nas estatísticas como sendo portugueses, mas o dinheiro que utilizam para comprar as casas é dinheiro estrangeiro.
    (2) Exatamente, é isso mesmo que acho. Num mercado em bom funcionamento, o preço de um produto é igual ao preço da última unidade desse produto que é necessária para satisfazer a totalidade da procura. Por exemplo, o preço do petróleo não é aquilo (relativamente pouco) que custa extraí-lo na Arábia Saudita, mas sim aquilo (muito) que custa extraí-lo no Canadá. Da mesma forma, o preço das casas de um determinado tipo (localização, área, etc) é determinado, a médio prazo, pelo valor que o comprador mais rico de todos está disposto a oferecer por elas - mesmo que todos os restantes compradores estejam dispostos a oferecer muito menos.

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  9. A crise da habitação não é falsa. Ela existe. Existe para os 30% de portugueses que não têm casa.
    O Henrique Pereira dos Santos focou neste post, corretamente, o ponto de vista daqueles que têm casa. Para esses, a subida dos preços é uma benesse. Mas há também o ponto de vista daqueles que não têm casa e, para esses, a subida dos preços é horrível.

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  10. Compradores com domicílio fiscal em Portugal.
    Está a misturar o preço da última casa com o preço médio ou, mais precisamente, está a dizer que poder de arrastamento do mercado dos 5% é maior que o dos 95% do mercado.

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  11. A unica certeza é que este post é uma treta que o autor tenta impingir uma vez mais.
    Nem sei porque a nível europeu alguns países reconheçam a crise ( a tal que autor não encontra) e que tenham tomado medidas.
    E em Portugal todas as forças partidárias reconheçam a crise da habitação e proponham, de acordo com a ideologia que defendem, diferentes soluções.
    para a resolver.
    Afinal são todos uns idiotas, palermas e o autor é que sabe.
    Aliás, só o autor é que está bem.

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  12. Há uma coisa que não percebo, com um milhão e meio de imigrantes, eles iam viver onde? Claro que impulsionam os preços e de que maneira.

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  13. "Ter casa" significa o quê?
    Viver sob um tecto?
    Há 30% de portugueses sem abrigo na república portuguesa?

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  14. Realmente, dizer que não há crise da habitação porque 70% já têm casa é tão iluminado como dizer que não há fome porque 70% já jantaram.
    Agora percebo porque diz que não sabe grande coisa do mercado imobiliário. 

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  15. Usando a mesma alegoria 70% jantam em casa própria e os outros 30% jantam em tascas, restaurantes e experiências Michelin com várias estrelas, dah!

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  16. Talvez seja a "mão oculta" de Adam Smith a fazer das suas. 


    Porque se olharmos bem os preços sobem na habitação e no resto.


    Esteja a inflação baixa, ou alta, ou assim assim. Sobem sempre.


    Se calhar a mão oculta está velhinha e tonta.


    Já não regula nem se auto regula e vai a reboque dos que puxam os cordelinhos

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  17. Cada país tem as vicissitudes. 
    Em Portugal a grande restrição é não deixarem o mercado privado operar livremente,  tanto na construção cono no arrendamento. 

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  18. Tem argumentos ou é só isso?

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  19. "Ter casa" significa o quê?


    Pode significar diversas coisas. O mais preocupante é significar postos de trabalho que não são preenchidos porque os seus potenciais ocupantes não conseguem encontrar casa para alugar perto do local de trabalho a um preço compatível. Acontece muito com professores, médicos e polícias, por exemplo.


    Quando fui trabalhar para a Alemanha, há muitos anos, havia uma forte crise de habitação nesse país. Tive que ficar a viver num hotel durante uma semana ou duas. Felizmente depois, com muita sorte, consegui arranjar uma (boa) casa. Se não tivesse conseguido, teria tido que regressar a Portugal.

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  20. Para o mercado privado ser solução tem de existir capacidade de todos para "atuarem" nesse mercado, quem vende e quem compra.
    A questão é que a maior parte dos potenciais compradores e arrendatários não capacidade para comprarem e arrendarem.
    É como na ligas de futebol, todos podem ganhar, mas na portuguesa alguém está à espera do atuais ultimos classificados ganharem o campeonato?

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  21. conclusão, mas na realidade não sustentam."
    Stephen Downes

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  22. Carlitos, pá, então já recorres a frases "enlatadas" da AI/IA? É para mostrares que és culto
    Ou porque não tens nada para dizer além das parvoíces do costume?

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  23. As suas contas estão incorrectas, na medida em que não levou em conta o coeficiente de actualização monetária.
    Pegando no caso concreto, um jovem comprou casa por 25000 euros nos anos 80/90.
    Se considerarmos que o ano de aquisição foi 1990, é necessário aplicar um coeficiente de actualização de 2,63 pelo que o valor de compra actualizado é de 65750 euros. A mais-valia é de 34250 e o imposto irá incidir sobre 17125 euros (e não sobre 37500).
    Se o ano de aquisição tiver sido 1985 o coeficiente é superior a 4 e há uma menos-valia, por isso não há lugar ao pagamento de qualquer imposto!

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  24. Caro G. Elias,
    Tem razão quanto ao coeficiente.

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  25. Tens razão ó zéquinha se tivesse a tua imaginação, também recorria à IA. Mas felizmente ainda consigo dizer qualquer coisa e não me armo em troll como tu.

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  26. O que querem é o Estado a definir preços de habitação.  E se calhar a escolher quem pode aceder...
    Deixem o mercado funcionar 

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  27. Felizmente sopram bons ventos de Oeste, em breve teremos uma Europa  realmente liberal, à imagem do que muitos desejam.

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  28. https://www.idealista.pt/news/imobiliario/habitacao/2025/03/21/68794-familias-portuguesas-estao-a-comprar-menos-casas-do-que-antes-da-covid


    os compradores estrangeiros não são apenas os compradores com domicilia fiscal noutros países.


    Em 2024 foram vendidas ~156 mil casas, das quais quais menos de 94 mil (60%) a famílias portuguesas. 

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  29. Resumindo, para contestar números do Instituto Nacional de Estatística, usam-se artigos do idealista.

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  30. A flotilha dos tristes continua o avanço heróico em direção á Gaza ocupada.


     Avante ganza nossa.


    Já houve foguetório com drones a atacar a frota, coisa logo esclarecida pelas autoridades Tunisinos; Não senhor. 


    Não houve ataque nenhum. Foi por assim dizer, coisa interna. 


    O drone atacante atacou a partir do próprio barco.


    Uma tristeza de flotilha de gente triste numa festa triste.


    Se aquelas cabeças de passarinho não vêem o extremo ridículo da coisa então a esquerda extrema está já para além do ponto de não retorno.


    Uma tristeza 

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  31. Resumindo, está de má fé, pois o artigo usa dados do INE. 
    É pena porque até hoje ou tinha-o em boa conta, agora deixei de o ter. 

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  32. Usa uma interpretação criativa dos dados do INE que consiste em considerar português quem nasceu em Portugal, e considerar estrangeiro que nasceu noutro lado qualquer.
    Ou seja, o meu sobrinho que nasceu em Moscovo porque, há mais de 40 anos, era lá que os pais estavam a viver, nessa análise é um estrangeiro, apesar de viver há anos em Portugal, ser filho de portugueses e ter nacionalidade portuguesa.

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