quinta-feira, 18 de setembro de 2025

O Estado genocida

Nos comentários sobre a guerra de Gaza há de tudo, o mais estranho para mim é a insistência em argumentos sem qualquer aderência à realidade ou sem um contexto que permita compreender o que se passa.


Nem vou falar do facto das fotografias que documentavam a fome serem todas com crianças com condições médicas que nada tinham com a fome (só usa gente doente para documentar a fome generalizada quem pretende demonstrar uma coisa que não existe, parece lógico concluir. O que "não existe" não se refere à fome ou sub-nutrição em Gaza, deve existir, com certeza, em bolsas, como acontece em todas as zonas de guerra, o que "não existe", a julgar pela informação existente, é a fome generalizada de toda a população de Gaza e, muito menos, o uso da fome como arma de guerra).


Falemos dos 65 mil mortos em dois anos, que passa a vida a ser usado como demonstração de uma vontade genocida do Estado de Israel, que nunca são comparados com os mais de 200 mil mortos em Portugal no mesmo período. Claro que é preciso ter em atenção que Portugal tem cinco vezes mais população que Gaza, que tem uma população muito mais envelhecida e essas coisas todas, mas não tem guerra nenhuma e a verdade é que para ter a noção do que significam 65 mil mortes em Gaza, convém usar referenciais (a morte, nomeadamente em zonas de guerra, é uma constante histórica). Naturalmente nem me passa pela cabeça comparar os 65 mil mortos em Gaza, em dois anos, com os 150 mil, em ano e meio, no Sudão, porque estamos a falar de situações completamente diferentes (só os refugiados do Sudão em paises vizinhos são várias vezes mais que a população total de Gaza).


Outro dos argumentos, que teoricamente justifica a Global Sumud Flotilla que vai vagueando pelo mediterrâneo com imensa ajuda humanitária, é o de que Israel não deixa entrar nada em Gaza, um argumento completamente idiota, basta olhar para o que diz a ONU (e nem vou falar da distribuição diária de mais de um milhão de refeições pela Gaza Humanitarian Foudation) para ser evidente que entra, todos os dias, muita comida e medicamentos em Gaza.


E poderia continuar a desfiar argumentos sem pés nem cabeça que se usam para mostrar ao mundo a virtude dos que os usam, o que inclui desqualificar quem olha para o problema da guerra de Gaza de um modo diferente.


Diferente, mas igualmente legítimo, convém deixar claro.


Não tenho nada contra as pessoas que acham que Israel foi criado pelo Ocidente, empurrando palestinianos para fora da sua terra, para a dar aos judeus europeus que ninguém queria receber no fim da segunda guerra mundial, demonstram uma enorme ignorância sobre o assunto, mas o direito à asneira é sagrado e o facto de alguém demonstrar uma ignorância bíblica sobre um assunto não me faz insultar ou desqualificar ninguém, pode fazer-me discutir cada um dos argumentos que listei acima, explicar por que razão os acho completamente errados, mas não me faz considerar que essas pessoas têm como objectivo defender os massacres feitos pelo Hamas.


Questão diferente é responder aos idiotas que me acusam de defender genocídios e exterminações de populações como forma de me condicionar o suficiente para eu deixar de escrever o que me apetece sobre um assunto que me interessa.


Com esses, frequentemente, não tenho a menor paciência.

40 comentários:





  1. Esse é, de facto, o meu entendimento (esquemático) da criação de Israel. (Em vez de "Ocidente" poder-se-ia usar "Europa, URSS e EUA", seria mais correto, mas isso é um detalhe).

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  2. O entendimento completamente errado.
    Israel foi criado com dois terços dos votos na ONU (apenas os países árabes se opuseram), a sua primeira guerra da independência (os países árabes com apoio da Liga Árabe invadiram Israel no dia seguinte à sua proclamação como Estado) foi essencialmente feita com armamento do Bloco de Leste (sobretudo Checoslováquia), 55% das terras onde foi criado o Estado de Israel eram de judeus (as terras mais férteis eram maioritariamente árabes), a esmagadora maioria dos habitantes iniciais do Estado de Israel não eram provenientes da Europa, os palestinianos não foram expulsos das suas terras (houve massacres de parte a parte, expulsões localizadas de parte a parte, mas não houve nenhuma expulsão de palestinianos das suas terras) e a esmagadora maioria dos refugiados palestinianos resultaram da guerra que os países árabes moveram a Israel (e que perderam), sendo pessoas que fugiam da guerra e não pessoas expulsas das suas terras (que também terá acontecido, mas não foi o processo dominante de migração).
    Ou seja, o teu entendimento resulta de seres demasiado preguiçoso para te informares, do que resulta seres uma presa fácil da propaganda árabe.

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  3. A faixa de Gaza tem 365 klm2.
    Lisboa tem 100 klm2
    A Madeira tem 750 klm2
    Agora expliquem como esta área "só" tem 17 hospitais operacionais dos 36 que tinha antes da guerra. 
    Este conflito é o paradigma da desinformação. 
    Como dizia alguém, às vezes, nos jornais, a única verdade é a data. 
    Nas televisões, a hora 

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  4. Israel foi criado com dois terços dos votos na ONU


    Sim, e esses votos eram basicamente os da Europa, URSS e EUA. Nessa altura não havia muito mais países do que esses...


    a sua primeira guerra da independência foi essencialmente feita com armamento do Bloco de Leste


    Sem dúvida. O Bloco de Leste fazia parte da Europa. Eu escrevi "Europa, URSS e EUA".


    a esmagadora maioria dos habitantes iniciais do Estado de Israel não eram provenientes da Europa


    Pois não - eram palestinianos. Eram autótones daquela terra.

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  5. Claro que sim.


    Resta porém dizer que fugiam devido ao avanço das tropas judaicas, devido a alguns massacres que essas tropas perpetraram, e portanto devido ao medo de virem a ser vítimas de massacres similares.


    É como dizer que os "retornados" do Ultramar português não foram expulsos, eles fugiram - e tinham boas razões para fugir.


    Resta também dizer que os judeus na Palestina já há bom tempo que se estavam a preparar para a guerra, não foram propriamente vítimas inocentes dela.

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  6. Se queres que eu explique melhor que a maioria dos judeus que habitaram o Estado de Israel inicial não eram provenientes da Europa (e, ainda hoje, a maioria dos israelitas não são de ascendência europeia), eu explico, mas é inútil, visto que os factos, como é publicamente conhecido, te são indiferentes para formular uma opinião.

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  7. Exacto, fugir de uma guerra não é o mesmo que ser expulso da sua terra, é exactamente isso.

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  8. eram Judeus  grande parte dos fundadores da URSS e estavam interessados na criação dum estado Judaico.

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  9. agora os colonizados fogem para território do colonizador.

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  10. a maioria dos judeus que habitaram o Estado de Israel inicial não eram provenientes da Europa


    Eu julgava que fossem.


    Se o Henrique tem números em contrário, apresente-os por favor.


    Seja como for, parece-me um facto que a intenção de Europa, EUA e URSS ao criarem o Estado de Israel através do voto na ONU em 1948 era fornecer um lar para os judeus europeus que ninguém queria receber no fim da segunda guerra mundial. Não era sua intenção fornecer um lar a outros judeus (árabes, etíopes, etc etc etc).

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  11. Era o que mais faltava que agora aches que tenho de ser eu a resolver a tua preguiça de ires procurar informação disponível.
    Dois terços do judeus da Europa desapareceram no holocausto, e do terço restante, muitos migraram para os Estados Unidos, vai informar-te que só te faz bem, para evitares figuras tristes como as que estás a fazer, que consistem a atribuir intenções a terceiros que só existem na tua cabeça (as resoluções da ONU e toda a história anterior sobre a guerra civil em curso no médio oriente, na altura da criação do Estado de Israel, deveriam ser suficientes para essa ideia que é usada pela propaganda árabe estar mais que enterrada).

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  12. Obrigado por confirmar o que eu disse, a maioria não eram europeus deslocados depois da segunda guerra mundial que foram para ali levados porque o Ocidente lhes entregou um terra que esvaziou de palestinianos.

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  13. " Adesão à realidade" : Israel é o ÚNICO Estado que combate convictamente o Terrorismo Islâmico . Ponto final.
    "Habilidades" pseudo-dialécticas não encobrem a abjecta cobardia  "ocidental", que permite  ( incentiva ?) o alastrar da peste...
    Vide as tomadas de posição do infame "Governo" Espanhol....
    Juromenha

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  14. É caso para dizer que Gaza é o território do Mundo com mais hospitais por m2.
    E que dizer deste "genocídio", quando tem aumentado o número de nacimentos em Gaza? 

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  15. A ouvir a partir do " minuto 40 ":
    https://observador.pt/programas/contra-corrente/

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  16. A discussão era se o Estado de Israel tinha sido criado afastando os palestinianos e trazendo judeus da Europa para ocupar essa terra.
    Esse é o contexto da discussão.
    O Estado de Israel é criado em 1948.
    A esmagadora maioria dos seus habitantes, nessa altura, não foram trazidos para ocupar essa terra, eram pessoas que lá viviam, independentemente da existência desse Estado e que detinham 55% da terra no momento da sua criação.
    Tinham vindo a aumentar desde meados do século XIX por migração?
    Sim, tinham.
    Fui claro agora, ou quer continuar a discutir se uma pessoa que migra em 1920 cabe na categoria dos que são levados para um país que é criado 28 anos depois?
    O facto é que a presença judaica, que sempre existiu no médio-oriente, incluindo na envolvente de Jerusalém, não se deve à decisão de criar o Estado de Israel, é o contrário, a decisão de criar esse Estado responde a um contexto sociológico existente, com base no qual existe uma guerra civil que se pretendeu estancar com a criação de dois estados, um judaico, outro árabe, que os árabes tentaram contrariar militarmente.

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  17. Está a insistir num erro. Como referi, a. A maioria, iguais aos judeus do restante Império Otomano, os outros, os primeiros sionistas. Os 600 mil judeus europeus que sucessivamente imigraram para o Mandato Britânico da Palestina (até 1948), já o fizer

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  18. Insiste em ignorar o que está em causa: "Israel foi criado pelo Ocidente, empurrando palestinianos para fora da sua terra, para a dar aos judeus europeus que ninguém queria receber no fim da segunda guerra mundial".

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  19. Realmente, bater no peito e dizer que não insulta ninguém, que a "ignorância bíblica" é um direito. E depois chama "idiotas" aos que o acusam de defender genocídios. É uma demostração de humildade de quem acha que só a sua perspetiva é "legítima". A ignorância dos outros é um direito, mas a sua própria não é criticável.

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  20. O que acho incrível é que ninguém quer saber dos Palestinos se estiverem nas mãos do Hamas, só querem saber deles se estão nas mãos dos israelitas.

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  21. Essa boa, não tenho ideia de dizer que não insulto ninguém, aliás, insulto com alguma frequência, por exemplo, digo sem problema que é preciso ser muito burro para confundir o direito à asneira com a impossibilidade de crítica.
    Eu acho que tem todo o direito a escrever o que escreveu, que é uma tremenda asneira, e eu tenho o direito a criticar o uso tão extensivo que faz do seu direito à asneira.

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  22. Compreendo, o seu direito à asneira é que está certo. Eu só o estou a criticar, não estou a pedir silêncio — até porque gente como você é fundamental: sem o contraste da burrice, a inteligência passava despercebida.

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  23. Mais um excelente texto, que junta assertividade intelectual ao necessário enquadramento histórico. Infelizmente os fracos de mente e espírito não aceitam a verdade, e à falta de argumentos partem para o insulto. 

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  24. Excelente resposta. Impactante.
    Um bem-haja.

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  25. O nosso direito à asneira é igual.
    O uso que cada um de nós faz desse direito é que pode ser diferente.
    Isso não tem nenhuma relação como o direito de criticar o que se entender, nem com supostas humildades ou legitimidades.
    Eu digo o que me apetece, os comentadores comentam o que lhes apetece e eu respondo o que me apetece, quando e se os comentários forem aprovados.
    O que noto é que anda aqui à volta de eu ser assim ou assado (coisa que não interessa a ninguém) em vez de dizer o que pensa sobre os argumentos que estão no post, é uma velha técnica de quem não tem argumentos, atirar sobre o mensageiro para evitar discutir a mensagem.

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  26. A verdade é que a asneira alheia só nos aborrece quando nos vemos nela. Se aquilo que eu penso sobre os argumentos é censurado, só posso criticar quem? 

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  27. A mim as suas asneiras não me incomodam, de resto, nem sei o que escreve fora desta caixa de comentários, para saber se diz muitas ou poucas asneiras, o facto é que se entretém a fazer comentários sobre mim, em vez de contestar os argumentos que uso.
    Os seus comentários nem sempre são aprovados e sobre isso, pode queixar-se a mim, mas isso não tem nenhuma relação com censura de argumentos porque, de maneira geral, não usa argumentos.

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  28. Se existirem provas de genocídio,  têm de apresentadas e depois defendidas no TPI, não nas redes sociais e redacções de Comunicação Social.
    Até agora não há julgamento,  portanto não há culpados.
    Quem se rege pelos factos está com o hps neste campo. Os restantes podem ir discutir direitos humanos com o hamas alguees no qatar.

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  29. Exactamente. 
    Foi um Estado criado pelo mundo não árabe, em unanimidade e independentementede qualquer movimento conotado com sionismo,  onde os judeus de todo o Mundo poderiam encontrar uma pátria, livremente. 

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  30. Que é que um massacre de judeus em 1929 tem a ver com a minha afirmação de que em 1948 os judeus na Palestina se estavam a preparar para a guerra?

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  31. Ainda bem bem que eu sou de matriz greco-cristao, se fosse de matriz judaico-cristã andava a defender os crimes hediondos que os Israelitas andam a cometer contra as crianças em Gaza!!! 

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  32. Não referiu que tinham razões para o fazer por isso deixou dar entender que foram os agressores.

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  33. O objectivo da narrativa Islamo-Marxista do genocídio é preparar o terreno do discurso para ser aceitável  fazer um contra o Judeus. 
    Para realizar o genocídio "From the river to the Sea" dos Judeus já dentro da Overton Window.

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  34. deixou dar entender que foram os agressores


    Não deixei dar a entender nada.


    Eu escrevo de forma exata. O que eu escrevo é aquilo que está escrito, e não tem nada que subentender coisas que não escrevi.


    Os judeus europeus que se instalaram na Palestina desde finais do século 19 cedo aquiriram consciência (veja-se os escritos de Jabotinski) de que, embora a sua instalação tenha sido feita de forma pacífica e com objetivos pacíficos, muitos os viam como invasores. (Se quiser, pode compará-los com os imigrantes que atualmente se instalam em Portugal. Muitos vêem-nos como invasores, embora eles se instalem pacificamente e com fins pacíficos.) E a partir dos anos 1920 perceberam que teriam de estar preparados para lutar de armas na mão para se defenderem. Por volta de 1940, então, já era para todos eles claro que a obtenção do Estado de Israel não seria sem luta (se não com os Estados árabes vizinhos, pelo menos com os árabes palestinianos). E prepararam-se para ela. Tinham armas armazenadas e treino militar. Em termos organizacionais, estavam melhor preparados do que os militares dos Estados árabes vzinhos, com exceção da Jordânia - o único país árabe que tinha um exército minimamente competente. Aliás, sendo originários da Europa, muitos sabiam como organizar um exército.

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