Parece que voltou a conversa do incendiarismo, e com ela a conversa dos incêndiários, à boleia do relatório da AGIF (Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais) sobre os incêndios do ano passado (o reltório é bom, a AGIF produz boa informação e relevante, lá o que cada interpreta a partir dessa informação é que é a questão).
Pela enésima vez, vou tentar explicar hoje, sem falar com os gurus com quem falo quando verdadeiramente quero saber o que se espera, na semana seguinte, sobre fogos.
Comecemos por um boneco que Teresa Gamito publicou, observando, judiciosamente, que estamos a alertar as pessoas que Figueira de Castelo Rodrigo quando é em Coruche que está o risco (a observação não foi exactamente assim, a ideia é esta, a forma fui eu que a inventei por razões literárias).

O mapa da esquerda diz respeito a um índice de risco meteorológico de incêndio reconhecido mundialmente, o da direita diz respeito a uma invenção do ICNF, estupidamente usada por políticos, que uma administração pública acéfala dirigida por cobardes acabou a dar importância indevida.
Na verdade, o boneco da direita é uma combinação deste tal risco meterológico de incêndio, com um risco estrutural definido com alguns factores, nos quais tem muito peso o histórico dos incêndios, e terá alguma utilidade para alocar recursos de gestão de combustíveis finos, mas não tem interesse nenhum para a gestão do risco imediato de incêndio rural, apesar de ser o que as autoridades de prevenção usam e com base nos quais fazem os avisos à população.
O que interessa, e estou a escrever hoje (em grande parte porque ontem me convidaram a ir a programa de televisão falar sobre o que vai acontecer na próxima semana, mas eu tinha um compromisso que me impedia de lá estar, e resolvi escrever aqui o essencial do que pretenderia dizer), quarta-feira 23 de julho, é que nos próximos dias se vai ouvir falar mais de incêndios, em especial no início da próxima semana, se as previsões meteorológicas se mantiverem.
Não, ainda não é natural que seja a tragédia que um dia virá, é apenas um tempo mais activo para os bombeiros que, aqui e ali, pode dar mau resultado.
A menos que eu seja o chefe de operações de um exército de incendiários, e portanto este seja um post com informação privilegiada sobre a logística do incendiarismo, se se verificar um aumento relevante de fogos nos próximos dias, quer isto dizer que a questão não é de incendiários mas de meteorologia.
O vento não parece estar muito forte nos próximos dias e, por isso, as coisas não devem ser muito dramáticas, mas a humidade vai ser baixa e o vento vem de Leste, isso chega para, à partida, haver uma situação complicada (como mostra o boneco da esquerda que está lá em cima).
Não fui ver como está a humidade dos combustíveis e, como disse, não fui confirmar isto com quem realmente sabe, exactamente porque o que quero é tentar demonstrar que se qualquer pessoa mediana, com informação básica, pode saber quando vai arder com uns dias de antecedência, com base na meteorologia, então esqueçam lá o incendiarismo e coisas que tais, e concentremo-nos no que interessa: a gestão dos combustíveis finos e o olhar atento e simples à meteorologia dos próximos dias.
Não tenho a certeza se foi mesmo ICNF que insistiu no mapa da direita, embora suspeite que nada vez para o evitar, já o IPMA provavelmente nunca desejou adotar o da esquerda, insistindo no da direita, por motivos que me fogem. Mas, e isso é claro, misturar alhos com bugalhos é péssima ideia, e o da direita faz zero sentido.
ResponderEliminarInfelizmente sei que o Henrique nisto, não falha. Escrevo infelizmente porque parece que ninguém o ouve, há anos... e anos.
ResponderEliminarUm pensamento:
ResponderEliminarAntigamente contruíram-se castelos onde? No cimo de montes, colinas e afins de forma a poder-se avistar o mais longe possível.
Muito mais recentemente construíram-se torres de vigia.
Os meio aéreos de per si não resolvem embora custem anualmente uma fortuna.
Os bombeiros reagem.
Falemos, então, de prevenção.
Temos no país fábricas de drones.
Basta colocar meia dúzia deles nos municípios, sendo operados preferencialmente por estudantes em férias, naturalmente pagos.
Fariam vigilância por áreas ou freguesias. Comunicariam rapidamente as ignições no seu início, agilizando o combate. Mais, poderiam fotografar ou filmar potenciais suspeitos incendiários com dolo ou negligência.
Do céu tudo se vê!
Aproveitem a ideia ou continuem no inferno!