"o que chamar ao que vemos todos os dias, às crianças abatidas nas filas de espera para receberem alimentos, como se fosse um desprezível jogo de vídeo? ... o que fazer a um país capaz de tamanhas atrocidades contra civis?"
Amilcar Correia é um jornalista experimentado do Público, no entanto, acha credível que um país democrático (o único na região) desenvolva e execute um plano maquiavélico para atrair crianças e as matar friamente, sem que haja uma só prova de que realmente é isto que está a suceder.
Nem testemunhos de militares (logo, todos os militares israelitas são psicopatas) para além de um testemunho anónimo impossível de confirmar, nem videos da situação, nem identificação verificável das vítimas, nem testemunhos de trabalhadores humanitários, nada, rigorosamente nada, que possa dar um mínimo de credibilidade ao que é escrito pelo jornalista.
Vejamos que informação existe que possa ser verificada.
Israel e os seus aliados acusam a ONU e as organizações envolvidas na ajuda humanitária de deixar que o Hamas roube a ajuda humanitária, usando-a com três objectivos estratégicos: 1) abastecer o seu exército (chamo-lhe assim porque a ONU se recusa a classificar o Hamas como grupo terrorista); 2) financiar-se através da venda dessa ajuda humanitária nos mercados informais; 3) controlar a população fazendo depender da não oposição ao Hamas a chegada de bens essenciais às pessoas.
Que eu saiba, esta acusação não está solidamente demonstrada, é informação de uma das partes em conflito, logo, deve ser vista com bastante cautela.
No entanto, é compatível com o reconhecimento da ONU de que, contratando localmente, é inevitável que entre as pessoas que trabalham para a ONU haja muitos simpatizantes de uma organização que terá o apoio de 30% da população de Gaza, é compatível com a lógica de actuação das partes em conflito e é compatível com o reconhecimento de que a falta de segurança nos circuitos de abastecimento tem levado a muitos roubos e desvios.
Por esta razão, Israel, e os seus aliados, criaram e operam um mecanismo independente de ajuda humanitária, a Gaza Humanitarian Foundation, com mecanismos de funcionamento diferentes dos da ONU (naturalmente, se o problema é que os mecanismos da ONU não garantiram que o Hamas não se apropria da ajuda, os novos mecanismos têm de ser diferentes, para dar resultados diferentes), que as organizações envolvidas nos mecanismos da ONU e o Hamas criticam amargamente.
A oposição do Hamas a este novo mecanismo é de tal ordem que deu instruções claras à população para o boicotar e, perante o facto da população não obedecer, cria dificuldades no acesso da população, com a mesma indignidade moral que atacava (incluindo a tiro) a população de Gaza que entendia seguir as indicações do exército israelita e fugir das zonas de combate mais perigosas.
O assunto, para o Hamas, tem uma importância tal que é uma das principais questões não resolvidas nas actuais conversações para um cessar fogo, o que indicia que Israel terá alguma razão na acusação de uso indevido da ajuda humanitária por parte do Hamas.
Estamos, portanto, perante uma situação complexa em que uma das partes em conflito entende que a ajuda humanitária que permite que chegue à zona de guerra é usada pela outra parte em conflito, não reconhecendo às entidades terceiras a independência e eficácia necessárias para garantir que a ajuda humanitária não é transformada num instrumento de poder e financiamento do Hamas.
O que faz o jornalismo?
Ignorando as acusações de falta de imparcialidade da ONU, não escrutina o que faz e diz a ONU, tomando toda a informação que vem da ONU, ou de funcionários da ONU, como verdades reveladas que não precisam de escrutínio.
Mas que informação transmite a ONU?
Como gosto de fontes primárias (e já vamos à forma como a imprensa depois as usa), é dar um salto aqui e ver que a porta-voz do Comissário para os Direitos Humanos fala em 875 pessoas mortas enquanto procuravam aceder à ajuda humanitária.
Uma boa parte da imprensa, imediatamente usa esta informação como querendo dizer que 875 pessoas morreram por causa do esquema de ajuda humanitária da GHF.
Só que não é isso que está escrito.
674 nas vizinhanças dos postos da GHF e 201 junto de outros sítios, geridos pela ONU.
Primeira surpresa, cerca de um quarto dos mortos ocorrem quando procurem ajuda da ONU.
Segunda surpresa, nenhuma referência é feita a tiros de tropas israelitas.
Terceira surpresa, a ONU não diz qual é a fonte de informação que está a usar.
Olhemos agora para a informação que vem de uma das partes em conflito, a GHF, citada por uma fonte judia.
Primeira surpresa, quando, olhando para a imprensa, Israel é retratado como impedindo a ajuda humanitária, a GHF, num só dia (Segunda-feira), terá distribuído 1,3 milhões de refeições, para uma população de 2,2 milhões (à ajuda da GHF é preciso somar a que é gerida pela ONU, naturalmente). Já agora, desde que começou a operar, já terá distribuído 74 milhões de refeições.
Segunda surpresa, a GHF diz que os números usados pela ONU são os do Hamas (eu não sei se são, sei é que a ONU não diz qual é a sua fonte de informação).
Agora sem surpresa, noutra publicação mais recente da GHF, há uma descrição dos problemas que o Hamas está a causar, implicando a morte de civis, para boicotar o esquema de ajuda humanitária que o põe de lado, difícil de confirmar, para já.
Temos, portanto, duas hipóteses.
A do jornalismo mainstream, que consiste em dizer que Israel e os seus aliados criaram um esquema para atrair crianças e as matar a tiro, a coberto de uma operação de ajuda humanitária.
A da GHF, que consiste em dizer que o Hamas está a criar confusões, que resultam em mortes, como forma de boicotar o esquema de ajuda humanitária que lhe retira poder.
Não há maneira de saber qual das duas hipóteses é verdadeira, para além de dúvida razoável.
Mas em qualquer parte do mundo, qualquer pessoa, considera mais razoável admitir que um grupo de fanáticos militarizados como o Hamas use o seu próprio povo para criar terror e ganhar poder, que um governo democrático crie um jogo de tiro ao alvo a criancinhas sem imediatamente se gerar um escândalo de proporções bíblicas na sociedade em causa.
Ou melhor, em qualquer parte do mundo, excepto Israel, de acordo com a imprensa.
o Embaixador dos EUA na ONU pediu o encerramento da organização:
ResponderEliminar«Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente PróximoUNRWA
"...Ignorando as acusações de falta de imparcialidade da ONU, não escrutina o que faz e diz a ONU, tomando toda a informação que vem da ONU, ou de funcionários da ONU, como verdades reveladas que não precisam de escrutínio....".
ResponderEliminarA ONU, durante meio século de poder e responsabilidades em Gaza não entregou nem uma das proverbiais canas de pesca aos gazeanos.
A ONU preferiu criar ali, e para si, um lucrativo feudo, um infindável círculo fechado de interesses, económicos e políticos.
Por seu lado os gazeanos preferiram utilizar os vastos fundos e apoios "humanitários" -inclusivé de Israel- não para construir um país, mas sim para construir um Metro de cariz mais que duvidoso. Isso perante a complacente, senão deliberada cegueira da autoritária ONU.
Sabemos quem são os países das maiorias que votam resoluções na ONU.
Obrigado por mais um texto imparcial e factual. Venham mais destes.
ResponderEliminarNada é verificável, todos os dados são duvidosos, somente temos teorias.
ResponderEliminarNo entanto, o meu lado tem razão.
Sim, dá para os dois lados, salvo seja...
Quando não há para contrapor, resta isto do são todos iguais, andam todos ao mesmo. Reação típica do ignorante, convencido, mas com fé(zada), que perde o chão e fica sem pio ...
ResponderEliminarTem razão, não ter a certeza do que se passa é a marca dos ignorantes. Os inteligentes e esclarecidos nunca têm dúvidas.
ResponderEliminarUma coisa é certa e não carece de verificação: a comentar no respaldo do sofá nunca se perde o chão. E a razão.
ResponderEliminarConcordo de inteiro com o Rodrigo. É de ignorante partir de factos não verificaveis e tirar conclusões inequívocas, sempre na base da fezada, convencidos de que têmrazão. Sejam pro israel ou pro hamas. Sejam jornalistas ou comentadores de blogs.
ResponderEliminarContinuo a acreditar mais em Israel.
ResponderEliminarJá da nossa comunicação social, não espero grande coisa desde a vergonhosa cobertura da pandemia. Não informa, abraça causas.
Subscrevo
ResponderEliminarIsrael não tem Razão para mentir
O Hamas tem
Com social são idiotas úteis
Basta seguir meios isentos como daily wire, douglas murray ou War Room para desmontar a propaganda anti semita
Basta ver a "cobertura" que eles dão ao que se passa em espanha...
ResponderEliminarO mal é que não passam noticias que sejam más que envolvam o hamas, a onu ou os palestinos. É só malhar nos Israelitas.
ResponderEliminarEsta noticia é antiga mas passou por cá?
https://www.ynetnews.com/article/ry00kqzera
Hamas terrorists murder Gazan mother after refusing to give charity funds
Local reports say terror group operatives stopped Islam Hijazi's car and fired over 90 bullets at her after she refused to provide them with money donated to her organization
Vergonhoso o que eles fizeram aquela mulher e ainda por cima, isto:
https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/empresas-de-fachada-e-recorde-de-doacoes-o-hamas-nunca-recebeu-tanto-dinheiro-quanto-agora/
O dinheiro que eles recebem não lhes chega e ainda roubam o de outras organizações.
A típica tática da guerra fria Pravda/Avante/Jornalismo quando sentem o chão a tremer debaixo dos pés. "São todos iguais"
ResponderEliminarA grande maioria dos jornalistas são activistas. Foram para a profissão e aceites pelos pares para fazer politica não para informar.
ResponderEliminarOs jornalistas portugueses (e não só cá), só seguem o Hareetz o jornal da extrema esquerda Israelita com uns 4% de leitores...
ResponderEliminarO jornal que escrevia há cerca de uma década que os rockets do Hamas e do Heezbollah eram delírios do "complexo militar industrial".
A "cobertura" consiste em traduzirem o "El Pais", que está para o PSOE como a "Marca" está para o Real Madrid. Mas, aparentemente, não há mais jornais em Espanha (tal como em França só há o "Le Monde", nos EUA só há o "NY Times", e no Reino Unido só há o "Guardian", que, ainda por cima é de graça).
ResponderEliminarForça camarada Lucky.
ResponderEliminarNão deixe que a ideologia lhe tolde o pensamento
ResponderEliminarhttps://youtu.be/dnXciY5CpX4?si=CbJOAkix1losCC_a
Eles são assim, os progressistas marxistas. Não querem perceber que há o Bem e o Mal. Recusam escolher um lado. Eu escolho Israel, os seus aliados ocidentais, as Forças do Bem, Bibi e Smotrich. Arrasar Gaza, extinguir Hamas, enviar Palestinianos para onde sejam bem-vindos.
ResponderEliminarTomem atenção que nem sequer é um espanhol autócne a dizer o que se diz nesse video
ResponderEliminarCanal Periodista digital https://youtu.be/usxKKnIfgeM?si=_4sx71hFzEgAB4NP
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ResponderEliminarhttps://youtu.be/yDcSnzlVRIo?si=WhW7GgJokwuBXhW1