terça-feira, 15 de julho de 2025

A mortalidade em Gaza e o jornalismo

Por causa do meu post anterior, e da irritação anterior quanto à forma como se usam números do Hamas, sem verificação e contextualização nenhuma, como se de verdades reveladas se tratassem, acabei a ir ter a dois relatórios que avaliam os números de mortes reportadas pelo Hamas.


Os relatórios podem ser vistos aqui e aqui, e todos são livres de avaliar essas fontes primárias como entendem.


A minha avaliação é simples: não sendo, como não são, fontes totalmente imparciais (o que, de resto, não existe), têm a grande vantagem de explicar que números usam, como os usam, provenientes de que fontes, usando maioritariamente a fonte mais usada por todos, os números do Hamas, mas não de forma acrítica.


O mais relevante talvez seja este gráfico que demonstra, sem a menor sombra de dúvida, que a distribuição da mortalidade em Gaza, por escalões etários e sexo, é a que se pode esperar de uma guerra, não a que se poderia esperar de uma política de abate indiscriminado de uma população.


mor gaza.jpg


Quando há mortes indiscriminadas numa população, o mais natural é que a distribuição da mortalidade por classes estárias e sexo seja a que existe nessa população (de outra forma não seria indiscriminada).


O que se verifica não é nada disso, é uma mortalidade muito abaixo da que seria de esperar da estrutura demográfica entre crianças abaixo dos 14 anos e mulheres (o Hamas não tem um exército tendencialmente igualitário entre homens e mulheres, bem pelo contrário) e uma mortalidade acima do que seria de esperar da estrutura etária entre homens com mais de 14 anos, especialmente muito acima no homens entre os 25 e os 40 anos, isto é, o que o gráfico mostra é uma mortalidade característica de uma mortalidade que atinge, de forma muito desproporcionada, os combatentes.


mul hom gaza.jpg


O que sugere que as acções do exército israelita são muito menos indiscriminadas de que os jornalistas escrevem incessantemente, dirigindo-se, e tendo resultados, muito expressivos, na mortalidade de combatentes.


Combatentes esses que, por opção estratégica do Hamas, usam os civis como escudos humanos, se confundem deliberadamente com a população, e incluem combatentes entre os 14 e os 18 anos.


Esta absoluta indignidade do Hamas, aparentemente, não emociona os jornalistas ao ponto de os fazer ter algum cuidado no tratamento da informação que lhes chega, ao ponto de menos de 3% das notícias sobre a mortalidade em Gaza referir a morte de combatentes do Hamas, apesar de eles, aparentemente, terem um peso relativo na mortalidade que é maior que em muitas outras guerras pelo mundo.

29 comentários:

  1. Receio que, sem uma breve explicação dos gráficos, este postal não alcança os objectivos pretendidos.

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  2. Para mim, os gráficos são claros, mas compreendo que possam não ser para outras pessoas.
    Se me disser que dúvidas tem, eu procuro responder.
    O primeiro gráfico sobrepõe a estrutura populacional de Gaza à estrutura da mortalidade (por idade e sexo).
    O segundo mostra a proporção entre homens e mulheres na mortalidade (o 1 quer dizer que morrem tantas mulheres como homens, para cima, morrem mais homens, para baixo, mais mulheres).

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  3. Cada um dos times assume os seus números como credíveis, bem como as conclusões da análise dos mesmos. Os número e análises estatísticas do outro time são preconceituosos e martelados. Isto porque o nosso time não tem razão para mentir, e ao contrário do time adversário,  não usa de propaganda. 
    Desde o dia 1 do conflito, o 1⁰ passo foi escolher o time. Uns já mudaram, força dos números, pois matar 5000 é uma resposta proporcional ao ataque terrorista, mas matar 5001 já era demasiado. Felizmente ainda há indefectíveis de cada um dos lados.
    O que ainda estará por explicar em números, e das entrevistas com israelitas ninguém os deu, é quantos combatentes do Hamas foram abatidos, e quantos sobram. Porque esse era um dos objectivos da operação, acabar com capacidade militar do Hamas, quão perto estão ao fim de 2 anos évum mistério. 

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  4. O time do Hamas ganha quanto mais a própria população morrer. 
    Isto é uma numa mudança Histórica nos conflitos só possível com a profissão de jornalismo que temos. 
    Nunca aconteceu.

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  5. O gráfico das mulheres segue a pirâmide populacional. A dos homens. Não.
    Notar que o gráfico da população total não está á mesma escala.

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  6. Exacto. A culpa é do jornalismo. Até porque tudo o que Israel faz é proteger a sua população. Cachecol e bandeirinha.

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  7. Há uns dias Ben Shapiro explicou o conflito Israel Palestina, com contexto histórico desde os tempos AC. Tudo muito detalhado, até aos dias de hoje. A única omissão foi o facto que levou Rabin a deixar de ser PM. Um pequenino facto que pode levar a pensar que não é totalmente verdadeiro que de um lado todos só querem a paz, e do outro todos só querem a guerra.

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  8. A questão é que ainda assim a proporção de mulheres e crianças mortas é muito mais elevada do que nas restantes guerras do séc. 21. É essa a comparação que deve ser feita e que este post ocultou.

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  9. Muito obrigado. Com essa informação, é mais fácil entender o que representam os gráficos em questão. 

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  10. Fontes primárias? Todos os gráficos são um arranjo de dados, fidedignos ou não (como é o caso). Afora a interpretação. Está à vista de todos o que se passa em Gaza. Não é uma guerra, é um genocídio com ameaça de deslocalização dos sobreviventes. O crime sempre teve adeptos. Só que agora estão mais elaborados. 

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  11. Em última análise, quando a população for exterminada, o Hamas sai completamente vitorioso. E será decerto louvado pelo seu criador, o Estado de Israel. Missão cumprida. 

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  12. Pode dar-me alguma indicação de fonte primária que tenha feito essa comparação?
    Afirmar uma coisa à toa, sem a fundamentar, não tem interesse nenhum

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  13. Vejo que tem dificuldade com o conceito de "fontes primárias" de informação.
    Não admira, por isso, que depois de dizer umas asneiras sobre o que é uma fonte primária de informação, desembeste por afirmações sem a menor base factual, para concluir pela desqualificação moral de quem não pensa como vossa excelência.
    E tudo isso, sob anonimato.
    É de valor.

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  14. Se é extraordinária ou não, é um juízo de valor que não fiz, que é factual e resulta directamente dos dados, não resta a menor dúvida.

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  15. As fontes devem ser a Wikipedia,  https://en.m.wikipedia.org/wiki/Casualties_of_the_Gaza_war , a mistura de fake news com Borda dagua.

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  16. Investimentos de Israel para salvaguardar a sua população:


    Investimento em Iron Dome e outros mísseis anti mísseis e os meios de detecção radar e outrosinvestimento em sistema de comunicação e aviso 
    investimento em sistemas de socorro. 
    investimento no quarto blindado em cada apartamento. 
    Todos estes  biliões de dólares de  recursos poderiam ter ao invés sido investidos em meios de ataque.


    Tudo isto que é Civilização é ignorado pelos jornalistas


    Quais os investimentos do Hamas para salvaguardar a sua população? 
    Fico sentado á espera da resposta.


    Tudo isto que é Barbárie e é ignorado pelos jornalistas.


    Não me admira nada que a esquerda marxista não tenha sensibilidade nenhuma para isto. Afinal o Povo sempre foi um mero instrumento para explorar.


    Sim. Os jornalistas ajudaram a criar novas táticas de combate. E ajudaram a criar táticas bárbaras.

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  17. Por isso segundo o o anónimo das 04:13 os Aliados fizeram um Genocídio dos Alemães na 2GM. 


    É que a taxa de mortes Alemãs na 2GM foi maior. E os combates nem sequer foram maioritariamente em cidade. 
    E mesmo os nazis tinham de proteger os próprios civis. 
    Não tinham uma profissão a ajudá-los a escapar dessa função essencial.


     E lá se foi a Grande Guerra Patriótica, afinal foi um Genocídio.

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  18. Primitivo.  Sabe a diferença entre escalar e binário? dose e veneno?

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  19. O gráfico vem de um relatório que analisa os números do Hamas e para o qual faço uma ligação no post.
    Percebe a diferença para as suas diatribes com comentários pessoais e sem qualquer informação de base que possa ser verificada?

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  20. Não são números do Hamas, e se o fossem significava uma novidade - a credibilidade da informação distribuída por essa organização. Se tivesse lido o site que usa e linka, podia constatar que a metodologia utilizada para a elaboração dos gráficos apresentados (a legenda estará correcta?) constitui uma crítica aos relatórios publicados pelo Ministério da Saúde de Gaza, recorrendo a três fontes diferentes, com transparência limitada e sem validação. De distorção em distorção, valida-se a inenarrável “guerra”, o nome que dá ao massacre a que todos assistimos diariamente. Sem qualquer rebate de consciência. 
    Já ouviu falar em negacionismo? 

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  21. A capacidade de pensar e expor as ideias é um dom maravilhoso. 

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  22. O seu comentário confirma que são os números do Hamas que são avaliados, com base no confronto com outras fontes de informação que permitem avaliar esses números.

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  23. Era o que mais me faltava ter de ser eu a dar os links para isso, tenho mais do que fazer. Não houve nenhuma guerra no séc. 21 em que 50% das mortes tenham sido mulheres e crianças, é algo extremamente fácil de verificar. Esta percentagem horrenda apenas é possível devido à política de bombardeamento sistemático das habitações pertencentes a membros do Hamas. Ou seja, para matar um qualquer membro do Hamas (por mais substituível que ele seja), a casa é atingida e a família inteira morre soterrada. Tudo isto está documentado, é só pesquisar. Mesmo que isto por si só não seja necessariamente uma prova de genocídio, é revelador de uma indiferença total à vida humana.

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  24. É natural que não queira dar ligações para o que diz, porque não existem.
    Pelo contrário, eu posso dar-lhe ligações para várias análises sobre qual é a percentagem de civis que morrem nas guerras e que andam, exactamente, por essa percentagem de 50%.
    Pode até começar pela wikipedia
    Civilian casualty ratio - Wikipedia

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  25. Está a assumir que todos os homens mortos são combatentes, o que é simplesmente ridículo. Pelo contrário, em todas as guerras morrem muitos mais homens civis do que mulheres (são mais facilmente confundidos com combatentes, expõem-se mais ao perigo e são alvos preferenciais de uma forma geral).


    O próprio artigo da Wikipedia que está a linkar indica que a percentagem de civis mortos em Gaza é cerca de 80%, uma percentagem MUITO superior aos tais 50%.

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  26. Não estou a assumir nada disso, estou a dizer que uma matança indiscrimanada não dá variações de sexo e idade, e que os combatantes são esmagadoramente rapazes e homens acima dos 14 anos, que são exactamente os que mais morrem (dizer que os combatentes são esmagadoramente rapazes e homens acima dos 14 anos não é o mesmo que dizer que os rapazes e homens acima dos 14 anos são todos combatentes).
    O que a ligação lhe permite perceber é que percentagens de mortos civis em torno dos 50% em guerras são habituais.
    A percentagem de 80% de civis mortos na guerra de gaza é o que resulta dos números do Hamas, que expressamente dá instruções para que todos os combatentes sejam contabilizados como civis.

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