O Banco de Portugal decidiu, bem ou mal, que precisava de uma nova sede.
Asim sendo, por que razão tem de ser em Lisboa, e não em Castelo Branco?
Eu sei que a pergunta parece (provavelmente é mesmo) uma patetice, mas ainda assim gostaria de a ver respondida de forma séria e é isso que vou tentar fazer neste post.
A tradição dos bancos centrais, que têm (no quadro da união monetária um pouco menos, mas ainda assim) funções de sobrania de primeira ordem, é a de estarem no centro do poder, de preferência simbolicamente em edifícios que representem a sua gravitas, seriedade e majestade.
Neste sentido, nem valeria a pena discutir a sede fora de Lisboa, mas acontece que é exactamente por questões simbólicas que acho que valia a pena discutir a hipótese de fazer a sede do Banco de Portugal em Castelo Branco.
Há muitos anos que defendo a mudança da capital de Portugal de Lisboa para Castelo Branco, proposta que tem alguns problemas sérios contra ela, nomeadamente o custo de capital associado.
Neste caso o custo de capital está resolvido (fica mais barato fazer uma sede imponente em Castelo Branco que uma nova sede numa zona central de Lisboa) e acho mesmo que, simbolicamente, era um reforço da ideia de um novo mundo - em que a soberania se aproxima mais das pessoas comuns que da ideia de majestade e o poder se reparte em centros que se equilibram entre si - cortar com a ideia de que o Banco Central tem de estar no centro de um poder central e único.
Há depois as questões de eficiência desta solução, a constante necessidade de relação com o Banco Central Europeu e os outros bancos centrais obrigam a viagens constantes de avião, pelo que estar longe de um aeroporto internacional seria uma perda de eficiência, o mesmo se dizendo dos interlocutores do Banco de Portugal, que estão todos em Lisboa.
Gosto mais destas discussões com estudos e números, e portanto gostaria de ver avaliadas, seriamente, quer as perdas de eficiência que referi, quer os ganhos de eficiência decorrentes do tempo a mais que as pessoas teriam por viver fora de Lisboa, quer o impacto no sobreaquecido mercado imobiliário de Lisboa resultante da transferência de umas dezenas de postos de trabalho qualificados para fora de Lisboa, etc..
E, já agora, sobretudo pensando na hipótese de transferir a capital do país para Castelo Branco, discutir-se a criação de um aeroporto internacional, de pequena dimensão, com certeza, mas com possibilidade de expansão futura, que servisse Castelo Branco (e, já agora, a raia espanhola envolvente). Aí voltamos ao problemas dos custos de capital, é verdade, mas só estudando e avaliando seriamente é que vale a pena discutir esta hipótese.
As vantagens de transferir emprego para fora das zonas ultra pressionadas do litoral para zonas com grande potencial de expansão, o que significa desviar investimento relacionado com a habitação e transporte em Lisboa para zonas menos pressionadas, com efeitos reais na vida das pessoas muito mais fortes, parecem-me que justificariam a discussão séria desta hipótese.
Eu sei que a generalidade das pessoas se riem desta hipótese e acham ridículo que os actores políticos percam tempo a discutir questões tão absurdas, mas a verdade é que, por exemplo, há meses que se anda a discutir a disponibilização imediata dos imóveis do Estado devolutos para habitação, com um grande investimento intelectual e material nessa ideia, ideia essa bem mais esdrúxula, impraticável e inútil que a ideia de ter a sede do Banco de Portugal em Castelo Branco.
Santana tentou. Foi o que foi.
ResponderEliminarO TC foi falado para Coimbra. Foi o que foi.
Convém deixar o queijo sossegado
ResponderEliminarem Portalegre era um estímulo para dinamizar uma zona esquecida, empobrecida e muito envelhecida. casas vazias não faltam.
ResponderEliminaro país está na agonia com este regime.
Se (eventualmente )é para rir, então vou dar um exemplo prático de como, sem apoios do Estado (que são atríbuídos para o efeito, mas que não funcioanma) foi possível, criar emprego e criar um Império empresarial, no interior profundo, como é Campo Maior.
ResponderEliminarEstou a referir-me em primeiro lugar ao homem que foi capaz de o fazer, Rui Nabeiro e em segundo aos cafés Delta.
O centralismo dos governos e partidos politicos tornam essa hipotese inviável. Eles querem tudo em Lisboa, tudo.
ResponderEliminarO circulo social das pessoas do Banco de Portugal é em Lisboa e arredores com todos os seus ginásios, restaurantes, bares, golf, desportos, iates etc etc... estamos a falar da elite intocável do regime que mesmo com a perca de controlo sobre a moeda não se reduziu em nada.
ResponderEliminarNão há claro outra razão para o Banco de Portugal ter esta dimensão excessiva. O Banco de Portugal é o que é pelo poder social das suas pessoas na oligarquia. Não se vai reduzir quanto mais mudar para lado nenhum for de Lisboa.
Não só o BP
ResponderEliminarNão há razão para que alguns serviços tenham que estar em Lisboa
Ainda por cima Portugal tem um defeito há séculos.
Os rios em vez de divirem a cidade, duvidem o distrito.
Porque raio de carga de Água, Temos duas cidades e dois distritos separados por uma ponte que não é mais que uma avenida, como Lisboa-Almada, ou Porto-Gaia?
ResponderEliminarles études sociologiques de M. Cbombart de Lauwe, de Mm• Andrée
Michel, de Lucien Brams, etc ... - La crise du logement ne peut se séparer
d'un ensemble de phénomènes économiques, de faits sociaux, de « crises »
diverses.
Deve tentar a comédia, essa habilidade reprimida vem ao de cima de quando em quando.
ResponderEliminarAceite um conselho, não compre uma guerra. O que diriam em Picha (Pedrogão Grande) ao serem preteridos por Castelo Branco !?
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ResponderEliminar> O centralismo
Não é centralismo, é preguiça. Como diz o outro, não é preciso atribuir a malícia o que pode ser explicado por estupidez.
Pior que a séde do Banco de Portugal é a sêde do Banco de Portugal. Que o diga o CR7 Centeno!
ResponderEliminarCaro Senhor
ResponderEliminarO BP tem mais efectivos e salários mais elevados do que o Banco central Sueco, que manteve todas as sua funções de banco central emissor ao contrário do português que transferiu grande parte das suas responsabilidades e actividade e funções para o banco central europeu; desde esse esvaziar de funções (quase 30 anos depois) o banco de portugal manteve os mesmos efectivos de anteriormente. Provavelmente esse é o real problema (do banco, e de Portugal).
Quanto à construção, e continuidade na exploração, é muito mais caro, naturalmente em C Branco. Apenas o terreno é mais barato.
Se o Banco de Portugal necessita de um aeroporto por perto, então Beja será melhor que Castelo Branco.
ResponderEliminarAlém da possibilidade de transferir a capital para outra cidade há a possibilidade de transferir serviços diversos para cidades diversas, como se faz na Alemanha - onde o Tribunal Constitucional está numa cidade, o Banco Central noutra, a administração da Segurança Social numa terceira, e assim por diante
parece que não pagava impostos de importação e viveu em Badajoz
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ResponderEliminarHá que pedir emprestado o Musk e a máquina de analizar despesas supérfulas dele.
E criar condignas cidades univercitárias em Castelo Braco e Portalegre