Há muito tempo que defendo um programa simples de apoio à gestão activa de combustíveis finos florestais, a principal questão relacionada com a gestão do fogo.
Há muito tempo que falo de uma associação que ajudei a fundar, a Montis (sou sócio, acho dos 25 euros por ano mais bem empregados dos muitos que gasto anualmente), e vou dizendo que é uma associação que vai fazendo gestão activa de terrenos com objectivos de biodiversidade que, por acaso, em alguns casos, até têm efeitos positivos na gestão de combustíveis finos.
O governo, todos os governos, vão fazendo uns programas complicados de apoio à gestão florestal, reconhecendo que é na gestão de combustíveis finos que se ganha, ou perde, o controlo sobre o fogo.
Agora inventaram mais um programa, este cujas candidaturas estão abertas.
Sabem que mais?
A Montis não se pode candidatar porque as entidades colectivas não são elegíveis.
Ou se é proprietário singular, ou, sendo uma empresa (que é o que qualquer pessoa com dois dedos de testa faz se quiser gerir meia dúzia de metros quadrados de terrenos com um mínimo de seriedade), ou uma associação de interesse público, como a Montis, não há apoio para ninguém.
A coisa é tão evidentemente estúpida, que todos os potenciais intervenientes no processo decisório (e conheço muitos) me respondem que tenho toda a razão, que defenderam exactamente o mesmo que eu quando foram consultados, mas que o vizinho do lado (é sempre o vizinho do lado) se opôs a que as entidades colectivas fossem beneficiárias.
Só me resta uma esperança, mas muito, muito ténue: que o Ministro da Reforma do Estado leve a carta da Garcia e obrigue ao registo total, com total abertura do processo uma vez tomada a decisão, de todas as alterações que ocorrem durante um processo legislativo, desde a primeira proposta, até ao diploma final, com identificação do responsável por casa alteração, como acontece na Assembleia da República.
Seria uma maneira elegante de limitar o efeito da estupidez na burocracia, uma das mais notáveis e úteis invenções humanas, quando é inteligente.
É que sem responsabilização a sério, não há maneira de distinguir o estúpido que impede que as entidades colectivas sejam beneficiárias de um programa que se dirige a actividades que maioritariamente são executadas por entidades colectivas.
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ResponderEliminarSerá que por alguma via os membros do governo ou quem é visado
ResponderEliminarvai tomar conhecimento desta critica tão importante, e tenha a coragem de, não estando de acordo rebater com argumentos sólidos, ou modificar efectivamente as clausulas necessárias?
Ou pura e simplesmente desprezam a sugestão pelos motivos do costume?
Pode-se saber se tomaram conhecimento?
Obrigado
ResponderEliminarA maioria das atividades de gestão florestal é efetuada por empresas?!
Acho isso muito estranho.
Eu diria que a grande maioria dos proprietários florestais são privados que gerem, pouco ou muito, bem ou mal, eles mesmos os terrenos que lhes pertencem, sem ser em nome de qualquer empresa.
Eu tenho na minha família montes de proprietários florestais e nenhum deles possui qualquer empresa para gerir as suas parcelas.
ResponderEliminarEvidentemente.
Havendo na zona de minifúndio milhares de proprietários e dezenas de milhares de parcelas, é inconcebível que seja quem fôr receba o subsídio a não ser que meta uma cunha.
Eu diria o que disse no post, que a esmagadora maioria da actividade de gestão florestal é feito por entidades colectivas, como somos diferentes
ResponderEliminarE diria com razão. Factos batem sempre os achismos e experiências pessoais
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