Comecei a ler notícias sobre um relatório do INE sobre habitação.
O essencial das ideias que vão passando, quando se lê apenas a imprensa, é de que existe uma grande crise de habitação e as medidas que o anterior governo tomou agravam essa crise porque fizeram aumentar a procura, com as garantias e isenções de impostos para jovens.
"O indicador foi revelado nesta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). “No primeiro trimestre de 2025, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) cresceu 16,3% em termos homólogos, mais 4,7 pontos percentuais (p.p.) que no trimestre anterior”, afirma o organismo oficial de estatísticas, acrescentando que “no trimestre de referência, a taxa de variação dos preços das habitações existentes [usadas] foi 17,0%, acima da observada nas habitações novas (14,5%)”.", por exemplo, é o que escreve o Observador, a partir de um relatório cujo destaque, em título, é o seguinte: "PREÇOS DA HABITAÇÃO ACELERARAM PARA 16,3% E O NÚMERO DE TRANSAÇÕES AUMENTOU 25,0%".
Claro que os artigos (pelo menos alguns) acabam, lá pelo meio, por falar do segundo aspecto destacado pelo INE, mas numa posição completamente diferente. E estabelecem uma relação de causa e efeito onde há coincidência entre subida de preços e medidas do governo (os mais sérios lembram que a descida do crédito também poderá ter aumentado a procura).
O que não vi nenhuma dos artigos fazer é o que faz o INE, falar do aumento de preço ao mesmo nível de um aumento, ainda maior, de transações (está aqui o gráfico, para quem gosta de informação, em vez de propaganda).

Se as transações aumentam mais que o preço, não me parece razoável dizer que há uma crise no sector, mas sim um desequilíbrio entre procura e oferta, que deixa de fora do mercado a procura com menos capacidade económica.
Isso é um problema, mas se as transações aumentam, é porque mais gente conseguiu comprar casa (poupem-me à propaganda dos estrangeiros, fundos imobiliários e etc, o sector das famílias é responsável por 87% das transações e essa percentagem tem aumentado).
As alterações de preços são informação essencial nos mercados, mas dizem relativamente pouco sobre se o sector está em crise ou não.
Neste caso, o sector da habitação parece-me muito longe de estar em crise, já o acesso a habitação por parte dos sectores com menor poder económico parece-me um problema sério, que só o aumento de oferta de casas poderá ir minimizando.
O que parece que vai acontecendo, felizmente, a uma velocidade mais baixa do que seria possível com um bocadinho menos de demagogia, infelizmente.
Para o que ajuda mais ler as fontes de informação primária que o jornalismo que insiste em me querer convencer de como eu devo ver o mundo.
ResponderEliminarO mercado está pujante, e as famílias adquirem património que se valoriza.
Tudo o que os socialistas estatistas não suportam
Totalmente de acordo. Excelente análise.
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ResponderEliminarSe não se ignorasse uma parte do país, esses problemas estariam resolvidos há muito. E lá voltamos nós ao mesmo, Sr.Arquitecto!
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ResponderEliminarObrigado pela nota factual, são estes contributos que tornam a bloga valiosa.
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Junta-se uma base de "nobre mentira" do Platão, e temos a comunicação social em todo o seu esplendor - uma arma apontada às cabeças de gado.
Com anúncios de sabão e outros produtos. Primum vivere, deinde ...
ResponderEliminarÉ evidentemente bom que o número de transações aumente.
Mas isso não resolve grandemente o problema da falta de habitação. Muitas das transações correspondem, provavelmente, a trocas de habitação (uma família vende uma casa e compra outra mais adequada).
Propaganda socialista na net
ResponderEliminarhttps://youtu.be/EWRpaaz_8wM?si=lmJuqJk2pz4-Wm3b
Eles não se ficam pelas bbc e jornais...
ResponderEliminarQuando se acha que ter uma casa mais adequada não contribui para resolver o problema da habitação...
ResponderEliminarExcelente análise. Isenta e imparcial.
ResponderEliminarInfelizmente há quem olhe para estes relatórios e comece pela conclusão.