sexta-feira, 20 de junho de 2025

Corar de vergonha

Sobre a fase aguda do conflito entre o Irão e Israel que ocorre por estes dias, Pedro Gomes Sanches faz uma pequena e lúcida crónica no Expresso, que acaba assim: "Sobre isto, o Presidente da República Portuguesa disse que, na ausência de posição oficial do Governo, ia dar uma "opinião pessoal": o ataque ao Irão foi para "desviar a atenção da Palestina". Corei de vergonha. Espero que o próximo presidente não diga estas barbaridades".


Eu também coro de vergonha.


Por um presidente que dá opiniões pessoais sobre assuntos complexos em que não há posição institucional do Governo e por essa opinião só ter uma classificação: é completamente estúpida.


Eu sei que há um mito forte sobre a prodigiosa inteligência de Marcelo Rebelo de Sousa, matéria sobre a qual não tenho a menor opinião, quer porque o meu pai sempre me disse que não há máquina nenhuma para medir a inteligência, quer porque, a ser verdade, a minha inteligência nunca me permitiu ver a de Marcelo em nada de concreto.


Quem defende esta ideia da prodigiosa inteligência de Marcelo Rebelo de Sousa deveria estar preocupadíssimo com esta "opinião pessoal" que, num homem inteligente, só pode ser sinal de profunda degradação intelectual, ao nível da que diziam que não existia com Joe Biden.


O que verdadeiramente me faz corar de vergonha não é tanto este episódio em si (as demências são uma epidemia que vai crescendo à medida que vamos tendo uma sociedade progressivamente mais envelhecida, portanto essa possibilidade não pode ser descartada), mas a apatia (que me inclui) com que uma profunda estupidez como esta é recebida pela sociedade e, dentro desta, pelo jornalismo que tem a obrigação de escrutinar os poderes públicos.

11 comentários:


  1. A opinião de Marcelo não me parece estúpida.
    Seja como for, creio que há muita gente que partilha dessa opinião.

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  2. Marcelo não percebe que o tempo das homilias televisivas em horário nobre acabou.
    As pessoas têm acesso global e imediato à informação,  por isso querem é opiniões fundamentadas e esclarecidas.
    Foi essa a razão da vitória de Trump, em que a nova comunicação social bateu a "legacy" por ko.
    É ver a classe dirigente americana, desde as conferências de imprensa às declarações informais, para perceber o novo mundo, que em breve chegará de vez à Europa.

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  3. Tivemos ainda outra situação de apatia semelhante com o Ministro da Defesa. 
    Disse sucintamnte que o seu Ministério existe para apoiar as empresas Portuguesas.
    Imagine-se o que aconteceria se um Ministro da Saúde dissesse o mesmo.


    Segui-se o silêncio.

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  4. Marcelo disse a título pessoal, numa espécie de rábula pobrezinha Olivia costureira, e a Olivia patroa.
    Mas também muito mau foram as declarações do candidato à cadeira de Marcelo, o Marques Mendes, pois sendo na qualidade de candidato a PR deixou bem marcada qual a sua posição quando e se lá chegar. Muito mau mesmo 

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  5. Haver muita ou pouca gente a partilhar uma opinião não diz nada sobre o facto de ser estúpida, há muita gente que partilha ideias estúpidas (por exemplo, António Costa teve uma maioria absoluta há pouco tempo).

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  6. Um presidente em funções não é um opinador da vida politica. Pode ser a nivel pessoal ou por interposta pessoa, não deixa de ser PR.


    Que se cale, nem devia falar tanto em publico, se tem alguma coisa a dizer é directamente ao governo e que nos poupe à demência populista.

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  7.  "...o ataque ao Irão foi para "desviar a atenção da Palestina"".

    O ataque ao Irão -mentor do Hamaz (e do Hezbola)- tem muito a ver com o Irão, tem alguma coisas a ver com o Hamaz e nada a ver com uma, por reconhecer, Palestina. A Autoridade da Palestina sonha que a deixem celebrar um qualquer acordo com Israel. Muitos habitantes de Gaza, por seu lado, querem ver-se livres do Hamaz e até arriscam a vida.

    Os líderes no poder do Irão, os ayatolas, "só" querem apagar Israel do mapa. Muitos iranianos têm o mesmo problema com os seus nada democráticos líderes, que os gazeanos. Os novos formatos de comunicação social, as novas gerações, estão a determinar o fim dos ayatolas. É uma evolução já impossível de conter.

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  8. Vejamos a estupidez


    O Regime dos Ayatollah quer destruir Israel.
    O Regime quer a bomba atómica e tem continuado nos passos para a obter.
    2 dos aliados do regime dos Ayatollah:
    O Hamas  o Heezbollah estão de momento neutralizados. 
    Os Houthis também sofreram perdas. 
    O regime dos Ayatollah já gastou centenas de missis drones no passado combate logo os stocks estão enfraquecidos.


    Logo vamos esperar que se recomponham para os travar...

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  9. É necessária ums intervenção para mudar o regime,  tal como no Iraque.
    Se possível,  com o regresso do Xá

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  10. Tenha paciência. Mais uns 7-8 meses e o tormento acaba.

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