segunda-feira, 7 de abril de 2025

O país em pouco mais de dez hectares

A evolução do mundo e as dificuldades financeiras levaram o Estado a decidir, ali por 1997, alienar um pouco mais de dez hectares numa das zonas mais caras do país.


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Mais de 25 anos depois, um activo com um valor de mercado seguramente acima dos 100 milhões de euros, continua não só a não produzir nada de socialmente útil, como a consumir muitos recursos, para lá do evidente custo de oportunidade de ter mais de 100 milhões de euros de capital parados mais de 25 anos.


O Estado fez uma hasta pública (poderia ter doado o terreno à sociedade sob a forma de espaço público, podia ter usado para políticas públicas de habitação, poderia ter usado para optimizar as estruturas de saúde, e até podia usar o valor dos terrenos e edifícios que tem em Lisboa ao serviço do governo para transferir a capital administrativa do país para Castelo Branco, havia muitas alternativas socialmente aceitáveis para substituir um quartel por outro uso de utilidade pública) porque entendeu, legitimamente, que vender esse activo era a sua melhor aplicação: o Estado usaria o dinheiro da venda para as suas políticas, os privados mobilizariam capitais para criar riqueza.


Só que era o que mais faltava que um país em que os deputados fazem visitas de estudo à Turquia para saber como o novo aeroporto de Istambul foi construído em cinco anos não usasse, em toda a sua extensão, a cultura de destruição de capital que o caracteriza, à boleia de um peso excessivo que os inimigos do lucro têm no processo de decisão (mesmo que esse peso no processo de decisão esteja muito longe do peso eleitoral e social que têm).


Afinal o comprador não podia executar o que o Estado lhe disse, antes da venda, que poderia executar e, desde aí, têm sido anos de avanços e recuos, sem grande utilidade social, que incluem decisões da câmara em fazer obras que não só não cumpriam o Plano de Pormenor aprovado, como ainda o inviabilizavam, sem que fosse possível adaptar esse Plano de Pormenor à realidade.


As últimas decisões, já do actual governo camarário, dizem respeito à suspensão do plano de pormenor, são do fim de 2023, princípios de 2024, mas não permitem que o processo avance de imediato, apenas permitem um longo processo de revisão do que está previsto para o local, de modo a que o seu actual dono consiga vender o terreno sem riscos de licenciamento.


Estamos em vésperas de eleições autárquicas, com vários candidatos já conhecidos, mas aparentemente o jornalismo, até agora, não acha a novela sobre este terreno suficientemente suculenta para a discutir, quer quanto ao que as diferentes candidaturas pretendem decidir sobre o terreno, quer quanto às responsabilidades passadas nesta pura destruição de valor, sem qualquer utilidade social.


Não admira.


Hoje ao ler a defesa que Ana Sá Lopes faz do programa eleitoral do PS para as próximas legislativas, fiquei a saber que o programa tem "várias medidas genuinamente de esquerda, como o IVA zero nos produtos essenciais" o que coloca o Chega, de acordo com os critérios de Ana Sá Lopes, nos partidos com propostas genuinamente de esquerda, e cito do programa eleitoral apresentado pelo Chega em 2024, para não haver dúvidas: "Reintroduzir o IVA zero para bens alimentares essenciais e proceder ao alargamento da lista anteriormente aprovada", isto é, a grande parte do jornalismo a realidade não interessa nada, desde que possa contrabandear propaganda de forma aparentemente lógica.


Se o PS e o Chega resolverem fazer um governo apoiado pelos dois partidos, é natural, desde que tenham a maioria dos deputados, estarão apenas a cumprir a constituição, que é, evidentemente, o critério usado por todos os eleitores no momento do voto.

29 comentários:

  1. O que está mal, deve-se mudar. Se está errado que a maioria parlamentar e não o volume votos é que define a estabilidade governamental, então mude-se a lei.
    Talvez assim o ressabiamento de 2015 desapareça.
    Claro que o interesse pelo poleiro permite o impensável, mas por enquanto não se vislumbra um governa Chega e PS.
    Afinal no passado já houve um governo PS "com personalidades CDS" (palavras de Mário Soares), e ninguém se chateou.

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  2. coloca o Chega, de acordo com os critérios de Ana Sá Lopes, nos partidos com propostas genuinamente de esquerda


    E???


    É verdade que o CHEGA tem, no seu programa eleitoral, muitas propostas de esquerda. Tal como foi dissecado, quando esse programa foi apresentado, por Pedro Arroja.


    O CHEGA é um partido populista, e é natural qu tenha algumas propostas retintamente esquerdistas, tal como tem outras retintamente direitistas.

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  3. Para elucidar o post, poderia o Henrique dizer-nos onde se situa o terreno do qual ele fala?
    Eu pela fotografia não o consigo identificar, tal como muitos outros leitores certamente também não conseguirão.

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  4. entre a av. 5 de outubro e a av. da república.
    proponho a entrega à Federação de Futebol para o próximo campeonato.
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  5. Fica no quarteirão delimitado pelas Ruas Artilharia 1, Rua Marquês da Fronteira e Conselheiro Fernando de Sousa, confrontado a Sul com o Instituto Geográfico Cadastral e, talvez, com  a Av Duarte Pacheco.
    O edifício rosa que se vê na fotografia é o Liceu Maria Amélia.

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  6. entre a av. 5 de outubro e a av. da república


    Pela fotografia, não parece. Não identifico nenhuma das duas avenidas, muito menos o caminho de ferro.

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  7. O Chega é economicamente estatista. Chame-lhe de esquerda, se quiser. Socialmente é conservador, com laivos daquilo a que se chama Direita, como na posição em relação a (alguma) imigração. Mas se copiarem a sério o maga ou o Wilders, serão contra toda e qualquer uma, europeia incluída. 

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  8. O que é "doar o terreno à sociedade "?
    Isso cheira a marxismo...

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  9. A mim, o seu comentário cheira-me a ignorância

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  10. Com esta fotografia aérea, e a carrada de árvores que nela se vêem (quem sabe, até, jacarandás) o HPS acabou de acrescentar mais dez anos de demora a qualquer empreendimento urbanístico que ali se venha a desenvolver.

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  11. Para alguém que diz sempre desconhecer o que é isso do interesse público, vejo com surpresa essa onda ideológica colectiva...

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  12. Deverá elucidar o anónimo a quem só faltam as penas sobre o que é doar à sociedade, algo que parece óbvio.

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  13. O "Estado" nem terrenos devia possuir, isto não é a Idade Média.

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  14. Apenas uma precisão, liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.
    Cumprimentos 

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  15. Antonio Maria Lamas7 de abril de 2025 às 18:15

    O artigo de Ana Sá Lopes confirma a iletracia económica e fiscal da maioria dos jornalistas de esquerda na sua maioria. 
    Vital Moreira no seu Causa Nossa desmonta todo o programa. 
    https://causa-nossa.blogspot.com/2025/04/eleicoes-parlamentares-2025-14-o.html?m=1

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  16. Isto é simples de resolver, o Estado lança um concurso publico para construção mil fogos na periferia em troca do terreno de 100 milhões.

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  17. O que é isso de uma onda ideológica colectiva? Se um terreno é de uso privado do Estado (no caso, militar) e passa a ser de uso público (por exemplo, um parque público), em que é que chamar a isto devolver o terreno à sociedade tem de ideológico?

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  18. Sim, devia alugar apartamentos para fazer quartéis, por exemplo.

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  19. Se fosse simples, o assunto estava resolvido. O problema não é o das contrapartidas, é o do Estado dizer a quem quer que seja o que realmente se pode fazer ali.

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  20. Exacto.
    O Estado, que não existe, existe é um Governo, quer mandar na vida dos cidadãos e do meio em que vivem. Privatização de todos os terrenos, os cidadãos estão mais que qualificados para saberem se querem habitação, estacionamento ou áreas lúdicas. A sociedade, enquanto mercado que responde às necessidades, saberá tomar as suas decisões 

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  21. Cá está a sabichão das penas, com cartuchos na cabeça. Continua a zurrar.

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  22. O terreno deve ser usado 

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  23. É do interesse privado da maioria das pessoas que a segurança de pessoas e bens, incluindo a defesa da comunidade face a agressores, se materialize num exército do Estado e não em milícias populares.

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  24. Exacto, tem corrido bem essa opção na Somália, nas favelas brasileiras e nos subúrbios da cidade do México.

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  25. Na maioria dos países avançados, o Estado tem muitíssimo mais terrenos do que em Portugal. Um exemplo extremo é o Japão, no qual o Estado detém 90% do território do país - a maior parte florestas. Na Europa, os Estados em geral detêm da ordem de um terço do território - a maior parte florestas. Nos EUA, os territórios que pertencem à Federação são imensos, especialmente no Oeste. Em Portugal, somente 3% do território é estatal.

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  26. DOGE em Portugal
    Deixem o mercado funcionar.
    Socialismo nunca mais, abaixo os estatistas.

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  27. Funciona nos EUA, o melhor e mais rico país do Mundo.

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  28. Sim, toda a gente sabe que a segurança, nos Estados Unidos, não tem um tostão do Estado e que é país que nem exército tem.
    Os terrenos do Estado nos Estados Unidos são, em percentagem, muito mais que os terrenos do Estado em Portugal.

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