Nas imensas horas de comentários político que se vão desenrolando à nossa frente, há sempre espaço para fazer o tempo voltar para trás e se descrever o que se passou e nos ajuda a perceber o que se está a passar e vai ainda passar.
Embora a geringonça e quase tudo o que lhe diz respeito esteja muito presente nestas memórias sobre o tempo que passou (mesmo que com a invocação de memórias confusas, a mais relevante das quais, a de que António Costa e o PS referiram a possibilidade de se ligar à extrema esquerda para formar um governo, mesmo perdendo as eleições), este período de cerca de dez dias entre as eleições ganhas por Passos Coelho e o anúncio de António Costa de que a coligação PàF escondia coisas terríveis que o impediam de viabilizar parlamentarmente o governo de quem tinha ganho as eleições (Ouve-se esta entrevista de António Costa de 16 de Outubro e não se acredita de como é extraordinária a capacidade de dissimulação, intrujice e lata que caracteriza António Costa) é um período sistematicamente omitido nas doutas análises que vão sendo apresentadas.
Neste período, António Costa e o PS desenvolvem um jogo de sombras em que fingem estar a negociar com todos, que pretendem garantir a estabilidade parlamentar, mas à direita - a direita que apresentou propostas de acordo parlamentar em troco da integração de um conjunto alargado de propostas eleitorais do PS - as negociações não progridem porque não são apresentadas propostas, e à esquerda corre tudo muito bem porque há matéria concreta ser discutida (como o tempo veio a demonstrar com a assintaura dos papelitos entre o PS, o PC e o BE, que são muito concretos, como toda a gente sabe).
Para mim é incompreensível o sistemático esquecimento destes dez dias em que fica claro que a confiança é o ingrediente base de qualquer acordo, que é um ensinamento bastante útil para os dias que correm, quer na discussão sobre qualquer eventual acordo político com o Chega, quer com o PS de Pedro Nuno Santos, que não é o PS de 2015, é um PS formatado pelo golpe político de António Costa para garantir a sua sobrevivência política, à custa da destruição da credibilidade do partido a que pertencia e, consequentemente, à conta do desaparecimento da confiança que se possa ter nesse partido.
Sem um longo trabalho de reconstrução do PS, o regime tem mesmo um problema grave de governabilidade, e a análise destes dez dias, sistematicamente omitidos, seria um bom contributo para isso.
a geringonça acabou mal para quem pretendia influenciar o ps e igualmente para este. perante nova insistência lembra o Vira:
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Sim, muito importante neste momento relembrar a coerência dos partidos em campanha eleitoral.
ResponderEliminarEstá demonstrada a facilidade com que, em campanha eleitoral, se tenta destruir a imagem dos adversário ... que seguidamente serão seus associados, em letra de Lei.
O PS e os futuros comparsas andaram 15 dias a dizer mal uns dos outros para seguidamente assinarem votos político/maritais, em letra de Lei. Enfim, casamentos de conveniência que envolve toda a Nação. Monarquia?.
Mas a culpa nem é de semelhante dita classe política pois esta apenas aproveita, e mandata, a parte do sistema eleitoral que lhe agrada e em seu benefício: a escolha dos eleitores está restringida apenas partidos, no boletim de votos.
Tal como na figura do Referendo, se mais de metade do eleitorado se abstiver de colaborar neste absurdo método de eleger representantes de partidos, o PR deveria intrevir e tem poder para isso.
Qual "snake oil"! Banha da cobra, em bom Português.
ResponderEliminarCatarina Silva
Interessante seria os votos brancos elegerem lugares vazios no parlamento!... Aí sim! O sistema permitiria o protesto de forma audível e visível...
ResponderEliminarDez dias que mudaram o PS, e com a liderança deste infantil PNS levará inevitávelmente à sua insignificância.
ResponderEliminarBasta ver a inacreditável lista de deputados
> não se acredita de como é extraordinária a capacidade de dissimulação, intrujice e lata que caracteriza
ResponderEliminarUma excelente escolha para o lugar que agora ocupa, na tropa fandanga que assassina a Europa Ocidental.
Por muito menos Vidkun Quisling foi fuzilado. Esse ainda podia alegar que tinha sido a bem do seu povo, que manifestamente não é o caso agora.
Boa noite
ResponderEliminarComecei a ler este seu artigo, com intenção de chegar ao fim. Porém esta passagem desviou-me desse intuito para lhe refrescar a memória sobre o que a Constituição prevê sobre a formação do governo.
Não percebi o seu comentário, visto que não fiz nenhuma observação sobre a legitimidade formal de fazer qualquer governo a partir do parlamento.
ResponderEliminarCom a actual composição do parlamento, o PS poderia ter feito um governo com o Chega, a legitimidade constitucional seria inatacável.
Questão diferente, que é a do post, é se, não tendo esses dois partidos admitido essa hipótese antes das eleições, esse governo teria legitimidade política, e é sobre essa questão que versa a frase que cita.
É uma questão de mentalidade. Na Europa há coligações de toda a maneira e feitio. E goste-se ou não, o bloco central há muito deixou de o ser. O ps é "de esquerda". Se alguém se sentiu traído com razão, foi quem votou ps e Bloco. E na prática, nem houve governo de coligação (mas devia), não vi comunas a ministro. Houve acordo parlamentar.
ResponderEliminarEu também acho que a recusa do Costa e o PS dizerem isso, de forma clara, antes das eleições é uma questão de mentalidade.
ResponderEliminarNo caso, de mentalidade de chico esperto.
Ora bem. já há inglês a mais.
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ResponderEliminarPois é.
Mas qualquer líder do PSD, se for directamente questionado, diz querer maioria absoluta, não diz "faço coligação com X ou Y". Nem isso está no boletim de voto... posso votar PSD, e não querer uma coligação com PP, como já aconteceu.
O PSD tem uma coligação com o PP e diz sem problema que pode ter acordos com a IL, se não quer a coligação com o PP, vota noutro.
ResponderEliminarAos eleitores do PS é que não foi dada a oportunidade de votar noutro dizendo, explicitamente, que se o PS conseguisse formar uma maioria na Assembleia com partidos de quem foi historicamente adversário e com quem tinha divergências profundas de opção política, o faria.
No passado o psd coligou-se com pp. Tal como o Limiano deu maiorias ao ps. Não me lembro de ter votado nisso.
ResponderEliminarDeve ter percebido o que foi escrito, nas próximas eleições não se votará psd, vota-se ad.
ResponderEliminarBoa tarde
ResponderEliminarNeste trecho do seu artº «
ResponderEliminar"
Já PSD e CDS/PP de Portas, esses sim formaram Governo, sem que tivesse havido qualquer "consulta popular". Haveria quem o desejasse, haveria quem não, e votasse PSD, por exemplo, para formar governo por si só, e apenas por si só. Claro que este argumento vale o que vale, especialmente se derrubar uma ideia pré-concebida e inabalável, como é comum no neo-wokismo.
"
ResponderEliminarBoa tarde, Henrique Pereira dos Santos
ResponderEliminarDiz «
O meu argumento é este: "
ResponderEliminarBom dia, Henrique
ResponderEliminarEu estou convencido que um partido, ou Coligação, quando concorrem às eleições o fazem com intenções de terem um número suficiente de deputados para governarem sozinhos, sem precisarem de uma muleta, seja à direita ou à esquerda. Se os resultados não foram os almejados recorre-se a coligações pós eleitorais que tanto podem ser à esquerda com o à direita.
Veja-se o caso recente da Alemanha. Nem o Partido Social Democrata, nem a CDU/CSU tiveram deputados suficientes para formarem governo sozinhos. Concorreram com intenção de formarem um governo sem apoios de qualquer lado. No fim a CDU/CSU viu-se obrigada a coligar-se. Antes das eleições não disse com quem. Depois das eleições tinha outras opções que não o Partido Social-democrata, mas escolheu este.
Os alemães passaram-lhe um cheque em branco, ou eles fizeram a coligação que mais lhe interessou?
É só mais este ponto de vista que quero expor.
Boa semana, e até uma nova troca de ideias,
Zé Onofre
A questão central no golpe de Costa não tem nenhuma relação com as coligações na Alemanha, que eram, desde sempre, uma possibilidade do conhecimento do eleitorado.
ResponderEliminarO que Costa fez foi esconder e, pelo contrário, manter a convicção do eleitorado, de que coligações com o BE e o PC (ou um governo com o seu apoio) era uma impossibilidade e, depois de ter os votos contados, afinal trair uma parte dos eleitores que não imaginavam que o PS aceitasse governar perdendo as eleições, com o apoio do PC e do BE.
O meu argumento é o de que isso foi uma intrujice, não tem nenhuma relação com a discussão da legitimidade formal de haver um governo de coligação entre o Bloco e o Chega, se tiverem a maioria dos deputados.