Acho que já aqui o disse, mas não faz mal repetir-me: a política está uma coisa cada vez mais desagradável de seguir. É verdade que esteve bastante mais feia no período do PREC, mas a emergência que então se vivia, obrigava-nos a seguir os acontecimentos, mesmo que por vezes assustados. Hoje, a concorrência desenfreada dos inúmeros canais de notícias a transmitir “conteúdos” baratos em directo, ou seja, comentários repetitivos e previsíveis sobre o escândalo do momento, causa-me um enorme enfado. O problema é que o modelo de negócio das notícias capturou para a mesma lógica os partidos políticos, que de forma mais ou menos histriónica ou populista, num círculo vicioso, vão alimentando este circo infernal. Para mais, as pessoas mais interessantes de ouvir, que não gostam de insultos e berrarias, vão-se retirando desta ribalta contaminada – como os melhores na política.
Para um país cada vez mais disfuncional como o nosso, carente de tantas profundas reformas e de soluções de longo prazo (experimente-se andar de comboio, acorrer a uma urgência de hospital, ou a tantos outros serviços públicos) o fenómeno é dramático. A agressividade tóxica que vem invadindo o debate público, tornou-se numa cortina de fumo. Se por um lado isso aliena muitos dos protagonistas dedicados nesse jogo fatal, indiferentes às soluções quase sempre complexas, unicamente centrados em desqualificar o adversário, pelo outro afasta aqueles poucos que desinteressadamente resistem preocupados com a coisa pública.
Para todos esses, interessará saber que sucesso lhes reserva este estado de coisas, na sua luta quotidiana, pelo seu emprego, pelo seu negócio ou empresa, pela educação e saúde dos seus filhos e mais velhos. Esse mundo de fora da bolha não quer ser incomodado com intrigas, politiquices estéreis e escândalos insondáveis. Nada disso nos fala de soluções, de alternativas, de futuro. Nem da demografia, nem da sustentabilidade do país que ambicionávamos.
Se, sobre os comportamentos e opções da vida privada do primeiro-ministro recai suspeita de alguma ilegalidade, que o Ministério Público investigue tudo até ao osso. A devassa é uma legítima prerrogativa da Justiça.
como disse Manuel Brito Camacho:
ResponderEliminar«a MERDA é a mesma, só mudaram as MOSCAS».
ou
«quanto mais mexe, mais fede»
o PM fez em meses o que o PS não fez em anos: está na altura de lhe entregar a governação.
o jornalismo continua no cano de esgoto e sente-se bem
Quando não há vontade/coragem política de implementar as reformas estruturais (na tourada é a pega de caras) a começar, repito, a começar pela abolição do salário mínimo, liberalização dos despedimentos e abolição dos descontos seguindo-se outras reformas estruturais, só nos resta o aumento da pressão financeira de modo a orientar as medidas (na tourada é pega de cernelha) no sentido correcto.
ResponderEliminarO futuro aumento das despesas militares em toda a Europa irá obrigar ou a mais carga fiscal ou a cortes em vários outros sectores nomeadamente educação, saúde, segurança social, protecção civil, administração pública, fundações, associações, institutos, observatórios, câmaras municipais, juntas de freguesia, etc.
; O funcionário que, no exercício das suas funções ou por causa delas, por si, (...) solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, que não lhe seja devida, é punido com pena de prisão até cinco anos ou com pena de multa até 600 dias.
ResponderEliminarQue vantagem recebeu como PM?
Ver tráfico de influencia, 335 do C.P.. Ou acha que é de um dia para o outro que esta criminalidade se dá...?
A empresa é capa.
O PM anda na política há mais tempo que este blog....
ResponderEliminarSim, "A agressividade tóxica" entre partidos e apoiantes que esta partidocracia implantou vai para meio século.
No Reino Unido os parlamenteres, MPs, (deputados uninominalmente eleitos) permanecem, removem e elegem um PMs numa semana.
Em Portugal o PM está associado aos seus, por ele escolhidos, deputados. Óbviamente meses de restrições governativas e mais eleições, para no fim voltarem ao poder político sempre os mesmos partidos, a governar, com os sempre mesmos interesses partidários. Partidocracia.
ResponderEliminarTalvez tenha identificado mal o "PM", ou o seu "saber" descambou!
Se se refere com "PM" ao Primeiro Ministro "Montenegro", ou outro qualquer, equivocou-se, é que o Dr. Montenegro não é funcionário Público nem qualquer outro PM.
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