Um croquete de jeito é um croquete que tem o sabor e a consistência que se pretende, o que implica encontrar um delicado equilíbrio entre a necessidade de se manter firme e hirto durante a fritura, mas macio e delicado na mordedura.
Assim são os grandes acordos internacionais, têm de, ao mesmo tempo, serem sólidos para durarem, e flexíveis para se adaptar a realidades muito diferentes e em mutação constante.
Lembrei-me disto porque estava exactamente na enésima tentativa de conseguir fazer uns croquetes de jeito feitos por mim quando recebi uma mensagem com a "executive order" de Trump que retira os Estados Unidos do acordo de Paris.
Tenho a certeza de que muitos dos meus amigos acharão esta decisão catastrófica, porque acham que a única forma de lidar com alterações climáticas é através de um acordo supranacional, vinculativo, que obrigue os governos a aplicar as medidas necessárias para gerir os problemas relacionados com o assunto.
Eu, que há muito me rendi à lucidez de Deng Xiao Ping, e portanto acho que tanto faz a cor do gato, o que interessa é que cace ratos, deixei-me destes fervores sobre a bondade do multilateralismo como solução única, sobretudo se vinculativa, para garantir uma vida boa às pessoas comuns (se ainda tivesse dúvidas, ter-me-ia bastado acompanhar a inacreditável deriva da ONU em relação ao conflito na palestina para me vacinar contra qualquer crença na bondade das burocracias internacionais).
A mim parece-me evidente que o esforço destas burocracias internacionais e plutocráticas (vão lá estudar as origens sociais dos decisores destas burocracias, se tiverem dúvidas) para impor a linha justa aos estados, preferencialmente de forma vinculativa, acabaria sempre por gerar movimentos de sentido contrário no sentido dos estados resgatarem o poder que tinham cedido a organizações complexas, opacas (frequentemente as decisões são justificadas com a ciência que se produz atrás de biombos que as pessoas comuns não conseguem entender) e dificilmente escrutináveis, cujas chefias não são produzidas por processos democráticos (por exemplo, o Secretário-Geral das Nações Unidas depende mais do voto de ditaduras que de governos legítimos).
Trump, deste ponto de vista, não é nenhuma novidade, é apenas a reacção aos excessos multilateralistas que deram origem ao Brexit e outras coisas que tais.
Se esperarmos tempo suficiente, o pêndulo volta a andar no sentido inverso.
No entretanto, como sempre, as sociedades vão-se adaptando aos novos contextos em que vivem, incluindo os que resultam de alterações climáticos, como mais ou menos choro e ranger de dentes, como sempre.
Caro Henrique, há mais uma executive order a deixar os seus amigos floquinhos apopléticos: os EUA saem da OMS e deixam de pagar aquilo...
ResponderEliminarpor cá a esquerda fechou a central do Pego e devolveu a central nuclear experimental de Sacavém
ResponderEliminarComeçaram a soprar novos ventos
ResponderEliminarOs socialistas estão em pânico
Até porque sabem quem paga o festim
Próximo passo, acabar com regulações da treta que só tiram competitividade.
Drill, baby drill.
ResponderEliminarEis um exemplo
https://www.youtube.com/watch?v=DvCmBOenfsQ
Assim como a Central de Sines ...
ResponderEliminarAs alterações climáticas não são algo que se possa dicidir unilateralmente. Todos têm de controlar as emissões se um estado desiste de controar as emissões, todos vamos pagar.
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ResponderEliminar"...o Secretário-Geral das Nações Unidas depende mais do voto de ditaduras que de governos legítimos". Exacto.
Só lhe resta dimitir-se ... ou aceitar depender dos interesses de tal gente.
O Acordo de Paris sempre foi uma treta. Na medida em que beneficiava a China e era incumprido em muitos países, era "de facto" um instrumento antiocidental. Ambos assinaram o Acordo de Paris mas enquanto a Alemanha fechava centrais nucleares, a China ainda abria centrais a carvão.
ResponderEliminarUm primo meu, embaixador reformado, escreveu num livro de memórias que grande parte da actividade diplomática, iniciava-se com salamaleques e acabava com croquetes.
As alterações climáticas não se devem ao CO2 ou a qualquer outro gás qualquer em particular. Além disso, como pode um gás residual como o CO2, cuja concentração na atmosfera é 0,04% (400 partes /milhão), torricar o planeta?
ResponderEliminarEntretanto hoje um indivíduo chamado Sanchez (dizem que é Presidente do Governo espanhol) foi dizer a Davos que "as empresas tecnológicas estão a minar a democracia" .
ResponderEliminarNa página do sapo onde li isto está também reportado o seguinte abaixo linkado(se calhar os alemães vão dar mais importância a esta realidade que às palavras dos Sanchez's desta Europa na hora de votarem em fevereiro,digo eu não sei):