domingo, 22 de dezembro de 2024

Tolerância zero nas estradas

Para além da falta de memória das redacções em relação a muitas rusgas anteriores, há também uma grande falta de memória no que diz respeito à relação dos governos com as polícias.


Há um conjunto de pessoas que acham inaceitável que as polícias estejam a mando dos governos.


Têm razão em relação ao facto de ser inadmissível que um governo dê ordens directas à polícia em relação à sua actividade diária.


Já quanto a dar instruções políticas gerais quanto à orientação das actuação das forças de segurança, não percebo o escândalo.


Que tal ler esta nota do Governo em 2018, em que Cabrita diz "que irá estabelecer uma «intervenção de tolerância zero» e o «acompanhamento político» nas áreas com maior risco de sinistralidade rodoviária"?


Ou ouvir esta reportagem de 1998 sobre a tolerância zero que o governo promoveu (a campanha foi reforçada pelo ministro da altura, Jorge Coelho, numa cerimónia no cruzamento do Infantado).


E poderia dar milhares de outros exemplos (mesmo esquecendo o tempo da Covid).


Só que, aparentemente, nas redacções dos jornais grassa uma enorme amnésia.

23 comentários:

  1. Nas redações dos jornais não grassa amnésia: são mesmo assim, activistas ideológicos que, a maior parte deles emporcalha todos os dias a nobre profissão de jornalista. Por isso estão na falência, vivendo à custa do dinheiro dos contribuintes entregue em benesses sortidas pelo poder político ou vivendo da caridade de grupos económicos com o da família Azevedo.
    Eles sabem bem, como salientou no Observador a (esta sim) jornalista Helena Matos,  que em Julho de 2022 a PSP levou a cabo uma megaoperação de combate à criminalidade violenta associada à noite de Lisboa, com mais de 200 agentes no Cais do Sodré. Mas como a cor política era outra e a cor da pele dos revistados também, os figurões vieram fazer o que sabem melhor(serem hipócritas) e dever-se-iam era envergonhar com as suas actuaçôes políticas, tais como as protagonizadas pelos lamentáveis Ferro Rodrigues e Pedro "Nulo" Santos.
    É tudo uma questão de cores que fomentam indignações selectivas. 
    Comi diz o outro, ide trabalhar que o vosso mal é muito tempo livre! Não façam de nós parvos!

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  2. Concordo
    É um dos problemas do estatismo, seja na tv ou na segurança interna. O Governo manda... ou como dizem, intercede.
    Daí a necessidade de uma redução da influência do Estado urgente e uma privatização ao máximo possível. 

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  3. Depois de um governo que usava a IGF, o MP, a IGAS e a AdC como meio de retaliação contra quem se metia com eles (a Senhora Ourmieres, os camionistas, os enfermeiros, os hospitais privados, e devo estar a esquecer-me de alguém) é normal presumir que este governo use a PSP como instrumento político. 

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  4. ficava mais barato se transmitissem os noticiários diretamente do Largo do Rato

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  5. Concordando com HPS, vou mesmo mais longe. Actualmente, em concelhos do interior, o planeamento operacional da GNR é ditado a partir dos comandos distritais. Sendo claro que um presidente de câmara não pode "comandar" a GNR, entendo que, sem alteração dos efectivos nem de horas de serviço, poderia decidir que quer mais patrulhamento nas escolas ou, por exemplo, melhor actuação contra o estacionamento irregular no centro da vila.

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  6. melhor actuação contra o estacionamento irregular no centro da vila.


    Engraçado isto do poder político não poder orientar a polícia, porque a PSP tem directivas no Verão em certas localidades para fechar os olhos ao mau estacionamento. Devem ser ordens do Comandante.

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  7. Se um governo de direita envia as forças policiais para um bairro "problemático" os "jornalistas" chamam especialistas sociais para dar a sua opinião.
    Se um governo de esquerda envia as forças policiais para um bairro "problemático" os "jornalistas" chamam especialistas em segurança para dar a sua opinião.

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  8. É claro que o Governo tem o direito, e o dever, de dar ordens políticas à polícia.
    E, pela mesma razão, deveria ter o direito de dar ordens políticas ao Ministério Público - quanto ao tipo de crimes ao qual este deve dar prioridade, e o tipo de crimes que pode descurar.
    É para isso mesmo que deve existir um Ministério da Justiça - para que o povo possa, em eleições, votar (também) sobre a política judicial e a política policial às quais está sujeito.
    Mal estamos quando as políticas policial e judicial estão fora do âmbito da democracia.

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  9. Há localidades onde o comando local tem boas relações com o poder autárquico e há colaboração. Não creio que sejam muitas e são sempre precárias porque pode mudar o comandante local ou pode o comando distrital sobrepor-se com directivas próprias.

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  10. E que tal também ler este texto do jornal  Público de 19/Jun/1999 ?:


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  11. (cont,) 
    Faça-se notar que

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  12. Tudo isto acontece pela ausência de controlo, fiscalização e verificação de documentos à chegada, ou seja, "a montante", na fase inicial, como forma de prever problemas "a jusante" _ como está a verificar-se. Provavelmente se o balho de casa"  tivesse sido feito antes, não teria esta dimensão o que aconteceu no Martim Moniz. Também concorreu para a situação, o facto de o governo socialista ter tido, ao longo dos anos, uma política  de portas escancaradas à imigração, com a agravante de ter extinguido o SEF e criado uma lenta e ineficaz agência para questões migratórias (AIMA).  Muitas destas "vistosas" operações policiais seriam quase desnecessárias, ou praticamente inexistentes, se alguém tivesse previsto as consequências da migração sem restrições. Assim, aquilo a que estamos a assistir é o resultado do  "mundo ao contrário"  dos socialistas, i.e., os imigrantes primeiro entram, depois logo se vê... e quem vier atrás que feche a porta. 


    É recorrente a irresponsabilidade socialista, o laxismo, o incumprimento do dever de zelar pela segurança dos que cá vivem  e dos que aqui chegarão de forma legal, assim como pela sua integração e acolhimento. O socialismo  e  sempre assim: a política do desmazelo, do deixa andar, que não deixa pedra sobre pedra e tudo se torna disfuncional e num completo desastre. Está à vista o legado-Costa: o declínio.
    Mas como o descaramento dessa gente não tem limites, vêm exigir (!) ao novo governo uma actuação rápida, depois de terem desmantelado os Serviços, Organismos  e Instituições  que asseguram o bom funcionamento dum Estado de Direito. É tão penosa de ouvir a ladainha virtuosa desses hipócritas sobre o "cerco" ao Martim Moniz, como foram penosos os longos 9 anos de socialismo. É caso para dizer: mais uma vez «fazem o mal e a caramunha» _ pelo que são useiros e vezeiros. Veja-se a vitimização e o que disseram da vinda da troika, escondendo a sua autoria! 


     Não admira que este pobre país se tenha deixado enganar sucessivamente, longamente, maioritariamente por anafados governos socialistas. Basta olhar para o que nos diz o relatório da OCDE sobre a destreza mental de uma elevada percentagem de portugueses."tra. 

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  13. melhor actuação contra o estacionamento irregular no centro da vila


    Eu diria que, para efeitos desses, aquilo que uma Câmara Municipal tem a fazer não é sugerir à GNR o que fazer, é sim criar uma empresa municipal de estacionamento (com parquímetros) e, eventualmente, criar uma polícia municipal.


    Não é (parece-me) vocação da GNR combater delitos como o estacionamento irregular. O estacionamento irregular é somente um problema de mercado, isto é, de falta de oferta para uma procura excessiva, o que se resolve com a imposição de um preço adequado.

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  14. António Maria Correia24 de dezembro de 2024 às 12:10

    Mais uma vez de acordo com o Henrique. 
    Aproveito para lhe desejar a si e família, um Santo e feliz Natal e um ano cheio de saúde para nos continuar a presentear com os seus textos. 

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  15. Feliz Natal a todos os colaboradores e comentadores do Corta-Fitas.
    MC

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  16. Sou liberal mas não remeto tudo para o mercado. O problema em causa tem origem maioritária na falta de civismo e no egoísmo, que leva as pessoas preferir prejudicar terceiros estacionando irregularmente, a fazer 50 ou 100m metros a pé.
    As soluções que preconiza - empresa de mobilidade (como a EMEL se considera) parquímetros e polícia municipal, não se justificam em autarquias pequenas; se calhar nem em médias. 
    A GNR tem funções de polícia de trânsito mesmo em pequenas localidades.. Se faz pedagogicamente ou apenas para preencher quotas de coimas, é outra questão que não se põe aqui.

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  17. Convém relembrar que a actuação policial na Lusitânia tem uma componente de espectáculo e de humilhação. Basta conferir a detenção do Eng. S  ou o Vale e Azevedo. 
    Os Berloques bateriam palmas a uma rusga ao BEs ou à sede do Chega, à moda americana, com a swat a entrar à doida e tudo a sair algemado em frente às câmeras. 

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  18. Tudo bem. Mas
    (1) Essa operação foi direcionada a um crime concreto (o mercado dos telemóveis) e às pessoas concretas que o praticavam. Não chateou o público em geral.
    (2) Não foram feitas buscas em condições e posições humilhantes às pessoas em geral.
    (3) Criminosos concretos foram encontrados e presos, ao contrário da presente operação, na qual basicamente não se encontrou ninguém.

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  19. a ausência de controlo, fiscalização e verificação de documentos à chegada, ou seja, "a montante", na fase inicial, como forma de prever problemas "a jusante" _ como está a verificar-se


    (1) A operação policial na rua do Benformoso não encontrou, que se saiba, ninguém com falta de documentos.


    (2) Os problemas que eventualmente se verifiquem nessa rua ou noutras da região não parecem ter nada a ver com os imigrantes que foram revistados, os quais pelos vistos tinham tudo em ordem.


    Acredito que haja alguma criminalidade naquela zona, mas esta operação não encontrou praticamente nenhuma. Tratou-se aparentemente de uma operação com muita parra e praticamente nenhuma uva.


    Compare-se por exemplo, com o que sucedeu dois dias depois, em que no parque das Nações foram capturados oito indivíduos com diversas armas de fogo. Uma operação eficiente, ao contrário desta.

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  20. Não sei que lhe diga, mas nem calcula como aprecio que V. _e outros como V._  pensem assim. Oxalá continuem a expressar estas vossas opiniões indulgentes e compadecidas. Sabe porquê? Porque todo este "argumentário" lacrimoso é duma previsibilidade confrangedora e do mais indigente que se tem ouvido. Repetem e replicam chavões como papagaios _o que diz um, dizem todos em coro!_ e o país está farto de tanta virtude e vai perdendo a paciência. Significa isto que Vªs Exªs têm os dias contados, o que é bom! Porque já não há, de facto, pachorra  para tanta "nobreza" caridosa de gente incapaz de se moldar à realidade. 
    Há lá fora um país real com pessoas reais, excluídos da bolha de protecção e que vivem e sentem os problemas dum quotidiano que dá pelo nome de...  realidade! 

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