segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

A liberdade de matar

Apesar de ter conseguido ter o vídeo no meu computador, e não apenas a sua ligação do Facebook, o que facto é que não consigo pôr aqui o vídeo de Mano Shotas, a ser atingido por um tiro, mas a verdade é que o Observador já tinha uma peça em que pode ser visto.


Não é todos os dias que a realidade nos entra pelos olhos dentro através do vídeo em que alguém documenta a sua própria morte em consequência de tiros da polícia.


Não vale a pena dizer que esta liberdade de matar do regime moçambicano, ou da Frelimo, porque os dois são uma coisa só, é o resultado do beco sem saída para que o regime foi sendo conduzido pela ditadura, logo nos primórdios do regime, e mesmo antes durante a luta armada, a divergência sempre foi tratada assim por quem foi conseguindo ter o poder na Frelimo.


A questão é que temos tendência para desvalorizar estes processos, com base em tangas justificativas da violência arbitrária quando temos simpatia pelos fins proclamados e, com isso, damos de facto liberdade de matar aos "libertadores".


De forma mais ou menos mitigada, frequentemente pelo silêncio, continuamos a não combater essa liberdade de matar que alguns poderes têm (e não deixa de ser triste como não se vê qualquer movimentação na sociedade portuguesa que, sequer, se aproxime da que se conseguiu por Timor).


O título deste post, por coincidência, chega a partir de um comentário em que se falava da liberdade de matar palestinianos, no que a mim me parece um grande equívoco.


Quem, durante anos, perante o generalizado silêncio (com excepções, bem entendido) das elites ocidentais, teve liberdade para matar palestinianos, foi seguramente o Hamas.


A liberdade para matar discricionária e directamente todos aqueles a quem o Hamas chamava de traidores, colaboracionistas ou, simplesmente, homossexuais.


A liberdade de matar pela miséria e pela doença, desviando os recursos disponíveis e necessários para desenvolver a sociedade palestiniana para um imenso poderio militar, com túneis, armamento e de muitas outras maneiras.


E a liberdade de matar pelo profundo entrosamento dessa teia militar no meio de civis inocentes, usados como escudos humanos.


A liberdade para matar é uma das consequências dos regimes iníquos como o moçambicano ou o do Hamas, desvalorizar os processos com a bondade dos fins dificilmente dá outro resultados que não este.

1 comentário:

  1. Caro Henrique, tivesse a Indonésia, na altura, um regime "revolucionário", assim como Moçambique ou Cuba, ou até a Siria do e Timor ainda seria Indonésio ...

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