sexta-feira, 1 de novembro de 2024

A Montis

A Montis é uma associação de conservação focada na gestão de terra, isto é, focada em fazer, o melhor que souber e puder, e sem nenhuma pretensão de discutir o que devem os outros fazer.


Foi fundada há dez anos, em grande parte, copiando o modelo da ATN, mas procurando ser mais aberta, transparente e mais bem gerida, entre outras diferenças.


Começámos quatro, um de nós abandonou o projecto ainda antes de ele ter sido formalizado, outro praticamente deixou ter interesse na Montis, um terceiro vai estando ausente e eu, durante algum tempo, contra o que eu achava a melhor solução, fui o primeiro presidente, durante dois mandatos, depois dos quais estou afastado do dia a dia da associação (estatutariamente não se pode fazer mais de dois mandatos no mesmo orgão social, a norma dos estatutos que diz respeito a esta matéria parecia-me clara dizendo que não de poderia estar nos orgãos sociais mais de dois mandatos, os advogados fazem uma interpretação diferente, mais restritiva, dizendo que a norma diz que não se pode estar no mesmo orgão mais de dois mandatos sucessivos).


A razão para eu achar que ser eu o presidente era uma má solução decorre de ter pontos de vista claros sobre assuntos controversos, em especial relacionados com os eucaliptos (mas também em relação ao uso do fogo e aos químicos) e isso poder limitar, como acho que limitou, a penetração da Montis em meios mais ortodoxos da conservação da natureza.


Em qualquer caso, não se metendo a Montis nas lutas espectaculares contra isto e aquilo em nome da natureza, é uma associação com fraca capacidade de mobilização, tendo actualmente cerca de 350 sócios (só contamos os sócios que pagam quotas e vamos excluindo, automaticamente, os que não as pagam, ao contrário do que é a prática habitual das associações em Portugal).


É muito mais fácil mobilizar pessoas contra minas de lítio, contra eucaliptos, contra monoculturas, contra o glifosato, contra os OGM, contra a extinção do macaco de rabo cortado, contra as alterações climáticas, que à volta de uma coisa chata e comezinha, como gerir hectares de giestas para fazer deles um mosaico que, daqui a trinta anos, talvez seja mais biodiverso do que é hoje, com mais invertebrados, com mais matéria orgânica no solo, com mais espécies de plantas que nem dão flores, mas sem pandas espectaculares, ou mesmo bisontes vindos da Polónia.


Dez anos depois posso dizer que valeu a pena?


Sim.


É verdade que 350 sócios não são os 750 que se pretenderia ter ao fim de dez anos (o que garantiria o pagamento independente de um secretariado técnico), mas 300 hectares sob gestão, dos quais uns 15 são propriedade própria, é um bom resultado para uma associação que tem parceiros, sim, mas não tem mecenas ou protectores, nem goza do favor dos jornalistas e das vozes mais vocais no mundo da conservação.


Desde este ano a Montis passou a poder beneficiar da consignação do IRS, depois de uma longa luta pelo reconhecimento do seu interesse público, o que ajuda no tal objectivo de ter um secretariado base que não depende de acordos com terceiros nem financiamento que não venha dos sócios, mas está longe de permitir ir crescendo tanto como seria bom com a compra de terrenos, como se espera que venha a acontecer nos próximos anos.


A quota são 25 euros anuais, a consignação do IRS pode acrescentar qualquer coisa mas o que verdadeiramente é o contributo mais valioso para a Montis é trazer mais sócios, é deles e da vontade deles que depende a associação.


300 hectares geridos com objectivos de conservação, em 9 milhões, é realmente muito pouco mas, ainda assim, é bastante mais que zero, sobretudo quando tem sido possível fazê-lo mantendo uma razoável saúde financeira.

2 comentários:

  1. 300 hectares é muita terra e dá muito trabalho a gerir. Eu tomo conta de menos de vinte hectares e sei bem o trabalho que já isso dá.

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  2. Se um hectare ajudar, pronto para tal talvez. Em nome de dois familiares.

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