sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Um aventureiro de perdócios

Manuel Carvalho, ontem, no Público (como não?) resolve, com a infantilidade e a irresponsabilidade dos jornalistas militantes, chamar nomes a David Neeleman.


"um chico esperto foi capaz de atravessar o Atlântico Sul" (Manuel Carvalho não deve saber que David Neeleman é cidadão americano, ou que os EUA e Portugal são separados pelo Atlântico Norte).


"o que foi do princípio ao fim uma manobra de videirinhos".


"um aventureiro dos negócios".


"Portugal um país patusco, fácil de endrominar por espertalhões com nome estrangeiro".


"um governo se submeteu aos ditames de uns espertalhões que compraram uma companhia nacional sem terem de a pagar com o seu dinheiro".


E por que razão se encheu de fúria Manuel Carvalho?


Porque, na sua própria opinião, "convém ser justo e recordá-lo, a TAP dá hoje lucro em boa medida porque a gestão privada lhe abriu novas rotas, a modernizou e reforçou o seu valor estratégico de ponte entre a Europa, as Américas e a África".


Pelos vistos, o "aventureiro dos negócios" foi capaz de fazer o que os outros todos não conseguiram (a empresa estava em falência técnica, isto é, os seus passivos eram maiores que os seus activos, e estava sem liquidez ao ponto de estar em risco de deixar de pagar salários e as prestações devidas a um dos seus principais fornecedores, a Airbus, quando o "aventureiro dos negócios" pegou nela e a passou de perdócio a negócio, para usar a terminologia de Belmiro de Azevedo, outro "aventureiro dos negócios" de cuja caridade benevolente depende, ainda hoje, o Público).


Aventureiro dos negócios há muitos, Thomas Edison, Henry Ford, Bill Gates, Elon Musk, etc., etc., etc., felizmente para todos nós que precisamos da criação de riqueza para ter uma "vida boa" (não resisti ao prazer de citar o Bloco de Esquerda, concordando).


Aventureiros de perdócios, como os jornalistas do Público é que há poucos, por uma razão simples: é muito difícil convencer um "aventureiro de negócios", como Belmiro de Azevedo, a perder vários milhões por ano num perdócio como o Público.


Por que razão um perdócio, como o Público, não consegue passar a negócio ao fim de 34 anos a consumir capital generosamente disponibilizado pelos "aventureiros de negócios" que o financiam?


Penso que o próprio artigo de Manuel Carvalho, que foi director do jornal, consequentemente, com responsabilidades grandes no perdócio, é cristalino na ilustração das razões pelas quais aquilo, do ponto de vista da aplicação racional de capital, é um desastre: "Não venham dizer que Neeleman acabou por "meter" os 203 milhões de euros (226,7 milhões de dólares) na TAP ou que não se serviu da dívida da empresa para pagar os 61% que adquiriu ao Estado".


Comecemos pela qualidade jornalística e depois vamos à questão de fundo.


Para fundamentar esta parvoíce, Manuel Carvalho cita o relatório da IGF que diz exactamente o contrário do que Manuel Carvalho conclui: "para além de 10 milhões do preço", ou seja, o relatório da IGF diz claramente que o preço dos 61% de capital foram 10 milhões e foram pagos por David Neeleman. Depois fala em prestações suplementares de capital, que foram efectuadas com dinheiro da Airbus, integrando progressivamente os activos da TAP à medida que a actividade da TAP foi remunerando essas prestações suplementares de capital, na forma que tinha sido contratada (Manuel Carvalho parece ter a ideia de que as receitas futuras de uma empresa que precisa de capital para as conseguir gerar são um património da empresa, não admira que o Público nunca tenha passado de perdócio a negócio).


Mas a parte mais luminosa do parágrafo em análise é mesmo esta: "se serviu da dívida da empresa para pagar os 61% que adquiriu ao Estado".


Manuel Carvalho está mesmo convencido de que se pagam contas com dívidas. Vou ao supermercado, e posso pagar com a dívida que tenho da compra do carro, diz Manuel Carvalho.


E assim se explica por que razão, ao fim de 34 anos a consumir capital, o Público continua a ser um perdócio e não um negócio: os seus principais responsáveis não fazem a menor ideia de como funciona a economia e as finanças, razões pelas quais acham normal insultar um tipo que, no caso da TAP "lhe abriu novas rotas, a modernizou e reforçou o seu valor estratégico de ponte entre a Europa, as Américas e a África", escudando-se no orgulhoso estatuto que consideram uma dádiva divina inquestionável: serem grandes "aventureiros dos perdócios".

21 comentários:

  1. socialismo totalitário em voga em toda a esquerda

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  2. Pelo tom, esse editorial podia ter sido escrito por um taxista, mas só por um que não gerisse o seu próprio negócio.

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  3. Claro que se pagam contas com dívidas. Esse é uma aldrabice muito conhecida.
    A TAP garantiu um empréstimo para comprar algo acima do preço real, seguidamene a diferença é dividida entre a administração (não a companhia, a administração) que obriga a TAP e o prestamista. Neste caso particular a administração usou o dinheiro para comprar a TAP.  Ou seja quando fez o empréstimo já alguém (quem seria) lhe tinha garantido que seria a proprietária no futuro próximo. A mudança de governo apanhou toda a gente em contrapé e tiveram de fazer a privatização à pressa ou a moscambilha ficava sem apoio, porque outro dono não obrigava a TAP a garantir os empréstimos.

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  4. Um prostituto ignorante e vagamente alfabetizado ( padrão do "jornalista" doméstico).
    Juromenha

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  5. Queen Margot que isso passa.

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  6. A saga continua. E vão três.
    Amanhã há mais?

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  7. Não li o texto todo, mas o Neeleman nasceu no Brasil, onde esteve até aos 5 anos, voltou como missionário ao 19 e antes de se meter na TAP, tinha fundado a companhia de aviação Azul no Brasil.


    É um pormenor que não afecta as conclusões do Henrique, mas neste ponto o Manuel Carvlaho está correcto. O David Neeleman, profissionalmente, veio do Brasil para Portugal. Não é porque os "jornalistas" do Público ignoram os factos, que nós o devemos também fazer

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  8. Deixe-me fazer uma pergunta: acredita mesmo no que escreveu, ou acredita que outra pessoa qualquer é suficientemente estúpida para acreditar nisso?

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  9. O que eu disse, e é um facto, é que David Neeleman é um cidadão americano (não disse, mas digo agora, e tem residência e empresas nos Estados Unidos, a única razão para Manuel Carvalho ter falado no Atlântico Sul é porque isso lhe dá mais jeito para insinuar que David Neeleman é um aventureiro sul americano e não um empresário americano que também tem interesses na América do Sul).

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  10. Então foi confusão da minha parte.


    Eu li o parágrafo do Manuel Carvalho, e pensei que ele se estava a referir ao percurso profissional do David Neeleman. Que efectivamente teve negócios no Brasil antes de vir para a TAP.


    Eu achei curiosa a referência  "aventureiro sul-americano". O Manuel Carvalho poderia ter pintado o Neeleman como o clássico ganancioso americano. Era o que eu estaria à espera da malta de esquerda. 

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  11. Isso é o jpt blogger (minúsculo), eu sou Jameson's, Johnny Walker (Red Label), ou Nikka, quando me oferecem. Já o seu caso, admito que só se trate com uma garrafa de qualquer destes (o japonês, que é para sair em estilo), rematado com uma mancheia de Lorenins (se ainda se venderem). 

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  12. Todo o santo dia escreve posts patetas e todo o santo dia acusa quem o critica de ser estúpido.


    Isto vindo de um licenciado pela universidade de Évora e por um curso de muito questionável interesse público pago pelo contribuinte.

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  13. É verdade, o que me espanta é que, sendo assim, passe o tempo todo a vir aqui fazer comentários (e ainda deito muitos fora).
    Se não vier cá vive mais feliz, e eu também.

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  14. Isto é de não perder!


    https://observador.pt/opiniao/sai-o-prato-tap-do-micro-ondas/

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  15. Ponto de ordem.
    Não é a primeira vez que assuntos sérios, 
    são decididos nos últimos dias dos governos.
    A maleita do protelar soluções,
    entretidos com estudos sobre estudos,
    diga-se que limitados ao pequeno grupo a soldo do ministério.
    Assim se chaga aos 50 anos para um novo aeroporto,
    ou a esta forma de decidir porque vamos fechar a porta.

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  16. De facto a sigla em minúsculas ou maiúsculas enferma do mesmo.
    Quanto à bebida, água. 
    Durmo muito bem sem drogas, talvez por isso tenha perpectiva diferente dos que as tomam ... e sugerem.

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  17. O governo é o responsável, perante os eleitores, nos acordos que assina com os privados. 
    O privado se não cumprir responderá na Justiça (senão deixem-no em paz). 
    A avaliação, a qualidade boa ou má dos governantes é o benefício, a aproveitar, pelos eleitores (se foram capazes disso). 
    A responsabilidade final dos bons ou maus acordos, entre governo e privados, é do eleitorado. 
    Afinal as ARs e os Governos emanaram sempre das votações, das escolhas dos eleitores. Escolhas do soberano eleitor.

    Qual é o problema?.

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  18. Leia o pindérico relatório da IGF em vez de ler o que jornalistas escrevem. O relatório não chega ao que os jornalistas inventaram.

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