As previsões de risco de incêndio para amanhã é excepcional, em especial para Viseu (e também Aveiro), mas também para um conjunto grande de distritos do Norte e Centro.
Já recebi no meu telefone avisos da protecção civil, tenho visto um esforço grande de comunicação por parte da protecção civil no sentido de chamar a atenção para esta situação excepcional, mas a sensação que tenho, por mim e por outras pessoas, é a de que esse esforço é razoavelmente ineficaz.
Pode ser que eu esteja enganado, acredito que quem trata profissionalmente disto sabe bem mais que eu, mas também se pode dar o caso de estar metido numa bolha mental que a impeça de ver coisas que outras pessoas, menos ligadas ao assunto, conseguem ver.
A sensação que tenho é a de que a escala de alertas usada, ou a forma como são comunicados os alertas, por levar a alertas muito cedo para situações que são mais ou menos corriqueiras, provoca um sentimento de entorpecimento nas pessoas comuns que as levam a desligar dos alertas.
Dizer que há um alerta vermelho para amanhã não leva quase ninguém a dar a atenção devida à situação excepcional prevista para amanhã.
Claro que previsões são previsões, há uma grande incerteza, mas a acumulação de dados sobre a situação excepcional prevista para Viseu parece-me suficientemente relevante para que se chame a atenção para essa excepcionalidade (mesmo que, ao mesmo tempo, se reforce a ideia de que previsões são previsões, lembrando, se quiserem o erro das previsões do Ofélia que deram origem a muitas ignições indesejadas, por se ter previsto uma chuva que não veio).
Tudo pesado e revisto, parece-me que nos falta um mecanismo excepcional de identificação e comunicação de situações excepcionais, que nos levem a tomar precauções excepcionais, tanto mais que a ideia de que o que é preciso é que o ataque inicial aos fogos nascentes não falhe é uma ideia que não tem base estatística: nas condições previstas, provavelmente metade das intervenções em ataque inicial vão falhar, pelo que uma em cada duas ignições tem toda a probabilidade de resultar num incêndio de progressão rápida e elevada intensidade.
Não percebi muito bem o destaque dado a Viseu, quando olhamos para o mapa do perigo do incendio rural para amanhã, verificamos que praticamente toda a metade norte do país está em risco máximo, com excepção de alguns concelhos da faixa costeira que estão em elevado ou muito elevado.
ResponderEliminarhttps://www.ipma.pt/pt/riscoincendio/rcm.pt/
Curiosamente, no mapa de risco para dia 16 não há um único concelho com risco baixo ou moderado, o que é uma situação bastante rara e evidencia a excepcionalidade do dia de amanhã.
Quanto à parte como são comunicados os alertas, concordo contigo: há uma progressiva dessensibilização.
ResponderEliminar"...
Estás a acordar para a vida.
ResponderEliminarPoderia-me indicar a fonte, ou se possível literatura científica sobre o estudo do fogo em Portugal ? Há já largas décadas que andamos a combater fogos florestais, certamente já deveríamos ter aprendido como o fazer. Pode-me indicar quem é que estuda a ecologia do fogo em Portugal ?
Para além do risco de incêndio usado pelo IPMA combinar o FWI com um outro índice estrutural cuja utilidade é bem mais discutível neste contexto, o facto é que o risco máximo começa com um valor de 50, ou seja, o que o mapa diz é que há esses concelhos todos com um índice maior que 50.
ResponderEliminarO que o mapa não diz (e é pena, porque há informação para isso) é se cada um desses concelhos tem um índice de 51 ou, por exemplo, 91, a forma como é usado discrimina menos do que seria possível (é essa a crítica central que faço no post).
O que acontece é que esse índice está especialmente elevado em Viseu (pelo menos na previsão de ontem, hoje, Segunda de manhã, não sei o que diz a previsão, mas o IPMA sabe com certeza).
Pode procurar pelos autores, Paulo Fernandes, José Miguel Cardoso Pereira, Tiago Oliveira, Nuno Gracinhas Guiomar, rapidamente, começando por estes, chega a outros.
ResponderEliminarE há uns estudos feitos, quer para Portugal, quer para outros países, nomeadamente EUA, sobre a probabilidade de um ataque inicial resultar em determinadas condições meteorológicas e de disponibilidade de combustível.
Em qualquer caso não é precisa muita informação, basta tem em atenção que 30 a 40% das ignições ocorrem em período nocturno (isso não quer dizer que começam realmente nesse período, quer dizer que são detectadas nesse período, o processo pode ter começado horas antes) e que nesse período os meios aéreos não operam, o que quer dizer que o tempo entre a detecção e a intervenção é algum (depende das circunstâncias, claro).
Se o ISI (outro índice que se calcula e mede a velocidade inicial de propagação do fogo) for muito alto, quaisquer 15 minutos fazem com que rapidamente o incêndio ultrapasse a capacidade de extinção, e lá se foi a possibilidade do ataque inicial ter sucesso.
Obrigado pelo esclarecimento..
ResponderEliminarSó para lhe agradece a sua esclarecedora e realista intervenção na SIC de ontem pelas 19 horas.
ResponderEliminarNada pior para "incendiar" a discussão do que a opinião de "especialistas" que descobrem teorias de conspiração