domingo, 23 de junho de 2024

Veremos

"“Ainda ontem três casas foram danificadas e uma rua inteira ficou queimada”, contou a uma rádio local, fazendo as contas a “40% de prédios residenciais” danificados e “quase 200 casas queimadas” nos últimos meses".


Sobre Gaza?


Não, sobre uma terrinha no Norte de Israel.


A informação é fidedigna?


Nem por isso, é de um autarca local e estou convencido de que foi parar ao jornal porque o senhor critica o governo israelita, dizendo que está desaparecido e preocupado com outras coisas.


Sobre a informação que vem de Gaza tem, no entanto, uma grande diferença: qualquer jornalista que queira pode lá ir verificar se é verdade ou não.


Durante anos o Hamas andou a desviar recursos que eram das populações de Gaza, muitos deles provenientes da ajuda internacional carreada pela ONU, para fazer túneis, acumular armamento, combustíveis e tudo o mais que lhe tem permitido aguentar uma guerrilha urbana de meses.


Durante anos, grupos vários atacaram o território de Israel com rockets e outras coisas que tais, a partir de Gaza, sem que as autoridades de Gaza, o Hamas, jamais levantasse um dedo para o impedir.


O Hamas preparou-se e criou uma oportunidade para deitar gasolina para uma fogueira de relativamente baixa intensidade, com o objectivo de mobilizar uma larga frente de ataque que permitisse liquidar Israel, ou pelo menos limitar a sua força.


Durante todo esse tempo, a generalidade das pessoas que não têm pedras no coração estiveram-se nas tintas para as vítimas dessas opções do Hamas, as principais das quais eram, já nessa altura, os palestinianos, obrigados a viver em condições muito piores das que seria possível criar se os recursos canalizados para a guerra tivessem sido usados para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e para a sua defesa.


Desde há anos que o Hezbollah não cumpre as resoluções da ONU sobre os limites em que se deveria conter, sem que daí resulte qualquer consequência real para as autoridades no Líbano.


Desde há meses, o Norte de Israel é atacado, quase todos os dias (5 mil projécteis desde 7 de Outubro?) e há hoje algumas probabilidades de Israel fazer no Líbano o que está a fazer em Gaza: ir à fonte das ameaças à sua existência limitar o seu poder (em rigor, a fonte primária está no Irão, mas esqueçamos isso agora).


Se, como é possível (não faço ideia se é provável), o exército israelita entrar pelo Sul do Líbano, o que não vão faltar são apelos lancinantes das pessoas que não têm pedras no coração, como a senhora deputada que chora as crianças da palestina sem nunca ter chorado as crianças judias, tanto quanto me apercebi, contra a barbárie israelita.


"Dizem do rio que é violento, mas que dizer das margens que o oprimem?".


Eu sei que uns chamarão margem ao que outros chamarão rio, e vice-versa, mas o que manifestamente não é sério é pretender fazer a equivalência moral entre os métodos do Irão e de Israel no conflito que ali existe.

8 comentários:


  1. No Médio Oriente existe um povo, muçulmano, ao qual as os Estados, muçulmanos, da região, que tanto gritam pelos Palestinianos, negam o direito a ter uma pátria, um Estado: os curdos. 
    São cerca de 30 milhões de pessoas, espalhados pelos territórios do Irão, Iraque, Turquia e Síria. Todos campeões da causa Palestinia. E nem vale a pena referir o tratamento que todos estes países, campeões humanitários da causa palestiniana, dispensam aos curdos (povo indo-europeu). 


    Os Nazis viam na eliminação dos judeus a resolução dos problemas do mundo. Hoje a esquerda, toda a esquerda, moderada (?) incluída, vê na eliminação de Israel a resolução dos problemas do Médio Oriente, e não só. Na verdade,  são farinha do mesmo saco...

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  2. Qualquer jornalista pode ir a Gaza verificar? Ainda bem que assim já o é, durante algum tempo o acesso de imprensa à zona de conflito foi impedida por Israel, é bom saber que o acesso já é livre. É livre, certo?
    Resoluções da ONU ignoradas, bem, não sei ao certo qual o resultado do israel-hezbolah, mas não deve andar longe de uma disputa cerrada pelos 3 pontos.
    O resto é conversa de claque. Cada um puxa pelo seu, sendo que até importa mais quem está do outro lado do que propriamente do nosso. Quando se vêem hardcore gringos conservadores a puxar pela mãe russia só para fazer o velho biden ficar mal, está tudo dito. Os queers for palestine e derivados rapidamente mudam de lado no dia em que o futuro presidente Donald afirmar ser pró estado palestiniano. Aí os fascistas passavam a ser outros.
    Poucos querem saber ou têm interesse por este assunto, é lá longe numa terra distante, e o assunto guerra é (felizmente) para o mundo ocidental tão palpável como um reality show. Acho tão adorável os Shapiros apelarem às armas a partir do conforto do seu sofá como os universitários a berrarem do rio até ao mar. A ignorância continua abençoada.
    No fundo, e até ver, quem se lixa é quem lá está, de ambos os lados.

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  3. Não é a coisa mais clara que escrevi, mas leia com atenção e vai ver que o que escrevo é sobre Israel, ao contrário de Gaza, qualquer um pode ir verificar.
    E não, não é Israel que impede os jornalistas de reportar a partir de Gaza.

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  4. Qualquer jornalista credenciado pode entrar, caso queira, em Gaza via Israel ou Egipto. Percebido.

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  5. Eu não disse isso.
    Disse que em Israel pode entrar, em Gaza duvido, mas porque é uma zona de guerra e porque o risco que se corre escrevendo alguma coisa de que o Hamas não goste é muitíssimo elevado.

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  6. Ena que faz um esforço para não perceber o que foi escrito.


    - Em Israel o jornalista pode ir verificar se é verdade ou não o que diz o autarca.
    - Em Gaza não. Em Gaza não há oposição.


    No entanto no mundo do "jornalismo de referência" não há alegados nenhuns ao que vem de Gaza, até fazem esforço em esconder a origem da informação que vem do Hamas.


    Notar como a destruição no norte de Israel só aparece no "jornalismo de referência" por causa das manifestações contra o Governo Israelita, durante este tempo todo os jornais censuram essa destruição e os milhares de deslocados.


    jornalismo de referência= jornalismo que faz politica

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  7. Se Israel invadisse o Sul do Líbano - onde as IDF sofreram o seu primeiro desaire militar - perder-se-iam vida mas pouco mais. Mas o Hezbollah já se metastizou noutros pontos. Por exemplo os israelitas já bombardearam Baalbek que fica no Norte e domina a entrada do rico vale da Bekaa.
    Conheci ambos, a Bekaa por onde passaram obrigatoriamente todos os exércitos invasores em séculos e séculos, por ser a passagem entre as montanhas do Líbano e do Anti-Líbano. E Baalbek, cuja grandiosidade tem de ser vista para ser compreendida. Basta dizer que, depois de séculos a ser saqueada para a construção civil, ainda conserva mais pedras romanas do que toda a Itália. Hoje está lá instalada uma base do Hezbollah.
    Incidentalmente, o Hamas poderá ter adiantado imprevistamente a data para o ataque de 7 de Outubro - o que ajuda a explicar o falhanço de todas os serviços de informações israelitas - Exército, Shin Bet e Mossad - porque se avizinhava o acordo entre Israel e Arábia Saudita que constituía o desenvolvimento do Acordo Abraão, obtido no final da administração Trump.

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  8. Bom dia, 
    Algo parecido aconteceu na Ucrânia onde os ucranianos do Donbass andaram a ser mortos durante 8 anos apenas por falarem russo.
    Peço desculpa pelo aparte .
    Nota : a vida nunca é só a preto ou só a branco .
    Luís Almeida 

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